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	<title>Bettina Gehm, da Redação AME/CDD &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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	<title>Bettina Gehm, da Redação AME/CDD &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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	<item>
		<title>Quem tem doenças crônicas de pele pode fazer tatuagens?</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/quem-tem-doencas-cronicas-de-pele-pode-fazer-tatuagens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 20:01:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Pessoas com psoríase, dermatite atópica e alergias de pele são mais suscetíveis a desenvolver lesões, mas não estão proibidas de fazer tatuagens No Brasil, a indústria de tatuagem cresceu 25% em 2021, de acordo com o Sebrae. Quem tem problemas de pele, no entanto, precisa tomar precauções antes de entrar nessa onda.&#160; Um exemplo de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Pessoas com psoríase, dermatite atópica e alergias de pele são mais suscetíveis a desenvolver lesões, mas não estão proibidas de fazer tatuagens</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a indústria de tatuagem <a href="https://www.terra.com.br/noticias/mercado-de-tatuagem-cresce-em-periodo-de-crise,397bc1c8ccc558a60290ec97b9d9d530a0anzfgn.html">cresceu 25%</a> em 2021, de acordo com o Sebrae. Quem tem problemas de pele, no entanto, precisa tomar precauções antes de entrar nessa onda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo de condição que requer cuidado é a psoríase. As lesões avermelhadas da doença autoimune, que atinge cerca de 1,3% da população brasileira conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia, podem aparecer em cima da área tatuada e cobrir o desenho enquanto a lesão estiver ativa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso acontece por causa do chamado <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31971748/">fenômeno de Koebner</a>, que provoca o surgimento de lesões, após algum ferimento, iguais às da doença cutânea que o paciente apresentava. E, sim, isso ocorre em locais onde a pessoa nunca tinha desenvolvido os eczemas da psoríase antes.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Fenômeno de Koebner</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Um <a href="http://www.cmaj.ca/content/185/7/585">artigo de 2013</a> sugere que cerca de um quarto das pessoas com psoríase experimentarão o aparecimento de novas placas e feridas após uma lesão na pele não provocada pela doença. Os furinhos causados pela agulha que introduz a tinta das tatuagens podem dar início ao fenômeno – embora seja impossível prever quem vai experimentar o fenômeno de Koebner e quem vai escapar dele. A boa notícia é que trata-se de uma mudança temporária, geralmente resolvida com tratamentos adequados para a condição. Ou seja, o mais importante é dialogar com profissionais de saúde e manter um acompanhamento próximo, se for o caso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já quem tem dermatite atópica (DA) não pode se tatuar em cima de áreas lesionadas e deve evitar partes do corpo normalmente acometidas pela doença. Os locais onde costumam aparecer as feridas variam de pessoa para pessoa, mas é comum nas dobras dos braços e na parte de trás dos joelhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recomendação de não fazer tatuagens em cima de lesões, aliás, vale para qualquer problema de pele que deixe feridas, afirma a dermatologista Analupe Webber, secretária geral da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Rio Grande do Sul (SBD-RS).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da psoríase, por exemplo, é impossível tatuar um local com eczemas causados pelo acúmulo de células da pele. Além disso, de acordo com a médica, tatuar em cima de lesões ativas pode aumentar o risco de contrair infecções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa discussão é especialmente pertinente, porque as lesões da dermatite atópica, por exemplo, podem deixar cicatrizes, o que leva algumas pessoas a tentar cobri-las com tatuagens da cor da própria pele. “Não é uma boa técnica de cobertura”, alerta Webber. “Dificilmente a tinta vai ficar da mesma cor da pele”.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Reação alérgica?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Tatuagens no geral podem se tornar um problema para quem tem tendência a alergias cutâneas. Como a pele desses indivíduos é mais sensível, são grandes as chances de uma reação à tinta. “Para quem tem alergias no geral, a tatuagem é contraindicada. As reações a tatuagens podem ser temporárias, ocasionais ou se tornarem crônicas”, explica a especialista. A DA, cabe lembrar, é considerada uma alergia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se mesmo assim a vontade de se tatuar for grande, a dica é dar preferência à tinta preta, que causa menos irritação. A tinta vermelha, no extremo oposto, é a que mais provoca reações alérgicas. Acredita-se que isso ocorra devido ao uso dos chamados <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25441375/">corantes azoicos</a> na<a href="https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/191494/PGEA0595-D.pdf?sequence=-1&amp;isAllowed=y"> composição de tintas dessa cor</a>. Além de menos alérgica, a tinta preta é mais fácil de ser removida caso a pessoa decida tirar a tatuagem em algum momento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por falar em remoção, Webber alerta que o único método com evidência científica de segurança é o tratamento a laser. “Mas é preciso ter cuidado com o tipo. Há um laser específico para remoção de tatuagem”, ressalta a dermatologista.&nbsp; Mesmo sendo o mais indicado, esse método de remoção também pode causar lesões, especialmente em quem tem psoríase.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator a se observar é a tendência a desenvolver queloides, um processo de cicatrização irregular que ocasiona um crescimento anormal do tecido lesionado. “Se a pessoa tem essa tendência, a tatuagem pode deixar cicatriz permanente”, pondera a médica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante também evitar que as tattoos cubram pintas e sinais na pele, impedindo que o dermatologista avalie o crescimento delas – o risco é esconder um sinal e atrasar um diagnóstico de câncer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qualquer pessoa – com problemas de pele pré-existentes ou não – pode ter infecções se o profissional não se atentar à biossegurança na hora da tatuagem. Por isso, a dica é prestar atenção nos detalhes antes de escolher o tatuador: ele ou ela deve usar luvas e agulhas descartáveis, e o local precisa adotar regras de higiene.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<h5 class="wp-block-heading">Veja também no site da CDD</h5>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/doenca-de-pele/verao-doencas-de-pele/">Verão e doenças de pele: como aproveitar essa estação sem piorar sintomas&nbsp;</a></li>



<li><a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/doenca-de-pele/skin-picking-como-lidar/">Skin picking: como lidar com o hábito disfuncional de cutucar a própria pele</a></li>



<li><a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/doenca-de-pele/dicas-para-proteger-sua-pele-com-dermatite-atopica-no-verao/">Dicas para proteger sua pele com Dermatite Atópica no verão</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sem investimento, acesso à saúde mental pelo SUS passa por longas filas</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/sem-investimento-acesso-a-saude-mental-pelo-sus-passa-por-longas-filas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 17:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Desmonte de políticas públicas precariza serviços de saúde mental, que já foram exemplo internacional, e impõe barreiras ao tratamento psiquiátrico pelo SUS]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A redatora Priscila Raabe, 28 anos, buscou atendimento psicológico pelo SUS no início de setembro de 2020, quando notou um agravamento na&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/saude-mental/depressao/">depressão</a>&nbsp;– até ali não diagnosticada. Ela foi até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Águas de Lindoia, cidade do interior de São Paulo onde mora. “Passei com um clínico de plantão, que me encaminhou para psicólogo e psiquiatra e, em menos de cinco minutos de consulta, me receitou um remédio tarja preta”, relata Priscila. Mais de dois anos se passaram e ela ainda não teve consulta com os especialistas pelo SUS. “Na época, me falaram que havia cerca de 200 pessoas na fila”, lembra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso aos serviços de saúde mental oferecidos pelo SUS se dá justamente através da atenção primária, nas UBS, onde os médicos de saúde da família recebem apoio de especialistas para acompanhar o paciente, dependendo do caso. Mas a falta de investimentos nos últimos anos criou barreiras para quem precisa de atendimento, como explica o psiquiatra Deivisson Vianna, coordenador do grupo temático de saúde mental da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início de 2020, o governo Bolsonaro&nbsp;<a href="https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/saude-da-familia-perde-modelo-do-nasf">extinguiu</a>&nbsp;o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), composto por vários profissionais (incluindo psicólogos e psiquiatras) que integravam as equipes da atenção primária para que problemas de saúde mental fossem atendidos já nas UBS. Os gestores municipais passaram a ser responsáveis por definir quais especialistas entram nas equipes multidisciplinares de apoio à atenção básica, sem seguir um parâmetro nacional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O NASF possibilitava, quando necessário, prescrever medicamentos no próprio posto de saúde. Especialistas iam até os ambulatórios para tirar dúvidas. Acabando com esse apoio, aumenta o número de casos que poderiam ter sido tratados na atenção primária, mas agora são encaminhados para especialistas, lotando as filas”, lamenta Vianna.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/pesquisas-apontam-aumento-nos-casos-de-depressao-no-brasil/">11% dos brasileiros</a>&nbsp;já receberam o diagnóstico de depressão alguma vez na vida. “Essa é uma prevalência alta, que precisa ser tratada e acompanhada também pela atenção primária. Nem mesmo um grande número de ambulatórios especializados daria conta”, afirma o médico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desmonte do NASF é recente, mas a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como é chamada a política nacional de saúde mental que integra vários serviços, enfrenta problemas há mais tempo. Instituída em 2011, a RAPS não teve o financiamento reajustado desde então. “Sustentar essa rede tornou-se quase inviável. Só os municípios maiores e mais ricos conseguem ter uma rede mais diversificada, até com consultórios na rua”, afirma Vianna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A RAPS é composta por:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)</strong>, onde são acompanhados os casos mais graves do ponto de vista psiquiátrico</li>



