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	<title>Valentina Bressan, da Redação AME/CDD &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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	<title>Valentina Bressan, da Redação AME/CDD &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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	<item>
		<title>Como o exercício físico é um aliado na prevenção e no tratamento de demências</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/como-o-exercicio-fisico-e-um-aliado-na-prevencao-e-no-tratamento-de-demencias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 May 2023 14:09:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atividade Física]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Inatividade física é fator de risco para desenvolvimento de demências, que podem ser prevenidas com mudanças no estilo de vida&#160; O Alzheimer é responsável pela maior parte dos casos de demências no Brasil –&#160;cerca de 70%&#160;dos diagnósticos. E é possível adiar seu aparecimento ou reduzir o risco de manifestá-lo. Em um&#160;estudo publicado na revista The [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Inatividade física é fator de risco para desenvolvimento de demências, que podem ser prevenidas com mudanças no estilo de vida&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Alzheimer é responsável pela maior parte dos casos de demências no Brasil –&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/no-dia-mundial-da-pessoa-com-alzheimer-alerta-e-para-diagnostico-precoce/">cerca de 70%</a>&nbsp;dos diagnósticos. E é possível adiar seu aparecimento ou reduzir o risco de manifestá-lo. Em um&nbsp;<a href="https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(22)00073-4/fulltext#%20">estudo publicado na revista The Lancet</a>&nbsp;em abril de 2022, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul demonstraram que mais da metade dos casos de demências no Brasil são atribuídos a fatores que, potencialmente, podem ser prevenidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As condições mais associadas à ocorrência foram perda auditiva, hipertensão e… a&nbsp;<strong>inatividade física</strong>. O sedentarismo esteve ligado a cerca de 11% dos casos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Estima-se que um a cada 10 casos de demências no Brasil sejam atribuídos à inatividade física”, explica o pesquisador Natan Feter, doutor em Educação Física pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Resultados de estudos internacionais corroboram os achados brasileiros.&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9484730/">Uma pesquisa de 2022 da revista&nbsp;<em>Neurology</em></a>&nbsp;baseada no banco de dados Biobank, onde constam as informações de mais de 500 mil pessoas, associou a diminuição nos riscos de demência às atividades físicas regulares. Segundo o trabalho, quem pratica esportes ou exercícios mais intensos exibe uma probabilidade 28% menor de ser diagnosticado com a doença. E o benefício também vale para quem realiza atividades mais leves, como a limpeza da casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E não só para prevenir a demência. A ONU afirma que o sedentarismo é o quarto maior fator de risco para mortalidade. Pessoas nessa situação correm um risco de 20% a 30% maior de morte em comparação a quem se movimenta durante, pelo menos, 30 minutos diários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, segundo&nbsp;<a href="https://cdn.who.int/media/docs/default-source/country-profiles/physical-activity/physical-activity-bra-2022-country-profile.pdf?sfvrsn=348ad853_5&amp;download=true">dados</a>&nbsp;da OMS, 40% das mulheres e 53% dos homens adultos são inativos. Fatores socioeconômicos influenciam o acesso a exercícios físicos estruturados no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a projeção de crescimento dos casos de demências nas próximas décadas, especialistas alertam para a necessidade de conscientizar a população sobre a importância do movimento. Investir em campanhas, em políticas públicas e urbanismo é o primeiro passo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos centros urbanos, por exemplo, não contam com espaços para lazer e esporte ou mesmo calçadas adequadas. “Fornecer informações é importante, mas também precisamos fornecer as ferramentas necessárias para a população ser ativa fisicamente”, aponta o doutor em gerontologia Daniel Vicentini, especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências da atividade física para a saúde pública já podem ser medidas em alguns países. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, a incidência de casos de demências está decrescendo, e a razão atribuída pelos pesquisadores é o aumento da conscientização e as melhorias no manejo de doenças cardiovasculares e seus fatores de risco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando o sistema cardiovascular é eficiente e funcional, o fluxo sanguíneo melhora e entrega mais sangue, com mais nutrientes, para o cérebro. Um cérebro bem nutrido representa um risco menor para desordens neurológicas como a demência e a depressão”, ilustra Vicentini. “A vantagem da atividade física é que ela atua sobre todo o corpo– e é por isso que acredito que nunca vamos conseguir desenvolver um medicamento que mimetize os seus efeitos”, destaca Feter.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Efeitos no cérebro<strong></strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentes estudos mostram que as atividades físicas promovem benesses no cérebro. Em 2012, pesquisadores estadunidenses&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/topics/neuroscience/irisin">descobriram</a>&nbsp;um hormônio chamado irisina, que é liberado durante os treinos e está relacionado à prevenção de demências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O hormônio é um tipo de miocina, substâncias produzidas e liberadas a partir da contração muscular durante a realização de exercícios físicos. A partir de testes com camundongos, um grupo de pesquisadores do Brasil, do Canadá e dos Estados Unidos considerou<a href="https://www.nature.com/articles/s41591-018-0275-4#Sec2">&nbsp;o hormônio um mediador da ação neuroprotetora dos exercícios</a>. No cérebro, a irisina foi relacionada à proteção contra danos causados pelo Alzheimer, que afetam as funções de memória e a neuroplasticidade.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Na prática</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A recomendação oficial da OMS para adultos é de, no mínimo, 150 minutos de atividades físicas de intensidade moderada por semana.