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	<title>Sílvia Lisboa, da Redação AME/CDD &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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	<title>Sílvia Lisboa, da Redação AME/CDD &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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		<title>Skin Picking: Como lidar com o hábito disfuncional de cutucar a própria pele</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Oct 2022 18:24:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Chamado também de transtorno de escoriação, a doença crônica de pele é ainda negligenciada por profissionais de saúde, que têm dificuldade de identificá-la]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Espremer espinhas, tirar cravos do rosto ou coçar os braços: hábitos comuns durante a adolescência podem se tornar patológicos. Estima-se que cerca de 2% da população mundial sofra da doença chamada de&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/doenca-de-pele/dermatilomania-quando-parar-de-cocar-torna-se-parar-de-cutucar/"><strong>transtorno de escoriação (TE)</strong></a>, dermatotilomania ou ainda pelo nome em inglês&nbsp;<strong>skin picking</strong>. Ou seja, cutucar demais a pele de modo crônico ao ponto de causar sofrimento e prejuízos sociais e profissionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2013, a TE está classificada entre as doenças relacionadas ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) pelo DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Apesar de figurar há quase uma década no DSM, ainda há poucos estudos sobre seus sintomas e tratamentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É uma condição de difícil diagnóstico, que, na maioria das vezes, passa despercebida mesmo por especialistas em saúde”, diz o psiquiatra Lucas Lovato, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ligado à&nbsp;<a href="http://www.ufrgs.br/ufrgs/inicial">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O paciente que sofre de TE se belisca ou aperta as partes mais acessíveis à mão, como ombros, peito, braços, pernas e rosto.&nbsp;Algumas condições, como a acne, favorecem o cutucar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a condição não está associada a doenças da cútis, como dermatites, eczemas ou&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/doenca-de-pele/psoriase-o-que-e-como-diagnosticar-e-quais-sao-os-tratamentos%ef%bb%bf/">psoríase</a>. Geralmente, não há problemas subjacentes, e sim uma percepção distorcida sobre imperfeições na pele que levam o indivíduo a se escoriar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lesões levam a repercussões negativas na rotina – e podem deflagrar problemas graves. Estudos descrevem casos de pacientes que precisaram de enxertos devido à profundidade dos machucados. Em um dos casos&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/483STJ4WyQhJr5St4Bdcd3B/?lang=en">descritos</a>, uma mulher de 44 anos provocou uma hemorragia grave na face por causa da TE.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessas situações críticas, as pessoas se isolam por vergonha de exibir as escoriações. O mais comum, porém, são os casos leves, em que o indivíduo se machuca por anos de modo discreto, porém crônico. Esse comportamento torna ainda mais difícil o diagnóstico.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">SAÚDE MENTAL ASSOCIADA</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Frequentemente, os pacientes apresentam outras doenças psiquiátricas associadas, como TOC ou&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/saude-mental/depressao/">depressão</a>, que devem ser reconhecidas e tratadas de modo concomitante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lucas Lovato afirma ser comum os pacientes com skin picking procurarem dermatologistas antes do especialista em saúde mental, pois acreditam que seu problema é essencialmente dermatológico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento pode ser feito com medicamentos (antidepressivos, por exemplo) e psicoterapia. A técnica mais conhecida para a TE é chamada de&nbsp;<strong>Terapia de Reversão de Hábitos (TRH)</strong>. Ela consiste em identificar os gatilhos e desenvolver estratégias para controlá-los.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a escoriação ocorre quando a pessoa está sozinha em casa, por exemplo, a sugestão é reduzir esses momentos solitários. Blusas mais apertadas que dificultam o cutucar também são indicadas: a dificuldade leva o paciente a tomar consciência do ato e buscar formas de se controlar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, novos protocolos sugerem associar a TRH às ferramentas da&nbsp;<strong>Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)</strong>,&nbsp;<strong>mindfulness (técnica de atenção plena)</strong>&nbsp;ou&nbsp;<strong>terapia dialética</strong>. Segundo Lovato, essas outras estratégias enfrentam a condição de forma mais ampla, auxiliando na identificação das emoções negativas e nas distorções cognitivas que trazem angústia e favorecem o skin picking.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transtorno costuma ocorrer de forma automática (nesse caso, os pacientes não identificam a tensão subjacente) ou focada (quanto há um sentimento negativo, tensão ou tédio identificável pelo indivíduo). De acordo com Lovato, identificar essas diferenças e especificidades dos sintomas ajuda na escolha das técnicas de psicoterapia que devem ter caráter individualizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se você se identifica com esses sintomas, busque avaliação e tratamento”, orienta Lovato. O psiquiatra faz ainda um apelo aos colegas: “Se você é profissional da saúde, lembre-se das perguntas que podem levar ao diagnóstico. Se é pesquisador, motive-se a estudar mais sobre esse assunto”.&nbsp;</p>
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