<li><strong>Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT)</strong>, onde residem pessoas com transtornos mentais graves</li>



<li><strong>Centros de Convivência e Cultura</strong>, que promovem formas de reinserção social a partir do trabalho</li>



<li><strong>Unidades de Acolhimento (UA)</strong>, onde podem ficar pessoas com dependência química que se afastaram do círculo familiar</li>



<li><strong>&nbsp;Leitos de atenção integral</strong>, que podem estar situados em Hospitais Gerais ou nos chamados CAPS II.&nbsp;</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Esses serviços, porém, não são bem distribuídos pelo país. “Infelizmente, grande parte das cidades não têm a maioria desses equipamentos. Na década de 1990, havia cerca de 100 CAPS no Brasil inteiro. Em 2015, esse número chegou a 3 mil, mas a partir daí não houve expansão nenhuma da rede”, explica o psiquiatra. “Todo o ganho de 20 anos dessa política de estado, que era frequentemente citada pela OMS como exemplo de política pública em saúde mental, foi descontinuado”, lamenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Priscila deu entrada no pronto-socorro em 24 de setembro de 2020, após uma tentativa de suicídio. “Não tive nenhum tipo de acolhimento e tampouco suporte para tratamento psicológico. Desde então, nunca me contataram”, relata. “Consegui arcar com o custo do tratamento particular com a ajuda da família e retomei o controle da minha vida. Mas sei que, se dependesse do SUS, a história talvez fosse diferente”, revela</p>



<h5 class="wp-block-heading">Fatores de risco exigem cuidado multidisciplinar</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas indicam que pessoas com doenças crônicas têm&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-mental/doenca-cronica-risco-suicidio/">maior risco</a>&nbsp;de suicídio. “Quando o comportamento suicida envolve vários fatores, não dá para simplesmente prescrever medicamentos. Às vezes, é preciso fazer um controle mais adequado da doença crônica”, explica Vianna. Em outras situações, a família não aceita a enfermidade, o que abala a saúde mental do paciente. Há ainda casos em que a doença dificulta a sustentabilidade financeira, um fator importantíssimo para o bem-estar. “Aí a rede de assistência social precisa ser acionada”, complementa o especialista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o psiquiatra, essas situações reforçam a necessidade de articular o cuidado a partir da atenção básica, pensando não apenas na pessoa acometida pela depressão mas em toda a rede de convívio que a cerca. “Saúde é investimento social. O primeiro passo é recompor o orçamento do Ministério da Saúde”, argumenta.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">Serviço online é opção em locais com estrutura</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O acompanhamento psicológico através de consultas pela internet pode ser uma alternativa. “Os municípios com maior capacidade organizativa já montaram serviços de atendimento online no campo da saúde mental”, afirma Vianna. Em Curitiba (PR), por exemplo, a maior parte dos atendimentos do ambulatório de psicologia é virtual. “Só que os municípios fizeram isso por conta própria, não houve nenhuma política federal de fomento a esse tipo de ação”, destaca o médico.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph">O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma gratuita. É possível acessar o&nbsp;<a href="https://www.cvv.org.br/chat/">chat</a>&nbsp;ou, então, discar&nbsp;<strong>188</strong>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Canabidiol: O que a autonomia médica tem a ver com isso</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/canabidiol-o-que-a-autonomia-medica-tem-a-ver-com-isso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 16:28:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1235</guid>