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora exercícios moderados ou intensos pareçam trazer maiores benefícios, toda atividade é bem-vinda. “Antes se pensava que as atividades aeróbicas eram as que mais conseguiam melhorar a função cognitiva, mas hoje vemos que exercícios de força também são importantes. O simples ato de contração muscular é capaz de liberar substâncias na corrente sanguínea que induzem a liberação de fatores neurogênicos no cérebro”, resume Feter.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E outra boa notícia: não há idade limite para começar. “Nunca é tarde, seja para prevenção, seja para auxiliar no tratamento. É sempre importante se manter ativo”, alerta Feter.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para quem já vive com demência, o exercício físico desempenha um papel de melhora na qualidade de vida e no bem-estar. A prática não impede o avanço da doença, mas pode atenuar os impactos dos sintomas – tanto no indivíduo quanto em seus familiares e cuidadores.&nbsp; “Os melhores resultados na literatura científica para pessoas com demência são os exercícios multicomponentes. Ou seja, os que combinam exercícios aeróbicos, de força, de equilíbrio, de coordenação e agilidade”, explica Daniel Vicentini, da SBGG.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas atenção: o que mais importa é buscar uma atividade que se encaixe na rotina e que seja prazeroso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra estratégia utilizada por fisioterapeutas e educadores físicos é um tipo de exercício chamado de “dupla tarefa”. A prática consiste na realização de uma atividade primária e outra secundária, para ajudar na melhora da mobilidade e da funcionalidade cognitiva. Por exemplo: a pessoa é incentivada a fazer relatos do cotidiano ou a lembrar de nomes de objetos enquanto caminha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diminuição da agressividade, a melhoria na qualidade do sono e do apetite e o aumento dos níveis de bem-estar e autoestima são fatores que melhoram com treinos físicos regulares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o avançar do quadro, indivíduos com demência podem começar a apresentar alterações motoras e dificuldades para caminhar e fazer atividades cotidianas. Nesse contexto, o papel das atividades físicas é mais focado em manter a movimentação e a autonomia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Devemos estimular o idoso a fazer quaisquer atividades físicas: vale regar as plantas, cuidar do jardim e ajudar a limpar a casa. É bom evitar ficar mais de 2 horas na mesma posição”, diz Vicentini. Se necessário, fisioterapeutas e educadores físicos podem ajudar com gestos e realizar alongamentos, entre outras coisas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação do fisioterapeuta pode ser necessária especialmente se o quadro clínico envolve pneumonia, alterações cardiovasculares ou um histórico de fraturas por queda. É possível buscar esse tipo de cuidado por meio do SUS da região. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) podem oferecer grupos de apoio e disponibilizar&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/10/29/sancionada-inclusao-de-fisioterapeuta-e-terapeuta-ocupacional-no-saude-da-familia-do-sus">fisioterapeutas</a>&nbsp;que atendem na unidade ou no domicílio</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Atividades físicas ajudam a controlar sintomas de DPOC</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/atividades-fisicas-ajudam-a-controlar-sintomas-de-dpoc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 May 2023 14:03:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atividade Física]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Embora a doença pulmonar obstrutiva crônica dificulte a prática de atividades físicas, manter-se ativo com a devida orientação profissional é fundamental para o alívio dos problemas e a manutenção da saúde À primeira vista, é comum pensar que exercícios físicos não combinam com o cotidiano de quem vive com&#160;a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Afinal, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Embora a doença pulmonar obstrutiva crônica dificulte a prática de atividades físicas, manter-se ativo com a devida orientação profissional é fundamental para o alívio dos problemas e a manutenção da saúde</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">À primeira vista, é comum pensar que exercícios físicos não combinam com o cotidiano de quem vive com&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/respiratorios/saiba-tudo-sobre-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica-dpoc/"><strong>a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)</strong></a>. Afinal, a condição promove&nbsp; falta de fôlego mesmo ao fazer movimentos simples, como tomar banho ou preparar uma refeição. “Uma das características da doença é a limitação ao fazer exercícios físicos”, aponta a pneumologista Rosemeri Maurici, membro da Comissão de DPOC da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, ao contrário do que se imagina, uma rotina de atividades físicas pode ser uma grande aliada na manutenção da saúde e recuperação da qualidade de vida de quem tem a doença. Os indivíduos com DPOC são menos ativos fisicamente do que adultos saudáveis, e o sedentarismo amplia os danos causados pela condição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DPOC é a terceira doença que mais causa mortes no mundo – segundo a&nbsp;<a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/the-top-10-causes-of-death#:~:text=The%20top%20global%20causes%20of,birth%20asphyxia%20and%20birth%20trauma%2C">Organização Mundial da Saúde</a>, 6% das mortes em 2019 foram causadas pela condição. A doença é progressiva e seus sintomas mais prevalentes são a dispneia – falta de ar –, a tosse crônica e o encurtamento da respiração.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/respiratorios/tabagismo-e-o-principal-responsavel-pela-dpoc/">principal fator de risco</a>&nbsp;para a DPOC é o tabagismo. “Incentivar as pessoas a abandonar o hábito tabágico, ou a nem iniciar, é muito importante para prevenir. Para quem já tem a doença, esse estímulo também deve ser feito, porque isso melhora sua capacidade pulmonar e a sua funcionalidade”, alerta a pneumologista.