					<description><![CDATA[Decisão do CFM de restringir uso de canabidiol – e a suspensão da medida dias depois –, retomou o debate sobre o que é autonomia médica e o seu impacto na vida de pacientes com doenças de difícil tratamento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;<a href="https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2022/2324">resolução</a>&nbsp;do Conselho Federal de Medicina (CFM) que restringia a prescrição do canabidiol (CBD) foi suspensa na segunda-feira, 24 de outubro, dez&nbsp;dias depois da sua publicação e após intensas críticas de certas entidades médicas e de especialistas do direito. O texto proibia que os profissionais receitassem quaisquer outros derivados de cannabis além do CBD – esse, por sua vez, só estaria autorizado contra dois tipos de epilepsia. As críticas vieram, principalmente, pelo fato de a normativa ignorar o argumento da autonomia médica, elencado no&nbsp;<a href="https://portal.cfm.org.br/images/stories/biblioteca/codigo%20de%20etica%20medica.pdf">código</a>&nbsp;de ética do CFM e usado por ele próprio para&nbsp;<a href="https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-condiciona-uso-de-cloroquina-e-hidroxicloroquina-a-criterio-medico-e-consentimento-do-paciente/">defender a prescrição de cloroquina</a>&nbsp;no tratamento da covid-19. O debate gerado em torno da restrição trouxe à tona o que significa, afinal, o conceito de autonomia médica e como ela impacta no tratamento de pacientes, especialmente os com doenças raras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Foi um contrassenso. Como defenderam a autonomia na prescrição da cloroquina, e agora não, sendo que temos muita indicação da segurança dos canabinoides?”, questiona o psiquiatra Wilson Lessa, que atua como voluntário na Apepi, associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de cannabis medicinal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o médico, a resolução do CFM restringiu também a autonomia dos pacientes. “Hoje, nosso conhecimento não é mais vertical. Estamos dividindo conhecimento com os pacientes. Quando se fala de autonomia médica, se fala de uma conversa honesta com o paciente”, alega.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o psiquiatra, essa autonomia significa decidir junto com o paciente entre os tratamentos já consolidados ou mesmo&nbsp;<em>off-label</em>, desde que&nbsp;com segurança e algum grau de evidência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coalizão jurídica Advocacia da Medicina publicou uma carta, assinada por 138 advogados, manifestando apoio a médicos que prescrevem derivados de cannabis e a familiares de pacientes que utilizam esses medicamentos. Os advogados consideraram que a resolução do CFM afrontou princípios constitucionais, como o direito à vida e à integridade física e psíquica. Além disso, ia de encontro à liberdade de expressão, porque&nbsp; também proibia os médicos de ministrarem cursos e palestras fora do ambiente científico – que é restrito, conforme o próprio CFM, aos congressos organizados por sociedades vinculadas à Associação Médica Brasileira (AMB).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Havendo reconhecida eficácia clínica do uso medicinal de CBD e outros derivados da cannabis no tratamento de algumas doenças, a regra de limitação de seu uso pelo CFM afronta o direito de acesso à saúde, estabelecido pelo artigo 6º da Constituição Federal”, afirma Rogério Garcia, advogado que integra a coalizão Advocacia da Medicina. Cabe destacar que esse grupo é formado por advogados com o propósito de debater os temas jurídicos relacionados à cannabis medicinal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O código de ética médica esclarece que é vedado aos profissionais deixar de cumprir, “salvo por motivo justo”, as normas emanadas dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina. “O trecho ‘<em>salvo por motivo justo</em>’ é o âmago da medicina compassiva”, afirma Lessa, referindo-se à prática médica de prescrever remédios ainda não autorizados por órgãos sanitários – no caso do Brasil, a Anvisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso compassivo do CBD havia sido autorizado pelo CFM em 2014 – desde então, a Anvisa já soma&nbsp;<a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-aprova-mais-tres-produtos-de-cannabis-para-uso-medicinal">18&nbsp; produtos</a>&nbsp;da cannabis autorizados no Brasil.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Consulta pública de Canabidiol</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em 20 de outubro, menos de uma semana após publicar a polêmica resolução, o CFM comunicou a&nbsp;<a href="https://portal.cfm.org.br/noticias/consulta-canabidiol/">reabertura da consulta pública</a>&nbsp;para atualizar a normativa sobre o canabidiol, que ainda está aberta. Serão aceitas contribuições, através de uma plataforma eletrônica, até o dia 23 de dezembro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O psiquiatra Wilson Lessa não vê motivos para comemorar: a consulta pública anterior à resolução aconteceu em julho deste ano e, segundo o médico, as contribuições de profissionais experientes não foram levadas em conta. Em 2014, havia sido publicada a última resolução do CFM sobre o canabidiol, bem menos restritiva que a de 2022.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lessa enxerga a suspensão da normativa como uma jogada do CFM para evitar o desgaste de capital político do órgão. “A pressão da sociedade civil e de algumas entidades médicas foi grande”, argumenta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado Rogério Garcia acredita que o CFM tenha sido surpreendido pela rápida atuação de diversas organizações, dentro e fora da área médica, que entenderam a resolução como um retrocesso. “O episódio tem um viés mais político do que científico, e foi utilizado em um momento peculiar de nossa história, em meio a uma eleição na qual uma pauta anticientífica tem sido utilizada”, pondera. Garcia enxerga uma demonização das drogas ilícitas, não apenas no Brasil, que favorece a tendência de identificar qualquer uso da cannabis como nocivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, os canabinoides são receitados de forma&nbsp;<em>off-label</em>&nbsp;para enfermidades contra as quais ainda não foram aprovados. “Para prescrever de forma segura, o médico deve se basear em evidências científicas de estudos clínicos sérios”, afirma Nadja Scröder, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que investiga os efeitos do canabidiol.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisadora aponta que estudos clínicos comprovam a eficácia do CBD para doenças além dos dois tipos de epilepsia às quais o CFM tentou restringir o tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="https://nap.nationalacademies.org/read/24625/chapter/1#v">relatório de 2017</a>&nbsp;da Academia Nacional de Ciências, nos Estados Unidos, elenca evidências de que a cannabis medicinal ajuda a tratar, por exemplo, efeitos colaterais da quimioterapia e o aumento involuntário da contração muscular em pacientes com&nbsp;<a href="https://amigosmultiplos.org.br/noticia/5-mitos-sobre-uso-da-cannabis-para-tratar-a-esclerose-multipla/">esclerose múltipla</a>. O canabidiol também amenizaria efeitos comportamentais de demências&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/neurologicos/canabidiol-contra-alzheimer/">como o Alzheimer</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um adendo: essa é a principal diferença entre o canabidiol e a prescrição de cloroquina especificamente para covid-19. Enquanto teríamos evidências sérias de benefícios desse composto da cannabis em certas enfermidades, já se sabe que a cloroquina não ajuda no combate ao coronavírus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lessa cita Israel e os Estados Unidos como exemplos de países que criaram órgãos dedicados à pesquisa e à regulamentação dos compostos da maconha como remédio. O Ministério da Saúde de Israel criou, em 2011, uma agência de cannabis medicinal – Israel é um dos países onde a pesquisa mais avançou devido ao protagonismo de Raphael Mechoulam, considerado o pai da cannabis medicinal. Segundo Lessa, o órgão elaborou uma cartilha sobre os tratamentos e aplica uma prova em médicos que pretendem receitar canabinoides.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Talvez uma prova seja uma solução importante para podermos pensar na construção dessa nova resolução aqui no Brasil”, opina. “Como ainda não se fala de canabinoides nas faculdades de medicina, deveria haver uma forma de o médico demonstrar conhecimento sobre o assunto”, arremata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pouco tempo em que vigorou, a resolução do CFM trouxe repercussões. “Alguns médicos abandonaram o tratamento”, afirma Lessa. Juízes também deixaram de lado ações de pessoas em busca de acesso a esses fármacos e planos de saúde se viram autorizados a deixar de pagar por tratamentos com CBD.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a suspensão da normativa, segundo o psiquiatra, deve ocorrer a revisão desses processos. “O Poder Judiciário tem reconhecido cada vez mais que concretizar o direito de acesso à saúde é uma obrigação do Estado”, afirma Garcia. “Em um número crescente de casos, se reconhece a aplicação de tratamentos&nbsp;<em>off-label</em>, desde que sua necessidade esteja devidamente fundamentada pelos profissionais da medicina”, completa.</p>



<h4 class="wp-block-heading">COMPARTILHE!!!</h4>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gordofobia: discriminação começa na falta de equipamentos para atender pessoas gordas</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/gordofobia-discriminacao-comeca-na-falta-de-equipamentos-para-atender-pessoas-gordas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 14:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1401</guid>

					<description><![CDATA[Caso do jovem que morreu em São Paulo após ter o atendimento negado por falta de macas levanta debate sobre acessibilidade e preconceito pessoas gordas nos serviços de saúde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No início de janeiro, o episódio dramático de um jovem de 25 anos que morreu na porta de um hospital em São Paulo&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/06/jovem-de-25-anos-morre-na-porta-de-hospital-estadual-de-sp-apos-ter-atendimento-negado-por-falta-de-maca-para-pessoas-obesas.ghtml">sem ser atendido</a>&nbsp;ganhou as manchetes. Vitor Augusto Marcos de Oliveira teve insuficiência respiratória e passou 32 horas esperando atendimento, negado sob a justificativa da falta de macas adequadas para ele. Ele pesava 190 quilos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de equipamentos para atender pessoas gordas pode ser considerada gordofobia, uma forma de discriminação. “Toda vez que uma pessoa gorda perde o direito básico à saúde, a usar o transporte público, a sentar em uma cadeira confortável na sala de espera – tudo isso mostra que existe um estigma. Essas pessoas são desumanizadas”, explica a filósofa Malu Jimenez, doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e uma das precursoras na pesquisa e no ativismo anti-gordofobia no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pioneiros em cirurgia bariátrica no Brasil, o médico Luiz Vicente Berti, vice-presidente executivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), conhece as dificuldades enfrentadas cotidianamente por pessoas gordas que buscam atendimento – em busca da operação ou não. Há cerca de 35 anos, quando começou a realizar as cirurgias, logo viu que não bastava se preparar enquanto profissional. “Precisava muito mais. A começar pelos instrumentos”, relata. A maioria dos respiradores, por exemplo, consegue realizar a força do pulmão de pessoas que não possuem obesidade. “O mundo é feito para adultos de até 1,80m e 100 quilos”, resume Berti.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também faltam batas para as pessoas gordas que passam por cirurgias e manguitos – aquela faixa que faz parte do instrumento que mede a pressão, e que o profissional passa ao redor do braço. “Isso é muito violento”, lamenta Jimenez.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE com dados de 2020, 60,3% dos adultos apresentam excesso de peso – o que representa 96 milhões de brasileiros. Entre eles, muitos ainda se adequam aos instrumentos disponíveis, porém parte significativa sofre com a falta de estrutura.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Atendimento especial</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, a SBCBM criou um&nbsp;<a href="https://www.sbcbm.org.br/morte-de-paciente-reafirma-necessidade-da-adequacao-dos-hospitais-para-atendimento-obesos-no-pais/">programa</a>&nbsp;que certifica profissionais e hospitais para elevar a qualidade do atendimento a pacientes gordos, não só na hora da cirurgia bariátrica, mas em qualquer serviço de saúde. São quase 500 itens no&nbsp;<em>checklist&nbsp;</em>para os hospitais, que vão do tipo de vaso sanitário à sonda para respiração, que precisa ser de um tamanho maior. “Em hospitais com essa acreditação, os índices de complicações são infinitamente menores”, pontua o médico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apenas nove hospitais brasileiros já estão acreditados pela SBCBM, e outros 80 encontram-se em processo de certificação. O programa foi oferecido pela entidade ao Ministério da Saúde no final de 2022. A proposta era avaliar hospitais no Brasil inteiro, sem custo – por enquanto, isso não avançou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da morte de Vitor, o Ministério Público de São Paulo quer&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/09/mp-instaura-inquerito-contra-secretarias-da-saude-de-sp-por-morte-de-jovem-obeso-que-foi-rejeitado-por-6-hospitais.ghtml">investigar</a>&nbsp;a quantidade de macas especiais disponíveis nos hospitais públicos do estado e saber qual é o procedimento padrão no atendimento às pessoas gordas. “Não é só a maca”, pontua Maria Edna de Melo, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a médica, o atendimento diferenciado deveria começar no setor de referenciamento, que encaminha o paciente ao hospital. Pacientes gordos precisam ir direto para locais com capacidade para recebê-los – hoje em dia, normalmente são os hospitais de alta complexidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vitor foi inserido no sistema da prefeitura para localizar um hospital que o atendesse. A unidade mais próxima de onde estava era o Hospital Geral de Taipas, que estava superlotado. Diante da negativa, outros centros foram consultados, até que o Hospital Vila Nova Cachoeirinha informou que haveria uma vaga para o paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegando lá, no entanto, a equipe alegou que Vitor não poderia ser atendido devido à complexidade do caso dele. “Esses pacientes apresentam um grau de dificuldade maior no atendimento. É mais difícil fazer exames complementares para fechar diagnóstico, realizar intervenções por acesso venoso e até executar uma reanimação numa parada cardiorrespiratória”, explica Melo. A Secretaria da Saúde abriu uma&nbsp;<a href="https://www.metropoles.com/sao-paulo/secretaria-apura-possivel-equivoco-de-medica-na-morte-de-jovem-obeso">sindicância</a>&nbsp;para apurar por que o hospital informou que havia vaga enquanto não dispunha de equipamentos necessários para atender Vitor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jovem acabou sendo novamente encaminhado para o Hospital Geral de Taipas, onde aguardou por quatro horas dentro da ambulância e morreu antes de conseguir uma vaga na unidade. “Meu filho foi negligenciado”, disse Andreia Marcos da Silva, mãe de Vitor, em&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/09/mp-instaura-inquerito-contra-secretarias-da-saude-de-sp-por-morte-de-jovem-obeso-que-foi-rejeitado-por-6-hospitais.ghtml">entrevista ao G1</a>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Gordofobia médica</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os empecilhos para pessoas gordas vão além de macas e roupas cirúrgicas inadequadas. Uma&nbsp;<a href="https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/06/ebook_gordofobia-1.pdf">pesquisa</a>&nbsp;conduzida pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) em conjunto com a SBEM ouviu 3 621 participantes, dos quais 85,3% relataram ter sofrido algum tipo de constrangimento por causa do peso. O dado mais alarmante é que 60,4% dos casos de gordofobia acontecem em consulta médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jimenez, o estigma existe na própria formação dos profissionais de saúde. “Toda vez que uma pessoa gorda entra num consultório, antes mesmo dos exames, já é feito o diagnóstico do que está gerando a queixa reportada”, afirma a pesquisadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Além da estigmatização, os profissionais acabam negligenciando o atendimento”, aponta Melo. Alguns médicos deixam de fazer uma orientação adequada por acharem que o paciente, por ser gordo, não vai seguir à risca. Com a perda de peso apontada como a única solução para os problemas do paciente, também é comum que exames complementares sejam deixados de lado. “Estudos mostram que o rastreio do câncer é realizado com menor frequência nesses pacientes. E são pessoas com risco aumentado para determinados tumores”, afirma a médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma&nbsp;<a href="https://www.karger.com/Article/FullText/503751#:~:text=Conclusion%3A%20Results%20suggest%20that%20negative,the%20Canadian%20public%20healthcare%20system">pesquisa</a>&nbsp;de 2019, realizada no Canadá, avaliou a gordofobia entre médicos da família no país. Entre os profissionais ouvidos, 18% afirmaram se sentir enojados ao atender pacientes gordos, e 33,3% indicaram se sentir frustrados com pacientes com obesidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro&nbsp;<a href="https://www.jandonline.org/article/S2212-2672(22)00007-7/fulltext">estudo</a>, publicado pela Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, revela que metade dos profissionais da saúde atribui o sobrepeso e a obesidade à falta de força de vontade. Isso reforça estereótipos negativos e, ao invés de incentivar hábitos saudáveis, faz com que pessoas gordas deixem de procurar atendimento médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gordofobia também impacta na saúde mental, gerando ansiedade e casos de depressão em pessoas gordas. “Isso perpetua e agrava a obesidade, já que a ingestão calórica tende a aumentar em situações de estresse”, explica Melo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Jimenez, é urgente que o debate sobre a gordofobia faça parte da formação de médicos e outros profissionais da saúde. “Para que essas violências parem de se repetir, é importante entender que as pessoas gordas precisam ter os seus direitos garantidos e que não são culpadas por serem gordas”, resume.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a médica Maria Edna de Melo, só educação não basta. “É preciso uma legislação que puna a gordofobia não só no consultório, mas em qualquer ambiente. As pessoas devem ser encorajadas a denunciar esses casos”, afirma. Um&nbsp;<a href="https://www.deeplegal.com.br/blog/gordofobia-42-dos-casos-que-vao-parar-na-justica-sao-julgados-parcialmente-ou-totalmente-procedentes-em-1o-grau">estudo</a>&nbsp;de 2022 relata que o volume de processos envolvendo gordofobia vem aumentando no Brasil, principalmente por injúria e danos morais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2009, 756 processos envolvendo gordofobia passaram na Justiça em todo o país. Destes casos, 108 tramitaram em 2022 – contando apenas até outubro, último mês com dados contabilizados pela pesquisa.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Peso e saúde</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">“A gordofobia é difícil de detectar, porque vem sempre disfarçada de cuidado, de amor, de saúde”, afirma Jimenez. O preconceito que estigmatiza pessoas gordas parte, muitas vezes, da crença de que o sobrepeso é o único marcador de saúde. A filósofa participa de uma corrente de estudos que critica o uso do índice de massa corporal (IMC) como marcador único de corpo saudável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Abeso e a SBEM&nbsp;<a href="https://abeso.org.br/nossa-proposta-de-uma-nova-maneira-de-classificar-a-obesidade/">propuseram</a>, em abril de 2022, uma nova maneira de classificar a obesidade, que serve como ferramenta complementar ao IMC. Baseado na trajetória do indivíduo, o cálculo proposto parte do peso máximo que uma pessoa alcançou na vida — sem considerar o período de gravidez e outras situações especiais. Depois, anota-se quanto de peso o indivíduo já perdeu, sendo a partir daí calculado o percentual que essa perda representa do valor mais alto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Abeso, uma perda modesta, representada por uma porcentagem acima de 5%, já traz vantagens para a saúde, independentemente do valor do IMC final. A ideia é evitar metas muitas distantes e basear-se em si próprio, com o intuito de criar um caminho sustentável. “A gente não sabe da vida das pessoas”, pondera Melo. “O paciente pode estar hoje com 120 quilos, mas, se já chegou a pesar 160, então está muito melhor”, analisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de pesquisadores alemães,&nbsp;<a href="https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2779685?utm_source=For_The_Media&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=ftm_links&amp;utm_term=050721">publicado em 2021</a>&nbsp;no periódico da Associação Médica Americana, analisou dados de 386 mil indivíduos. A partir daí, ele propõe uma definição de “obesidade metabolicamente saudável”. Não há consenso sobre essa abordagem: ela parte do princípio de que há indivíduos que, mesmo com índices condizentes com a obesidade, não apresentam alterações em exames que indicariam ameaças à saúde (como glicemia ou triglicérides elevados).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Melo, no entanto, ressalta a importância de não “romantizar” a obesidade: o alto peso representa um&nbsp;<a href="https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-obesidade-2/">fator de risco</a>&nbsp;para problemas como hipertensão e doenças cardiovasculares no futuro, mesmo que eles ainda não estejam se manifestando no presente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De qualquer forma, o conceito de “obesidade metabolicamente saudável” ao menos ajuda a perceber como os riscos variam entre grupos de pessoas com sobrepeso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://cdd.org.br/2023/01/20/"></a></p>