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Sedentarismo piora dificuldades da DPOC</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme avança, a doença pode levar a comorbidades e comprometer tarefas corriqueiras, como trocar de roupa ou ficar em pé por períodos prolongados. O sedentarismo piora esse quadro ainda mais. Junto aos sintomas respiratórios, a falta de condicionamento físico pode levar à sarcopenia – diminuição da massa muscular que está associada ao envelhecimento e à ocorrência de outras doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Independentemente do grau de dificuldade, é recomendado que os pacientes sejam inseridos em programas de reabilitação e de condicionamento físico”, explica Maurici. Não há um programa generalizado de atividades físicas que sirva para todos os pacientes com DPOC – a prescrição deve ser feita de forma personalizada e acompanhada por fisioterapeutas e profissionais de educação física. Um ponto é garantir que as práticas não sejam extenuantes para não sobrecarregarem os pulmões ou o coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o paciente, vale ficar alerta para sinais de extenuação: aumento intenso da frequência cardíaca, presença de dores no peito ou nas pernas ou coloração azulada nos dedos. Se reparar nisso, suspenda a prática e converse com o profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum que pacientes com DPOC apresentem&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/respiratorios/a-relacao-entre-dpoc-e-insuficiencia-cardiaca/">quadros de insuficiência cardíaca</a>&nbsp;e, para garantir uma rotina segura de exercícios, uma avaliação cardiovascular também merece ser feita.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A DPOC por si só já é limitante. Quando tem outra doença associada, causa mais dificuldade ainda”, diz Maurici. Contudo, os sintomas causados pelas comorbidades associadas à DPOC também são amenizados com o esforço físico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A manutenção da saúde física também diminui o número de exacerbações, momentos de maior gravidade da doença, e prepara o corpo para essas dificuldades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pacientes com quadros mais graves, é recomendado iniciar pela reabilitação fisioterápica para depois inserir as atividades físicas na rotina.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infelizmente, a DPOC costuma ser diagnosticada de forma tardia – uma questão que envolve falta de conscientização, tanto da população como dos profissionais de saúde.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Impacto também na saúde mental&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Como os sintomas da doença estão ligados ao esforço físico, é comum que os pacientes tenham receio de exercícios. “Mas explicando para o paciente que aquilo vai ser benéfico, eles ganham confiança ao longo do tempo”, conta Maurici. E essa confiança repercute na saúde mental dos pacientes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a pneumologista, a DPOC frequentemente está ligada a quadros de depressão e ansiedade. “Nesse sentido, sair ao ar livre e fazer atividades em grupo é importante”, destaca. As atividades físicas também ajudam a melhorar a qualidade do sono e a autonomia, o que também aprimora a saúde mental.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O grande objetivo é que o indivíduo se mantenha independente para os autocuidados, para que consiga tomar banho e fazer comida etc. São coisas básicas, mas para eles isso é fundamental”, reitera Maurici.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Consumo de alimentos ultraprocessados “envelhece” o cérebro, aponta pesquisa da USP</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/estilo-de-vida/envelhecimento/consumo-de-alimentos-ultraprocessados-envelhece-o-cerebro-aponta-pesquisa-da-usp-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 20:05:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
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					<description><![CDATA[Dieta com alimentos ultraprocessados, que corresponde a até 30% das calorias ingeridas por adultos brasileiros, está associada a um declínio cognitivo mais rápido Biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos representam 30% das calorias que adolescentes e adultos brasileiros ingerem diariamente, em média. Esses alimentos, que integram o grupo dos chamados ultraprocessados, aumentam o risco de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Dieta com alimentos ultraprocessados, que corresponde a até 30% das calorias ingeridas por adultos brasileiros, está associada a um declínio cognitivo mais rápido</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26231112/">representam</a> 30% das calorias que adolescentes e adultos brasileiros ingerem diariamente, em média. Esses alimentos, que integram o grupo dos chamados ultraprocessados, aumentam o risco de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade, <a href="https://bvsms.saude.gov.br/sindrome-metabolica/">síndrome metabólica</a>, entre outras doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um <a href="https://jamanetwork.com/journals/jamaneurology/article-abstract/2799140">estudo</a> brasileiro, publicado na edição de dezembro do Journal of the American Medical Association, o Jama, traz um novo alerta, dessa vez para a saúde cerebral. Os pesquisadores encontraram uma associação entre o consumo de ultraprocessados e a aceleração do declínio cognitivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em condições normais, esse déficit é esperado com o avançar da idade. Conforme envelhecemos, a rapidez para realizar certas atividades que exigem mais concentração tende a diminuir, e podemos ter problemas para fazer planejamentos e lembrar de tarefas e compromissos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dieta rica em ultraprocessados, porém, faz com que esse processo natural acabe ocorrendo muito antes.&nbsp; “Observamos que pessoas que comiam mais de 20% de ultraprocessados diariamente tinham um declínio acelerado. É como se a pessoa tivesse a cognição de alguém 10 ou 20 anos mais velho”, explica a bióloga Natália Gomes Gonçalves, pesquisadora do Laboratório de Patologia Cardiovascular do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegar aos resultados, estudiosos de quatro universidades brasileiras e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, avaliaram dados sobre a saúde de mais de 11 mil pessoas, com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras ao longo de oito anos. Informações de alimentação e de capacidade cognitiva foram coletadas em três etapas e fazem parte do <a href="http://elsabrasil.org/">Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto</a> (Elsa-Brasil), um levantamento epidemiológico que investiga diversas doenças crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a pesquisa, os participantes responderam a questionários sobre hábitos alimentares e realizaram testes que avaliaram a memória, a fluência verbal e a função executiva (a habilidade de planejar diferentes tipos de tarefas, conscientes ou não, desde a organização de uma viagem até um simples movimento do corpo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao comparar o grupo que ingeria mais de 20% da dieta diária em ultraprocessados com quem não alcançava essa marca, identificou-se que o declínio cognitivo global foi 28% mais rápido para o primeiro. O estudo sugere que o consumo desses alimentos representa um risco para a mente por si só, mesmo quando não são desenvolvidas outras patologias típicas associadas a essa dieta, como o diabetes, a hipertensão e a obesidade. “Fizemos um ajuste estatístico para que esses fatores não interferissem no resultado final”, afirma a pesquisadora. “Então podemos afirmar que, independentemente de ter essas doenças, os ultraprocessados estão associados ao declínio cognitivo”, completa.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Cuidados desde cedo</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O risco do consumo em excesso dos ultraprocessados, segundo o artigo, é ainda maior para as pessoas mais jovens, com um declínio mais acentuado entre quem tinha 35 e 59 anos. “O que acontece é que temos uma janela de prevenção do cérebro. Desde a infância, temos uma reserva cognitiva, expandida conforme aprendemos coisas e desenvolvemos a cognição. Essa reserva atinge um pico por volta dos 30 a 35 anos, e a partir daí temos o declínio cognitivo natural”, explica Gonçalves. “É por isso que, a partir dos 35 anos, precisamos prevenir para não ter doenças neurodegenerativas ou um declínio cognitivo acelerado”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acima dos 60, a associação não foi tão significativa porque já se passou da fase da prevenção – ou seja, boa parte do declínio natural do envelhecimento já está em curso, o que fez com que o efeito isolado dos ultraprocessados fosse menos significativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atenção: isso não significa que quem já ultrapassou a janela de prevenção não possa se beneficiar de mudanças no estilo de vida. “A cognição não vai voltar a ser a mesma de antes, se pararmos de ingerir ultraprocessados agora, mas podemos desacelerar esse declínio”, pontua a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo que explica a relação entre os ultraprocessados e o declínio cognitivo ainda não foi completamente esclarecido pela ciência. Como os participantes da base de dados do Elsa-Brasil não realizaram exames de neuroimagem, os pesquisadores não conseguiram identificar possíveis razões para o envelhecimento cerebral se acelerar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas já existem hipóteses. “A função cognitiva é sensível a lesões vasculares. Pequenos derrames, às vezes imperceptíveis, podem afetar essa função”, explica Gonçalves. Ocorre que uma má alimentação favorece esses microderrames por comprometer a saúde vascular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Outro ponto já <a href="https://journals.lww.com/alzheimerjournal/Abstract/2021/04000/Association_Between_GlycA_and_Cognitive_Function_.5.aspx#:~:text=GlycA%20was%20associated%20with%20worse,impairment%20is%20associated%20with%20inflammation.">claro na literatura</a> é que os ultraprocessados aumentam a inflamação no corpo. E essa inflamação poderia afetar o cérebro, mas ainda não é possível ter certeza”, diz Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4563885/">Estudos</a> prévios, com avaliação de neuroimagem, já <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26349802/">demonstraram </a>que a dieta “ocidental” – rica em gordura saturada e carboidratos com pouco valor nutricional – está relacionada a uma redução do hipocampo esquerdo, área do cérebro que atua em funções de aprendizado, memória e regulação do humor em indivíduos saudáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores brasileiros vão seguir com os estudos para investigar a associação de outras enfermidades com os ultraprocessados. “Durante a escrita do artigo, notamos uma alta prevalência de depressão, então estamos estudando isso agora”, conta a bióloga e doutora em patologia.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Alimentação que beneficia o cérebro?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão dos ultraprocessados, dietas saudáveis já foram relacionadas com <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26491085/">aumento do volume cerebral</a> e a níveis baixos de<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31787360/"> inflamação</a>. No estudo brasileiro, o padrão de alimentação considerado saudável foi baseado na chamada dieta MIND, que combina ingredientes da alimentação tipicamente mediterrânea com outra desenvolvida para conter a hipertensão. As recomendações são clássicas: consumir mais vegetais de folhas verde-escuras, frutas vermelhas, nozes, grãos integrais, peixe e leguminosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos dessa dieta na saúde do cérebro são <a href="https://www.nytimes.com/2022/04/21/well/mind/dementia-prevention-food-diet.html">amplamente pesquisa</a>dos e, para incluí-la nas considerações da pesquisa brasileira, algumas adaptações foram necessárias. “Como essa dieta foi desenvolvida no hemisfério norte, alguns alimentos incluídos são caros aqui no Brasil. Adaptamos para nossa cultura local, trocando, por exemplo, as amêndoas, que são caras, por amendoim e castanha de caju. Também incluímos mais tipos de frutas vermelhas”, explica Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora não se possa estabelecer um nível de consumo seguro para consumir ultraprocessados, uma dieta com alimentos saudáveis em abundância protegeu, de certa forma, as pessoas do declínio cognitivo acelerado. “O problema não é tanto o hambúrguer que você come, mas a alface que você não está comendo. Adicionar vegetais e alimentos saudáveis pode compensar o risco de ultraprocessados”, indica a pesquisadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na dúvida, vale seguir as recomendações do <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf">Guia Alimentar para a População Brasileira</a>: usar o máximo de alimentos minimamente processados, buscar preparar as refeições em casa sempre que possível e comprar frutas e vegetais produzidos localmente. “A principal dica é descascar mais”, brinca a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para proteger a saúde cerebral, também é importante exercitar o corpo e a mente: aprender novas habilidades, como um novo idioma e fazer exercícios aeróbicos. Nesse âmbito, tudo que desafia o cérebro e o corpo é relevante para manter o cérebro ativo, até jogos como palavras cruzadas ou <em>sudoku</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Aquirir hábitos saudáveis é um processo longo, mas que pode ser feito aos poucos. As pessoas podem ter paciência e mudar devagar. Não é preciso fazer tudo de uma vez, e é possível se beneficiar desses hábitos em qualquer idade”, completa a pesquisadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<h5 class="wp-block-heading">Veja também no site da CDD</h5>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/saude-da-mulher/alimentacao-cancer-de-mama/">A alimentação pode afetar o risco de câncer de mama?&nbsp;</a></li>