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		<title>Verão e doenças de pele: Como aproveitar essa estação sem piorar sintomas</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/verao-e-doencas-de-pele-como-aproveitar-essa-estacao-sem-piorar-sintomas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2023 18:21:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Pessoas com dermatite atópica, psoríase e outras doenças crônicas de pele também podem se divertir na praia e até na piscina. Mas é necessário adotar certos cuidados e ficar de olho no próprio corpo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Quem convive com doenças de pele crônicas, como psoríase e&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/doencas-de-pele/dermatite-atopica/">dermatite atópica (DA)</a>, não deve se privar durante as férias de verão. Pelo contrário: mudar de ambiente e colocar os pés para o alto alivia o estresse, um fator que&nbsp;<a href="https://www.sbd.org.br/estresse-tensao-ansiedade-e-falta-de-sol-podem-agravar-quadros-de-psoriase/">agrava o quadro</a>&nbsp;dessas enfermidades. Mas, para aproveitar a estação mais quente do ano sem sofrer consequências, algumas medidas são necessárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma boa notícia para começar: a&nbsp;<strong>água salgada</strong>&nbsp;do mar não é um problema para quem convive com doenças de pele crônicas, como explica a dermatologista Rosana Lazzarini, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Mas… a areia da praia pode causar irritação na pele dessa turma. A recomendação é não colocar o corpo todo em contato com a areia e se banhar para remover resquícios dela do corpo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E quem pretende se divertir na piscina? O&nbsp;<strong>cloro</strong>&nbsp;também pode piorar sintomas da dermatite atópica. Mas não é proibido dar seus mergulhos: a dica é sair da piscina, ir direto para a ducha e depois hidratar a pele. Se a coceira começar já debaixo d’água, melhor sair da piscina e antecipar esse procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário do que muitos imaginam, o sol pode até ser benéfico – entre outras coisas, ele ajuda a melhorar sintomas da psoríase. Tanto é assim que um dos tratamentos para a doença é a&nbsp;<a href="https://saude.novartis.com.br/psoriase/o-que-e-fototerapia/">fototerapia</a>, em que as áreas afetadas são expostas à luz ultravioleta para interromper a produção exagerada de células da pele. O método reduz a inflamação e a coceira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, não vale exagerar: a regra de evitar a exposição entre às 10h e às 16h, período em que há maior incidência de&nbsp;<a href="https://www.extremeuv.com.br/raios-uva-e-uvb-diferenca-entre-eles">raios UVB</a>&nbsp;na atmosfera, é especialmente válida para indivíduos com doenças crônicas de pele. “É preciso tomar sol de maneira controlada, sem se queimar, para não induzir novas lesões”, ressalta Lazzarini.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E atenção: em pessoas com dermatite atópica, o calor e o suor tendem a piorar os&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/doencas-de-pele/dermatite-atopica/">eczemas</a>&nbsp;característicos da doença. Sombra e refresco são bastante importantes.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">O protetor solar</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Lazzarini começa o assunto reforçando a importância de escolher um filtro solar de qualidade. “Alguns protetores têm fragrâncias ou conservantes que podem causar alergia em qualquer pessoa”, afirma. Em quem tem DA ou psoríase, essa alergia se somaria às lesões da doença para causar ainda mais desconforto – e confusão quanto aos motivos reais dele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto mais clara a pele, maior precisa ser o fator de proteção do filtro solar. “E o produto não é uma armadura”, pontua a médica. Não adianta usar filtro de FPS 90 e ficar torrando no sol do meio-dia. As peles de tom mais escuro estão mais protegidas dos danos causados pela luz solar, como queimaduras. Mas o impacto do sol na psoríase e na dermatite independe do tom de pele – o cuidado, portanto, vale para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliás, embora o&nbsp;<strong>protetor solar</strong>&nbsp;seja um aliado em boa parte dos casos, não é recomendado passá-lo em cima das lesões causadas pela DA quando elas estiverem em atividade. O melhor é abusar das barreiras físicas: roupas especiais com fator de proteção UV e guarda-sóis estão entre elas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infelizmente, algumas doenças pioram muito com a exposição ao sol. É o caso do lúpus eritematoso sistêmico, uma condição autoimune que prejudica órgãos como pele, rins e articulações. A primeira crise pode surgir justamente durante o verão, em pacientes com uma tendência genética a desenvolvê-la.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O ideal para o paciente com lúpus é nem se expor ao sol. Se não tiver jeito, use o maior volume possível de proteção: roupa, óculos escuro e protetor solar”, indica a médica.</p>
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		<title>SUS em debate: O que está em jogo na 17º conferência nacional de saúde</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/sus-em-debate-o-que-esta-em-jogo-na-17o-conferencia-nacional-de-saude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2022 16:19:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[O “SUS em debate” é o evento mais relevante para conversar sobre o que o sistema público precisa para atender melhor os brasileiros. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Após enfrentar uma pandemia e duros cortes no orçamento da saúde, o Brasil terá em 2023 a 17ª Conferência Nacional de Saúde. Realizado pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) e o Ministério da Saúde a cada quatro anos, o evento de 2023 será entre os dias 2 e 5 de julho, em Brasília. As etapas municipais de discussão começaram em novembro, e&nbsp; buscam opções para melhorar o atendimento no SUS.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O que for aprovado na conferência vai ser a base para a construção do próximo Plano Nacional de Saúde (PNS). É um momento crucial para pautar demandas no planejamento da gestão dos próximos quatro anos”, afirma a psicóloga Vitória Bernardes, que representa as ONGs Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME) e Crônicos do Dia a Dia (CDD) no CNS.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">AME e CDD estão na comissão organizadora da 17ª edição. “Movimentos de pessoas que convivem com condições crônicas se organizam para defender as suas propostas”, afirma Bernardes.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>As pautas em debate</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das reflexões mais relevantes da nova edição será o enfrentamento dos problemas deixados pela pandemia. “A nova realidade é a síndrome pós-covid. Será preciso estruturar um processo de acolhimento desses pacientes, que ainda não foi desenvolvido pelo governo”, afirma.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bernardes também enfatiza a importância de pensar em uma estrutura que prepare o país para as próximas pandemias, que devem se tornar cada vez mais comuns devido às mudanças climáticas e ao avanço do desmatamento. “Vamos precisar entender o impacto da desorganização do estado brasileiro. O Plano Nacional de Imunização, por exemplo, era referência, mas foi desarticulado durante a pandemia de covid-19”, destaca a conselheira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caberá também aos participantes da conferência entender o quanto a dependência do mercado externo afetou os pacientes infectados pela covid. “Na pandemia, faltou medicamento para fazer entubação porque não havia um planejamento interno para compra, e o Brasil não está produzindo insumos. Precisamos discutir tudo o que vivenciamos”, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O represamento de cirurgias e consultas eletivas causado pelo contingenciamento de recursos para a covid é outro desafio, somado à insegurança alimentar, com a volta do Brasil ao mapa da fome.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas essas questões precisarão ser discutidas levando em conta um orçamento reduzido. A proposta de orçamento de 2023 para a saúde ficou em R$ 149,9 bilhões, o&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/economia/de-olho-no-orcamento/noticia/2022/09/24/verbas-para-a-saude-em-2023-encolhem-e-perdem-transparencia-com-emendas-do-orcamento-secreto-dizem-especialistas.ghtml">menor valor desde 2019</a>. O programa Farmácia Popular, por exemplo, teve um corte de 50%.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>CNS deu origem ao SUS</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira conferência aconteceu em 1941, antes mesmo da criação do Ministério da Saúde, mas não reunia a sociedade civil. Foi somente a partir da 8ª edição, em 1986, que as reuniões passaram a ser abertas à participação popular. Foi nesse encontro histórico que se introduziu a discussão sobre a inclusão, dois anos mais tarde, da saúde como um direito constitucional. “A criação do SUS, na Constituição de 1988, já previa que o sistema iria depender da participação social”, conta Bernardes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A última Conferência Nacional de Saúde, em 2019, reuniu 5 mil pessoas de todo o país, com o número de representantes proporcional à população de cada estado. Uma das&nbsp;<a href="https://editora.redeunida.org.br/wp-content/uploads/2022/04/Livro-16a-Conferencia-Nacional-de-Saude-Relatorio-Final.pdf">propostas</a>, por exemplo, foi o fortalecimento do sistema de saúde indígena. O&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_nacional_saude_2020_2023.pdf">PNS 2020-2023</a>&nbsp;estabeleceu metas concretas, como alcançar 50% das gestantes indígenas com, no mínimo, seis consultas de pré-natal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente a participação nas conferências funciona como um funil: na esfera dos municípios, o espaço é livre para quem quiser pautar demandas: basta procurar o Conselho Municipal de Saúde da sua cidade. Das reuniões municipais, saem pautas para as conferências estaduais, com vagas limitadas: delegados são eleitos para representar as demandas que não puderam ser incorporadas ao nível municipal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois dessa etapa, as propostas e seus representantes se afunilam mais ainda para a tão aguardada Conferência Nacional de Saúde, de onde sairá um relatório final com as demandas a serem incorporadas ao SUS no plano de gestão executado pelo governo federal. Esse plano é válido por quatro anos, até a próxima conferência, abrangendo o primeiro ano do governo subsequente para haver uma transição mais suave de uma gestão à outra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste ano, foi a primeira vez que o Conselho abriu a possibilidade de as chamadas&nbsp;<a href="http://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/2672-17-cns-conferencias-livres-preparatorias-ja-podem-ser-realizadas-em-todo-o-brasil">conferências livres</a>&nbsp;elegerem delegados e terem propostas incorporadas no relatório final da etapa nacional. Essas conferências são promovidas pela sociedade civil e podem acontecer no formato presencial, online ou híbrido, da esfera municipal à nacional. As reuniões não precisam seguir formalidades como um número mínimo de participantes, representatividade por segmentos ou eleição de delegação para a etapa principal.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>O papel das ONGS</strong><br>A participação das organizações não-governamentais no Conselho Nacional de Saúde depende da abrangência da sua atuação. “É preciso que essas organizações sigam critérios, como atuar em pelo menos nove estados de três regiões distintas”, explica Bernardes.&nbsp;</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o Conselho é composto por entidades, as conferências de saúde contam com a participação de representantes da população brasileira, eleitos nas etapas municipal e estadual. Metade dos delegados são usuários do SUS, 25% trabalhadores da saúde pública e 25% gestores das prestadoras de serviço para o SUS. Gênero, raça, sexualidade e deficiência são usados como fatores para um eventual desempate. Todos os membros do CNS são delegados nas conferências nacionais. Bernardes, por exemplo, representa a AME e a CDD no Conselho, mas participa como pessoa física nas conferências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem tiver interesse em participar e saber mais sobre o maior encontro deliberativo da saúde brasileira pode entrar em contato com Vitória Bernardes pelo e-mail&nbsp;<a href="mailto:vitoria@amigosmultiplos.org.br">vitoria@amigosmultiplos.org.br</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">–</p>