<li><a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/saude-publica/taxacao-de-alimentos-nao-saudaveis/">Taxação de alimentos não saudáveis: o que mostram as experiências de outros países</a></li>



<li><a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/saude-publica/distorcoes-tributarias-incentivam-consumo-de-alimentos-menos-saudaveis/">Distorções tributárias incentivam consumo de alimentos menos saudáveis&nbsp;</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Medicamento promete melhoras cognitivas para pacientes com Alzheimer; especialistas pedem cautela</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/medicamento-promete-melhoras-cognitivas-para-pacientes-com-alzheimer-especialistas-pedem-cautela-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 20:25:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Resultados preliminares dos testes com o medicamento lecanemabe indicaram que pode retardar avanço do Alzheimer – conheça a história]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As farmacêuticas Eisai e Biogen&nbsp;<a href="https://eisai.mediaroom.com/2022-09-27-LECANEMAB-CONFIRMATORY-PHASE-3-CLARITY-AD-STUDY-MET-PRIMARY-ENDPOINT,-SHOWING-HIGHLY-STATISTICALLY-SIGNIFICANT-REDUCTION-OF-CLINICAL-DECLINE-IN-LARGE-GLOBAL-CLINICAL-STUDY-OF-1,795-PARTICIPANTS-WITH-EARLY-ALZHEIMERS-DISEASE">divulgaram</a>, na última semana de setembro, os resultados preliminares do estudo da fase 3 do seu novo medicamento para tratamento do&nbsp;<strong>Alzheimer</strong>, o lecanemabe. Se os dados disponíveis até o momento se confirmarem, esse seria o primeiro remédio a apresentar “benefícios cognitivos” para pacientes com Alzheimer em uma pesquisa robusta,&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-03081-0">segundo a Nature</a>. Especialistas, porém, recomendam encarar a novidade com cautela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A neurologista Ingrid Faber, do&nbsp;<a href="https://hospitalsiriolibanes.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Hospital Sírio-Libanês</a>&nbsp;em Brasília, explica que “o diferencial do lecanemabe, pelo que foi informado, é sua capacidade de tornar a progressão do Alzheimer mais lenta em pessoas que já possuem a doença, o que não foi demonstrado em outros medicamentos”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, não há fármacos em uso que retardem essa demência. Os tratamentos se concentram na contenção dos sintomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O lecanemabe é um anticorpo monoclonal – um molécula biológica, fabricada com células vivas – que atua sobre os acumulados de proteínas beta-amiloide no cérebro. “A ideia do medicamento, assim como de outros que já foram desenvolvidos, é tentar reduzir a deposição das proteínas anormais”, explica Faber. “A proteína beta-amiloide pode existir na forma normal ou na alterada, que se deposita e prejudicaria a função dos neurônios”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta é a chamada hipótese das beta-amiloides: a ideia de que seriam essas proteínas as causadoras do Alzheimer – ou, ao menos, integrantes importantes nesse processo. Os fabricantes do lecanemabe afirmam que os estudos clínicos reforçariam essa hipótese, porém cientistas pedem cautela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O acúmulo da proteína beta-amiloide parece ser um dos fatores que causa o Alzheimer, mas não o único. Ainda existem questões incompreendidas, por isso não sabemos se o tratamento vai se resumir ao uso de opções que atuem nessa via”, resume Faber.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Uma polêmica com seu medicamento “antecessor”</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os testes clínicos com o lecanemabe foram realizados durante 18 meses em voluntários com Alzheimer leve. Os resultados divulgados até o momento mostraram não só uma diminuição do acúmulo das proteínas beta-amiloides no cérebro como uma melhora na chamada escala CDR-SB, que avalia o desempenho de performance cognitiva e funcional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mas essas são informações preliminares. Ainda não dá para julgar se os resultados realmente serão confiáveis”, alerta Faber. De acordo com as fabricantes, houve uma diminuição de 27% no declínio cognitivo dos pacientes no período de um ano e meio. Isso em comparação com aqueles que não utilizaram a medicação. “Se esses dados se confirmarem, será muito animador,”, admite a neurologista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo de ação do remédio não é novo. Em junho de 2021, agência reguladora de saúde nos Estados Unidos, a FDA,&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-01546-2">aprovou&nbsp;</a>o aducanumabe, da companhia Biogen, uma das fabricantes do lecanemabe. Essa molécula também combate o acúmulo das proteínas beta-amiloides no cérebro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a aprovação do aducanumabe – a primeira droga a tratar uma suposta causa do Alzheimer – enfrentou críticas de médicos e cientistas. Segundo eles,<a href="https://www.nytimes.com/2021/06/07/health/aduhelm-fda-alzheimers-drug.html">&nbsp;os dados apresentados pela empresa não comprovaram um benefício efetivo do remédio</a>&nbsp;para a cognição dos pacientes, principalmente porque foram ancorados em um subgrupo da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Explica-se: em um primeiro momento, o aducanumabe não trouxe resultados favoráveis para a cognição em dois estudos de fase 3, que inclusive foram suspensos. Mas, após analisar os dados em detalhes, a farmacêutica notou que um subgrupo de participantes que recebeu doses mais altas em uma fase precoce da doença teriam apresentado melhoras. Segundo alguns especialistas, esse tipo de análise é importante para levantar hipóteses, mas seria insuficiente para uma aprovação. O ideal seria conduzir um novo trabalho focando nesse perfil de paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, os efeitos adversos do aducanumabe despertaram preocupação: nos dois estudos mencionados, 40% dos participantes que receberam a dose mais alta tiveram inchaço cerebral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de aprovação do aducanumabe&nbsp;<a href="https://www.nytimes.com/2021/07/19/health/alzheimers-drug-aduhelm-fda.html">tem sido investigado</a>&nbsp;nos Estados Unidos. Já no Brasil, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia&nbsp;<a href="https://sbgg.org.br/aducanumab-para-alzheimer/">declarou&nbsp;</a>que considera sua liberação na América do Norte “um marco na ciência e servirá de impulso para a continuidade das pesquisas e de um caminho para novas possibilidades”. Entretanto, pede cautela extrema para análise dos ensaios clínicos. De acordo com a entidade, a relevância dos achados é “questionável”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de tamanha controvérsia com seu