<h5 class="wp-block-heading">VEJA MAIS NO SITE DA CDD:</h5>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-publica/quando-voce-usa-o-sus/">Quando você usa o SUS? Descubra quais serviços são oferecidos no Brasil</a></li>



<li><a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-publica/limiar-de-custo-efetividade/">Limiar de custo-efetividade: proposta da Conitec acende debate sobre valores máximos para tratamentos no SUS</a></li>



<li><a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-publica/entrevista-presidente-febrararas/">“Não são as novas terapias que vão quebrar o SUS, é a má gestão”, diz presidente da Febrararas</a></li>
</ul>
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		<title>Nova subvariante da ômicron exige retomada de cuidados com Covid-19</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/nova-subvariante-da-omicron-exige-retomada-de-cuidados-com-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 15:35:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1794</guid>

					<description><![CDATA[A chamada subvariante BQ.1 da Covid-19 está ligada a um aumento de casos que preocupa autoridades, principalmente considerando os não vacinados O número de casos de Covid-19 no Brasil cresceu 134% entre 30 de outubro e 12 de novembro. É o efeito da nova linhagem da variante ômicron, a BQ.1. Os sintomas não são diferentes [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>A chamada subvariante BQ.1 da Covid-19 está ligada a um aumento de casos que preocupa autoridades, principalmente considerando os não vacinados</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O número de casos de Covid-19 no Brasil <a href="https://www.conass.org.br/painelconasscovid19/">cresceu 134%</a> entre 30 de outubro e 12 de novembro. É o efeito da nova linhagem da variante ômicron, a BQ.1. Os sintomas não são diferentes dos já conhecidos (dor de garganta, perda de paladar ou olfato e febre) e a maior parte dos casos é leve, mas especialistas pedem a retomada de certos cuidados, especialmente para idosos, indivíduos com doenças crônicas e imunossuprimidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu uma nota técnica em 11 de novembro recomendando medidas urgentes: incrementar as taxas de vacinação (principalmente das doses de reforço), adotar o uso de máscaras e evitar aglomerações. “Mesmo as pessoas não vulneráveis devem ter o cuidado de não se infectar para não transmitir ao grupo de risco”, ressalta o médico Hélio Bacha, consultor técnico da SBI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas por que estão ocorrendo novas infecções? A explicação reside na janela imunológica: quem foi infectado há mais tempo está agora com a imunidade contra a Covid-19 reduzida frente às novas variantes. “Além disso, o grande número de mutações deu à BQ.1 uma capacidade de transmissão maior que as subvariantes anteriores”, esclarece Bacha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o aumento no número de casos, crescem também as internações e a pressão sobre o sistema de saúde. “Mesmo que a internação seja rara em termos proporcionais, quando o número de casos é grande, os episódios graves aumentam também”, aponta o médico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E estamos mais expostos com as aglomerações liberadas, o uso de máscaras cada vez menor e a lentidão da vacinação, que dá sinais de estagnação. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/novembro/mais-de-69-milhoes-de-brasileiros-nao-tomaram-a-primeira-dose-de-reforco-contra-a-covid-19">mais de 69 milhões</a> de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço. Já 32,8 milhões de pessoas deixaram de tomar a segunda dose de reforço.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O perigo das reinfecções</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Contrair Covid-19 pela segunda ou terceira vez nessa nova onda pode acarretar em sequelas mais graves. “Quanto mais infecções, mais chances de desenvolver sequelas inflamatórias de sistema nervoso central, nos pulmões e coração”, afirma Bacha. “Acontece o mesmo com a dengue: a resposta inflamatória da segunda infecção pode ser mais contundente e causar danos”, explica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A boa notícia é que os testes, tanto o PCR quanto o de <a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/respiratorios/teste-rapido-de-covid/">farmácia</a>, continuam funcionando e detectam a nova subvariante. E as vacinas disponíveis hoje no Brasil protegem contra as versões graves provocadas por ela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso país, no entanto, está atrasado em um quesito: o acesso à vacina bivalente, que confere uma maior proteção contra a ômicron. Desde setembro, a Anvisa está <a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/atualizacao-sobre-analise-de-vacinas-bivalentes-contra-covid-19">analisando</a> o pedido de uso emergencial do imunizante, fabricado pela Pfizer. Não há previsão de uma definição e, se a requisição for aprovada, quando as doses serão distribuídas aos estados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra preocupação é <a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/saude-publica/medicacoes-covid-19-enfrentam-problemas/">a falta de medicamentos para o tratamento da Covid-19 no SUS</a>. “Por exemplo: pessoas em condição de risco para complicação são candidatos a receber logo nos primeiros dias alguns antivirais que reduzem a possibilidade de apresentação grave em até 70%. Mas não há disponibilidade fora o remdesivir, e esse está disponível principalmente em serviços privados”, lamenta Bacha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cinco medicamentos (entre eles, o paxlovid, baracitinibe, remdesivir e a associação de tixagevimabe e cilgavimabe) já estão aprovados pela Anvisa como eficazes para prevenir o agravamento de quadros da doença. Mas não há ainda acesso a essas terapias que poupam vidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Foto: pixabay</em></p>
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		<title>O que a tireoide tem a ver com a saúde dos olhos</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/o-que-a-tireoide-tem-a-ver-com-a-saude-dos-olhos-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Nov 2022 14:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Disfunções na glândula estão associadas a certos problemas oftalmológicos, como a DOT, sigla para doença ocular da tireoide]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Doenças da tireoide</strong>&nbsp;acarretam perda ou ganho de peso, interferem na pressão sanguínea e no coração, promovem cansaço ou agitação… Poucos sabem, porém, que a visão também pode ser afetada pela pequena glândula com formato de borboleta situada na região do pescoço. A doença de Hashimoto, que culmina no hipotireoidismo, promove olho seco, ardor e vermelhidão. Já a doença de Graves, que deflagra o hipertireoidismo, está frequentemente associada à DOT. E o que seria isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">DOT é a sigla para&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/cronicos/conheca-gail-devers/"><strong>doença ocular da tireoide</strong></a>&nbsp;– também conhecida como oftalmopatia de Graves. Novembro marca o Mês da Conscientização sobre a Doença Ocular da Tireoide, e a ONG Crônicos do Dia a Dia (CDD) participa dessa empreitada por meio da campanha&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/oolhardiztudo/">#OOlharDizTudo</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DOT afeta mais mulheres do que homens. Cerca de 1% da população convive com a condição. E um ponto importante: apesar do nome, essa enfermidade não é causada por distúrbios na tireoide em si. A DOT na verdade é uma doença na qual anticorpos do próprio sistema imune do paciente atacam os músculos e a gordura por trás dos olhos. Ocorre que esses mesmos anticorpos também miram a tireoide e deflagram males nela – daí a relação com o hipertireoidismo e, em menor escala, até com o hipotireoidismo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 60% dos indivíduos com DOT também possuem a doença de Graves. E aproximadamente 6% das pessoas com essa condição oftalmológica sofrem com a doença de Hashimoto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Normalmente, a DOT é detectada antes ou junto ao diagnóstico da doença de Graves. São doenças diferentes que requerem tratamentos distintos, mas, se o paciente tiver as duas, o oftalmologista e o endocrinologista devem trabalhar juntos e manter contato regular.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Como a DOT se manifesta</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O ataque do sistema imunológico faz com que o tecido atrás dos olhos inche, levando-os a ficarem arregalados. Outros sintomas são sensibilidade à luz, lacrimejamento excessivo, visão dupla, dor e vermelhidão nos olhos. “Também ocorre a retração palpebral. Com isso, há maior exposição ocular”, afirma a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, da&nbsp;<a href="https://www.unicamp.br/unicamp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DOT é progressiva e crônica. Os fatores de risco incluem idade, genética, tabagismo e, como dissemos, as próprias doenças da tireoide. Outro ponto para ficar atento é a terapia com iodo radioativo, usado em tratamentos contra o câncer. Esse recurso, embora importante contra tumores, pode desencadear o problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DOT é mais frequente em mulheres, porém tende a se manifestar de forma mais grave principalmente em homens idosos. Na primeira fase da doença, que dura de seis meses a dois anos e é chamada de aguda ou ativa, os sintomas aparecem de repente e pioram com relativa velocidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nessa etapa que às vezes surge a neuropatia óptica distireoidiana – a complicação mais grave da DOT, que danifica o nervo ótico. Ela acomete&nbsp;<a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5149/tde-06122012-160319/publico/AllanChristianPieroniGoncalves.pdf">cerca de 4% a 8%</a>&nbsp;dos pacientes com a doença e, se não tratada, leva à cegueira, sendo irreversível em até 30% dos casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois da fase aguda vem a crônica, em que a DOT permanece inativa por um tempo. Isso, porém, não significa que ela tenha desaparecido; com o avançar dos anos, os sintomas voltam e alguns, como visão dupla e olhos arregalados, podem permanecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A boa notícia é que a doença pode ser bem manejada, principalmente se diagnosticada cedo. Os tratamentos incluem principalmente colírio ou gel lubrificante (para evitar que os olhos fiquem secos por causa da retração da pálpebra), corticoides e radioterapia. Na radioterapia, são aplicados feixes de energia na área atrás do olho para proporcionar alívio dos sintomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ideal é que a doença seja gerenciada não apenas por um oftalmologista, mas também por um endocrinologista especializado no tratamento. “Casos muito graves têm indicação de descompressão orbitária, ou seja, redução do volume da órbita ocular”, afirma a oftalmologista. “Ela pode ser feita pela remoção de gordura ou aumentando o volume orbital pela fratura da parede óssea. As duas técnicas são geralmente associadas”, explica. Sim, estamos falando de cirurgias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira medicação para tratar especificamente a DOT foi&nbsp;<a href="https://www.fda.gov/news-events/press-announcements/fda-approves-first-treatment-thyroid-eye-disease">aprovada</a>&nbsp;pela FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, em 2020. Espera-se que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faça o mesmo em breve.</p>
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		<title>A relação entre DPOC e Insuficiência Cardíaca</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/a-relacao-entre-dpoc-e-insuficiencia-cardiaca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2022 20:44:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1447</guid>

					<description><![CDATA[DPOC e Insuficiência Cardíaca podem ocorrer simultaneamente – e agravar os sintomas da outra. Saiba com o que ficar atento para controlar a falta de ar e reduzir o risco de consequências sérias, como infarto. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As condições respiratórias estão entre as dez maiores causas de morte no mundo. Uma delas&nbsp;<a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/chronic-obstructive-pulmonary-disease-(copd)#:~:text=Key%20facts,%2Dincome%20countries%20(LMIC).">ocupa o terceiro lugar</a>: é a doença pulmonar obstrutiva crônica, ou&nbsp;<strong>DPOC</strong>. Ela aparece quando o enfisema pulmonar (um quadro degenerativo que se desenvolve após a agressão prolongada aos tecidos pulmonares) e a bronquite crônica coexistem no mesmo pulmão, obstruindo as vias aéreas e tornando a respiração difícil. Infelizmente, a DPOC é especialmente perigosa se o paciente tiver doenças cardiovasculares associadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DPOC e a&nbsp;<strong>insuficiência cardíaca</strong>, por exemplo, podem acontecer ao mesmo tempo, sem estarem necessariamente relacionadas. Nesse caso, a dificuldade respiratória ocorre simultaneamente à redução de bombeamento de sangue que caracteriza a insuficiência cardíaca.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema é que uma situação agrava a outra. Enquanto esse problema no coração intensifica os sintomas respiratórios, “a DPOC pode piorar a insuficiência cardíaca por causa da hiperinsuflação pulmonar”, afirma a pneumologista Rosemeri Maurici, da Comissão de DPOC da&nbsp;<a href="https://sbpt.org.br/portal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT)</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hiperinsuflação pulmonar ocorre quando o paciente tem dificuldade para expirar o ar para fora do corpo. “O ar se acumula no pulmão, o que causa aumento dos volumes pulmonares. Isso acaba comprimindo o coração e dificultando ainda mais a função cardíaca, já comprometida pela insuficiência”, explica a médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DPOC, por sua vez, deflagra uma queda do nível de oxigênio no sangue, o que prejudica o trabalho correto do coração. Essa redução da oxigenação sanguínea é um dos fatores que sobrecarrega o músculo cardíaco e torna infartos mais comuns em pacientes com DPOC.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E há uma curiosidade aqui: o lado do coração acometido pela insuficiência cardíaca guarda relação com a DPOC. Quando o problema atinge o lado direito do músculo cardíaco, não raro é uma consequência do problema pulmonar. Já quando surge na esquerda ou mesmo de forma global, não.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A insuficiência cardíaca não leva à DPOC, mas a DPOC pode levar à insuficiência cardíaca”, resume a pneumologista.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading">Como diferenciar os sintomas de DPOC e Insuficiência Cardíaca</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto a insuficiência cardíaca quanto a DPOC dificultam a respiração. Por esse motivo, a dispneia (falta de ar) é um sintoma em comum. “Às vezes, é difícil distinguir esses quadros só com a anamnese e os exame físico”, reconhece Maurici. “São necessários exames complementares, que avaliem tanto a parte respiratória quanto cardiovascular”, arremata.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma falta de ar progressiva, que no começo aparece só depois de grandes esforços físicos, mas que, com o tempo, surge a qualquer movimentação mais leve, é o sinal mais evidente da DPOC. O quadro também vem acompanhado de tosse e expectoração e possui momentos de exacerbação – ou crises –, em que os sintomas se agravam rapidamente e exigem cuidados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiência cardíaca também leva a uma falta de ar que ocorre em crises, mas não é necessariamente progressiva – ela pode começar gerando dispneia em esforços mínimos. O problema cardiovascular ainda provoca inchaço de membros inferiores, como pernas e pés.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico da DPOC é feito por espirometria, uma prova de função pulmonar. “O paciente fica sentado e realiza algumas manobras de soprar dentro de um aparelho que mede as capacidades pulmonares”, detalha a médica. O método inclusive determina a gravidade da situação.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading">Tratamento</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Indivíduos com DPOC e insuficiência cardíaca correm maior risco de morte – o que denota a importância do tratamento. E os remédios para DPOC frequentemente podem ser usados também em quem manifesta a doença cardiovascular.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As duas condições devem ser tratadas simultaneamente para que uma não piore a outra”, esclarece Maurici. “Quanto antes é iniciado o tratamento, o controle da pressão arterial e o abandono do tabagismo, menor é a repercussão no pulmão e no coração”, complementa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da medicação, existe a terapia não-farmacológica, que abrange vacinas para evitar infecções e exacerbações da doença, alimentação adequada, abandono do hábito de fumar, controle dos níveis de ansiedade e depressão e reabilitação cardiopulmonar com fisioterapia. Se houver uma queda de oxigenação intensa, deve ser usada a oxigenoterapia domiciliar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Possíveis causas</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O tabagismo é um fator de risco comum entre insuficiência cardíaca e DPOC. “O cigarro compromete a função de outros órgãos que não só o pulmão, e o coração é um deles”, corrobora Maurici.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DPOC é causada pela exposição contínua a partículas nocivas no ambiente, como as oriundas da queima do tabaco, de biomassa (fornos à lenha, por exemplo) e da poluição. O fumo passivo também está entre as causas – e já começa a exercer seu papel na infância. “As doenças pulmonares crônicas têm maior incidência em filhos de pais fumantes”, diz a pneumologista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a insuficiência cardíaca pode ser deflagrada, além do fumo, por hipertensão não tratada e índices elevados de triglicerídeos e colesterol, entre outros motivos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tanto a DPOC quanto a insuficiência cardíaca são mais comuns em idosos, mas podem surgir em adultos mais jovens”, explica Rosemeri.&nbsp;</p>
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		<title>Canabidiol contra o Alzheimer: o que diz a ciência</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/canabidiol-contra-o-alzheimer-o-que-diz-a-ciencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 20:27:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1442</guid>