antecessor, o lecanemabe tem sido avaliado com uma dose adicional de cuidado. “Ainda não está claro, por exemplo, se o lecanemabe pode ter também aqueles efeitos colaterais”. Segundo os dados divulgados até aqui, houve anormalidades nos exames de neuroimagem dos participantes, mas em menor nível: cerca de 21% tiveram sangramento ou inchaço no cérebro, sendo que em torno de 3% manifestaram sintomas relacionados a essas alterações propriamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O lecanemabe está passando pelo mesmo processo de avaliação na FDA que o aducanumabe passou. As farmacêuticas&nbsp;<a href="https://www.nytimes.com/2022/04/07/health/aduhelm-medicare-alzheimers.html">solicitaram&nbsp;</a>um tipo de aprovação “acelerada”, com base nos resultados de pesquisa de fase 2. Ou seja, sem considerar esses dados mais recentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse caminho pode ser utilizado para drogas com benefícios ainda incertos, desde que se destinem a doenças sérias com poucos tratamentos disponíveis e apresentem um mecanismo de ação razoável, que indique benefícios aos pacientes.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Possível melhora, mas sem cura à vista</h3>



<p class="wp-block-paragraph">“O lecanemabe não é um medicamento que vai curar a doença, até porque o acúmulo de proteína beta-amiloide não é a única coisa de anormal que acontece no cérebro de quem tem Alzheimer”, adiciona Faber.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já existem medicamentos em testes que buscam avançar por caminho semelhante no combate ao declínio cognitivo causado pelo Alzheimer. A farmacêutica Roche vai lançar, ainda em 2022, resultados do seu próprio anticorpo para combater a proteína beta-amiloide, e a empresa americana Eli Lilly também planeja lançar um fármaco com essa propriedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ensaio clínico completo do lecanemabe está previsto para ser publicado em novembro, e a agência reguladora americana deve anunciar sua decisão quanto à aprovação do medicamento em 6 de janeiro de 2023. Não há estimativa de chegada ao Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a organização Alzheimer’s Disease International, serão cerca de 74,7 milhões de pacientes ao redor do mundo em 2030, ante 55 milhões hoje. No&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-09/dia-mundial-do-alzheimer-alerta-para-aumento-de-casos-no-mundo#:~:text=J%C3%A1%20aqui%20no%20Brasil%2C%20dados,pela%20Associa%C3%A7%C3%A3o%20Internacional%20do%20Alzheimer.">Brasil</a>, estima-se que 1,2 milhão de pessoas vivem com a doença.</p>
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		<title>Consumo de alimentos ultraprocessados “envelhece” o cérebro, aponta pesquisa da USP</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/consumo-de-alimentos-ultraprocessados-envelhece-o-cerebro-aponta-pesquisa-da-usp-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 19:32:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Dieta com alimentos ultraprocessados, que corresponde a até 30% das calorias ingeridas por adultos brasileiros, está associada a um declínio cognitivo mais rápido Biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos representam 30% das calorias que adolescentes e adultos brasileiros ingerem diariamente, em média. Esses alimentos, que integram o grupo dos chamados ultraprocessados, aumentam o risco de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Dieta com alimentos ultraprocessados, que corresponde a até 30% das calorias ingeridas por adultos brasileiros, está associada a um declínio cognitivo mais rápido</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26231112/">representam</a> 30% das calorias que adolescentes e adultos brasileiros ingerem diariamente, em média. Esses alimentos, que integram o grupo dos chamados ultraprocessados, aumentam o risco de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade, <a href="https://bvsms.saude.gov.br/sindrome-metabolica/">síndrome metabólica</a>, entre outras doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um <a href="https://jamanetwork.com/journals/jamaneurology/article-abstract/2799140">estudo</a> brasileiro, publicado na edição de dezembro do Journal of the American Medical Association, o Jama, traz um novo alerta, dessa vez para a saúde cerebral. Os pesquisadores encontraram uma associação entre o consumo de ultraprocessados e a aceleração do declínio cognitivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em condições normais, esse déficit é esperado com o avançar da idade. Conforme envelhecemos, a rapidez para realizar certas atividades que exigem mais concentração tende a diminuir, e podemos ter problemas para fazer planejamentos e lembrar de tarefas e compromissos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dieta rica em ultraprocessados, porém, faz com que esse processo natural acabe ocorrendo muito antes.&nbsp; “Observamos que pessoas que comiam mais de 20% de ultraprocessados diariamente tinham um declínio acelerado. É como se a pessoa tivesse a cognição de alguém 10 ou 20 anos mais velho”, explica a bióloga Natália Gomes Gonçalves, pesquisadora do Laboratório de Patologia Cardiovascular do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegar aos resultados, estudiosos de quatro universidades brasileiras e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, avaliaram dados sobre a saúde de mais de 11 mil pessoas, com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras ao longo de oito anos. Informações de alimentação e de capacidade cognitiva foram coletadas em três etapas e fazem parte do <a href="http://elsabrasil.org/">Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto</a> (Elsa-Brasil), um levantamento epidemiológico que investiga diversas doenças crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a pesquisa, os participantes responderam a questionários sobre hábitos alimentares e realizaram testes que avaliaram a memória, a fluência verbal e a função executiva (a habilidade de planejar diferentes tipos de tarefas, conscientes ou não, desde a organização de uma viagem até um simples movimento do corpo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao comparar o grupo que ingeria mais de 20% da dieta diária em ultraprocessados com quem não alcançava essa marca, identificou-se que o declínio cognitivo global foi 28% mais rápido para o primeiro. O estudo sugere que o consumo desses alimentos representa um risco para a mente por si só, mesmo quando não são desenvolvidas outras patologias típicas associadas a essa dieta, como o diabetes, a hipertensão e a obesidade. “Fizemos um ajuste estatístico para que esses fatores não interferissem no resultado final”, afirma a pesquisadora. “Então podemos afirmar que, independentemente de ter essas doenças, os ultraprocessados estão associados ao declínio cognitivo”, completa.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Cuidados desde cedo</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">O risco do consumo em excesso dos ultraprocessados, segundo o artigo, é ainda maior para as pessoas mais jovens, com um declínio mais acentuado entre quem tinha 35 e 59 anos. “O que acontece é que temos uma janela de prevenção do cérebro. Desde a infância, temos uma reserva cognitiva, expandida conforme aprendemos coisas e desenvolvemos a cognição. Essa reserva atinge um pico por volta dos 30 a 35 anos, e a partir daí temos o declínio cognitivo natural”, explica Gonçalves. “É por isso que, a partir dos 35 anos, precisamos prevenir para não ter doenças neurodegenerativas ou um declínio cognitivo acelerado”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acima dos 60, a associação não foi tão significativa porque já se passou da fase da prevenção – ou seja, boa parte do declínio natural do envelhecimento já está em curso, o que fez com que o efeito isolado dos ultraprocessados fosse menos significativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atenção: isso não significa que quem já ultrapassou a janela de prevenção não possa se beneficiar de mudanças no estilo de vida. “A cognição não vai voltar a ser a mesma de antes, se pararmos de ingerir ultraprocessados agora, mas podemos desacelerar esse declínio”, pontua a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo que explica a relação entre os ultraprocessados e o declínio cognitivo ainda não foi completamente esclarecido pela ciência. Como os participantes da base de dados do Elsa-Brasil não realizaram exames de neuroimagem, os pesquisadores não conseguiram identificar possíveis razões para o envelhecimento cerebral se acelerar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas já existem hipóteses. “A função cognitiva é sensível a lesões vasculares. Pequenos derrames, às vezes imperceptíveis, podem afetar essa função”, explica Gonçalves. Ocorre que uma má alimentação favorece esses microderrames por comprometer a saúde vascular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Outro ponto já <a href="https://journals.lww.com/alzheimerjournal/Abstract/2021/04000/Association_Between_GlycA_and_Cognitive_Function_.5.aspx#:~:text=GlycA%20was%20associated%20with%20worse,impairment%20is%20associated%20with%20inflammation.">claro na literatura</a> é que os ultraprocessados aumentam a inflamação no corpo. E essa inflamação poderia afetar o cérebro, mas ainda não é possível ter certeza”, diz Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4563885/">Estudos</a> prévios, com avaliação de neuroimagem, já <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26349802/">demonstraram </a>que a dieta “ocidental” – rica em gordura saturada e carboidratos com pouco valor nutricional – está relacionada a uma redução do hipocampo esquerdo, área do cérebro que atua em funções de aprendizado, memória e regulação do humor em indivíduos saudáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores brasileiros vão seguir com os estudos para investigar a associação de outras enfermidades com os ultraprocessados. “Durante a escrita do artigo, notamos uma alta prevalência de depressão, então estamos estudando isso agora”, conta a bióloga e doutora em patologia.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Alimentação que beneficia o cérebro?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão dos ultraprocessados, dietas saudáveis já foram relacionadas com <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26491085/">aumento do volume cerebral</a> e a níveis baixos de<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31787360/"> inflamação</a>. No estudo brasileiro, o padrão de alimentação considerado saudável foi baseado na chamada dieta MIND, que combina ingredientes da alimentação tipicamente mediterrânea com outra desenvolvida para conter a hipertensão. As recomendações são clássicas: consumir mais vegetais de folhas verde-escuras, frutas vermelhas, nozes, grãos integrais, peixe e leguminosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos dessa dieta na saúde do cérebro são <a href="https://www.nytimes.com/2022/04/21/well/mind/dementia-prevention-food-diet.html">amplamente pesquisa</a>dos e, para incluí-la nas considerações da pesquisa brasileira, algumas adaptações foram necessárias. “Como essa dieta foi desenvolvida no hemisfério norte, alguns alimentos incluídos são caros aqui no Brasil. Adaptamos para nossa cultura local, trocando, por exemplo, as amêndoas, que são caras, por amendoim e castanha de caju. Também incluímos mais tipos de frutas vermelhas”, explica Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora não se possa estabelecer um nível de consumo seguro para consumir ultraprocessados, uma dieta com alimentos saudáveis em abundância protegeu, de certa forma, as pessoas do declínio cognitivo acelerado. “O problema não é tanto o hambúrguer que você come, mas a alface que você não está comendo. Adicionar vegetais e alimentos saudáveis pode compensar o risco de ultraprocessados”, indica a pesquisadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na dúvida, vale seguir as recomendações do <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf">Guia Alimentar para a População Brasileira</a>: usar o máximo de alimentos minimamente processados, buscar preparar as refeições em casa sempre que possível e comprar frutas e vegetais produzidos localmente. “A principal dica é descascar mais”, brinca a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para proteger a saúde cerebral, também é importante exercitar o corpo e a mente: aprender novas habilidades, como um novo idioma e fazer exercícios aeróbicos. Nesse âmbito, tudo que desafia o cérebro e o corpo é relevante para manter o cérebro ativo, até jogos como palavras cruzadas ou <em>sudoku</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Aquirir hábitos saudáveis é um processo longo, mas que pode ser feito aos poucos. As pessoas podem ter paciência e mudar devagar. Não é preciso fazer tudo de uma vez, e é possível se beneficiar desses hábitos em qualquer idade”, completa a pesquisadora.</p>