					<description><![CDATA[Literatura científica atual indica que Canabidiol melhora sintomas associados à doença, mas não tem impacto na perda de memória em si – ao contrário do que algumas notícias alegaram]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A carência por opções terapêuticas para frear o Alzheimer, que&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-09/dia-mundial-do-alzheimer-alerta-para-aumento-de-casos-no-mundo">afeta cerca</a><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-09/dia-mundial-do-alzheimer-alerta-para-aumento-de-casos-no-mundo">&nbsp;de 1,2 milhão</a>&nbsp;de brasileiros, gera angústia de médicos, pacientes e familiares. A doença, marcada principalmente pela perda progressiva e irreversível da memória, é um desafio para a ciência. E esse cenário torna propícia a busca por táticas ainda não comprovadas por pesquisas científicas sérias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma delas foi assunto de matérias publicadas em diversos sites jornalísticos sobre a “reversão” de sintomas de um paciente de 78 anos tratado com canabidiol (CBD), um dos derivados da maconha. O estudo, realizado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), baseou-se em respostas de apenas um voluntário – o avô da pesquisadora Ana Carolina Ruver Martins.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A repercussão gerou a manifestação de entidades como a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), preocupada com a possível compreensão equivocada do tratamento experimental. “Relatos de caso não permitem avaliar a eficácia e segurança de nenhum tratamento. De acordo com a evidência científica atual, o uso de terapias medicamentosas à base cannabis não é aprovado como um tratamento que modifique a história natural das demências, incluindo a doença de Alzheimer”, diz a&nbsp;<a href="https://sbgg.org.br/esclarecimento-da-sbgg-sobre-o-uso-de-cannabis-medicinal-em-idosos-com-doenca-de-alzheimer/">nota da SBGG</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) também&nbsp;<a href="https://www.abneuro.org.br/2022/09/28/nota-de-esclarecimento/">emitiu uma nota</a>&nbsp;no mesmo sentido. E reforçou que os ensaios clínicos controlados com placebo são mais adequados para tirar conclusões do tipo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Derivados da cannabis podem, no futuro, tornar-se um tratamento útil contra o Alzheimer em si, mas ainda estão em testes em fases iniciais com humanos, ou em animais.&nbsp;Em 2014, um grupo de pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) testou o uso de canabidiol em roedores com Alzheimer, com resultados animadores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, os cientistas administraram uma substância para mimetizar essa demência nas cobaias. Isso gerou uma redução nos níveis da sinaptofisina, proteína indicadora da comunicação entre neurônios. Aí, deram uma versão sintética de CBD aos animais, o que fez a concentração dessa proteína voltar ao normal. “O objetivo do trabalho pré-clínico é chegar num tratamento que possa ser usado em humanos”, afirma a farmacêutica Nadja Schröder, líder do experimento. Testar o CBD em pessoas com a doença está nos planos da pesquisadora, mas não a curto prazo. “Um estudo com humanos é muito mais complexo e caro do que com animais de laboratório”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Universidade de São Paulo (USP),&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/canabinoide-pode-ser-efetivo-para-combater-fase-inicial-do-alzheimer/">um estudo publicado em 2019</a>&nbsp;deu um passo adiante e identificou um impacto positivo do CBD na memória, de novo em cobaias. “Nossos resultados mostraram uma melhora em um modelo experimental da doença de Alzheimer em ratos. Mas é cedo para comemorar o uso em humanos”, afirma a pesquisadora Andréa Torrão, coordenadora do estudo no Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.&nbsp;&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading">Benefício contra efeitos secundários</h3>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Nadja Schröder, hoje professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), existem pesquisas consolidadas que mostram uma melhora com o uso do CBD das alterações comportamentais causadas pelo Alzheimer, como ansiedade, agitação, agressividade, alteração de sono, falta de apetite e alucinações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse tipo de aplicação pode ser muito útil para aprimorar a qualidade de vida do paciente e de quem o cerca. Mas é importante ressaltar que a escolha pela terapia deve ser discutida com profissionais de saúde, para verificar todas as alternativas possíveis, e seus benefícios e riscos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Agência Canadense para Drogas e Tecnologias em Saúde fez uma&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK546328/">revisão bibliográfica</a>&nbsp;sobre o tema e confirmou que a cannabis medicinal pode ser efetiva para amenizar esses efeitos. Mas, de novo, faltam estudos com humanos que foquem no sintoma central da doença: a perda de memória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rede de pesquisadores Cochrane realizou quatro ensaios clínicos curtos num&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34532852/">estudo</a>&nbsp;que incluiu 126 participantes com demência. A pesquisa foi inconclusiva sobre os efeitos benéficos ou prejudiciais dos canabinoides nos pacientes, e afirma que eles podem ser “muito pequenos para serem clinicamente significativos”.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading">Avanços… e retrocessos</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou&nbsp;<a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-aprova-mais-tres-produtos-de-cannabis-para-uso-medicinal#:~:text=Na%20%C3%BAltima%20segunda%2Dfeira%20(9,160%2C32%20mg%2FmL.">18 produtos</a>&nbsp;à base da cannabis. Em maio deste ano, foi a vez dos primeiros dois produtos com teor de THC – o tetrahidrocanabinol, substrato da cannabis que dá o “barato” – acima de 0,2% destinados a cuidados paliativos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O canabidiol é a fração da maconha utilizada mais largamente em medicamentos. Segundo Nadja, muitos estudos combinam o CBD com outras substâncias, como o THC, o que dificulta a comparação entre o efeito das substâncias de forma isolada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na última semana, porém, uma&nbsp;<a href="https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2022/2324">portaria</a>&nbsp;do Conselho Federal de Medicina (CFM) restringiu o uso do CBD no tratamento clínico para apenas dois tipos graves de epilepsia. A decisão recebeu críticas de especialistas, que enxergam um retrocesso. De acordo com eles, há benefícios da molécula no auxílio a sintomas de outras enfermidades – dores, falta de apetite, irritabilidade e por aí vai, como já foi mencionado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CFM prevê punir médicos que prescrevam os CBD para outros tipos de patologias. Em&nbsp;<a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/10/15/cfm-publica-nova-norma-sobre-prescricao-de-canabidiol.htm">entrevista ao UOL</a>, o advogado Gabriel Dutra Pietricovsky, que atua na área de direito à saúde, disse que a resolução da entidade vai “na direção contrária da ciência mais avançada em relação aos produtos derivados da cannabis”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a CEO e fundadora da Sphera Joy e FlowerMed, Caroline Heinz, comentou&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/10/14/conselho-federal-de-medicina-muda-resolucao-que-orienta-medicos-sobre-uso-de-canabidiol-especialistas-apontam-retrocesso.ghtml">ao portal G1</a>&nbsp;que a norma é incongruente com o que o próprio Ministério da Saúde pratica. “Se não pode, como a Secretaria da Saúde, o Ministério da Saúde e o SUS compram medicamentos com canabidiol para várias patologias, inclusive autismo?”&nbsp;</p>
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