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		<title>Consumo de alimentos ultraporcessados &#8220;envelhece&#8221; o cérebro, aponta pesquisa da USP</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/estilo-de-vida/consumo-de-alimentos-ultraprocessados-envelhece-o-cerebro-aponta-pesquisa-da-usp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 17:48:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Estilo de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[Dieta com alimentos ultraprocessados, que corresponde a até 30% das calorias ingeridas por adultos brasileiros, está associada a um declínio cognitivo mais rápido]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26231112/">representam</a>&nbsp;30% das calorias que adolescentes e adultos brasileiros ingerem diariamente, em média. Esses alimentos, que integram o grupo dos chamados ultraprocessados, aumentam o risco de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade,&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/sindrome-metabolica/">síndrome metabólica</a>, entre outras doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="https://jamanetwork.com/journals/jamaneurology/article-abstract/2799140">estudo</a>&nbsp;brasileiro, publicado na edição de dezembro do Journal of the American Medical Association, o Jama, traz um novo alerta, dessa vez para a saúde cerebral. Os pesquisadores encontraram uma associação entre o consumo de ultraprocessados e a aceleração do declínio cognitivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em condições normais, esse déficit é esperado com o avançar da idade. Conforme envelhecemos, a rapidez para realizar certas atividades que exigem mais concentração tende a diminuir, e podemos ter problemas para fazer planejamentos e lembrar de tarefas e compromissos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dieta rica em ultraprocessados, porém, faz com que esse processo natural acabe ocorrendo muito antes.&nbsp; “Observamos que pessoas que comiam mais de 20% de ultraprocessados diariamente tinham um declínio acelerado. É como se a pessoa tivesse a cognição de alguém 10 ou 20 anos mais velho”, explica a bióloga Natália Gomes Gonçalves, pesquisadora do Laboratório de Patologia Cardiovascular do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegar aos resultados, estudiosos de quatro universidades brasileiras e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, avaliaram dados sobre a saúde de mais de 11 mil pessoas, com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras ao longo de oito anos. Informações de alimentação e de capacidade cognitiva foram coletadas em três etapas e fazem parte do&nbsp;<a href="http://elsabrasil.org/">Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto</a>&nbsp;(Elsa-Brasil), um levantamento epidemiológico que investiga diversas doenças crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a pesquisa, os participantes responderam a questionários sobre hábitos alimentares e realizaram testes que avaliaram a memória, a fluência verbal e a função executiva (a habilidade de planejar diferentes tipos de tarefas, conscientes ou não, desde a organização de uma viagem até um simples movimento do corpo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao comparar o grupo que ingeria mais de 20% da dieta diária em ultraprocessados com quem não alcançava essa marca, identificou-se que o declínio cognitivo global foi 28% mais rápido para o primeiro. O estudo sugere que o consumo desses alimentos representa um risco para a mente por si só, mesmo quando não são desenvolvidas outras patologias típicas associadas a essa dieta, como o diabetes, a hipertensão e a obesidade. “Fizemos um ajuste estatístico para que esses fatores não interferissem no resultado final”, afirma a pesquisadora. “Então podemos afirmar que, independentemente de ter essas doenças, os ultraprocessados estão associados ao declínio cognitivo”, completa.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Cuidados desde cedo</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O risco do consumo em excesso dos ultraprocessados, segundo o artigo, é ainda maior para as pessoas mais jovens, com um declínio mais acentuado entre quem tinha 35 e 59 anos. “O que acontece é que temos uma janela de prevenção do cérebro. Desde a infância, temos uma reserva cognitiva, expandida conforme aprendemos coisas e desenvolvemos a cognição. Essa reserva atinge um pico por volta dos 30 a 35 anos, e a partir daí temos o declínio cognitivo natural”, explica Gonçalves. “É por isso que, a partir dos 35 anos, precisamos prevenir para não ter doenças neurodegenerativas ou um declínio cognitivo acelerado”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acima dos 60, a associação não foi tão significativa porque já se passou da fase da prevenção – ou seja, boa parte do declínio natural do envelhecimento já está em curso, o que fez com que o efeito isolado dos ultraprocessados fosse menos significativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atenção: isso não significa que quem já ultrapassou a janela de prevenção não possa se beneficiar de mudanças no estilo de vida. “A cognição não vai voltar a ser a mesma de antes, se pararmos de ingerir ultraprocessados agora, mas podemos desacelerar esse declínio”, pontua a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo que explica a relação entre os ultraprocessados e o declínio cognitivo ainda não foi completamente esclarecido pela ciência. Como os participantes da base de dados do Elsa-Brasil não realizaram exames de neuroimagem, os pesquisadores não conseguiram identificar possíveis razões para o envelhecimento cerebral se acelerar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas já existem hipóteses. “A função cognitiva é sensível a lesões vasculares. Pequenos derrames, às vezes imperceptíveis, podem afetar essa função”, explica Gonçalves. Ocorre que uma má alimentação favorece esses microderrames por comprometer a saúde vascular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Outro ponto já&nbsp;<a href="https://journals.lww.com/alzheimerjournal/Abstract/2021/04000/Association_Between_GlycA_and_Cognitive_Function_.5.aspx#:~:text=GlycA%20was%20associated%20with%20worse,impairment%20is%20associated%20with%20inflammation.">claro na literatura</a>&nbsp;é que os ultraprocessados aumentam a inflamação no corpo. E essa inflamação poderia afetar o cérebro, mas ainda não é possível ter certeza”, diz Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4563885/">Estudos</a>&nbsp;prévios, com avaliação de neuroimagem, já&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26349802/">demonstraram&nbsp;</a>que a dieta “ocidental” – rica em gordura saturada e carboidratos com pouco valor nutricional – está relacionada a uma redução do hipocampo esquerdo, área do cérebro que atua em funções de aprendizado, memória e regulação do humor em indivíduos saudáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores brasileiros vão seguir com os estudos para investigar a associação de outras enfermidades com os ultraprocessados. “Durante a escrita do artigo, notamos uma alta prevalência de depressão, então estamos estudando isso agora”, conta a bióloga e doutora em patologia.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Alimentação que beneficia o cérebro?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão dos ultraprocessados, dietas saudáveis já foram relacionadas com&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26491085/">aumento do volume cerebral</a>&nbsp;e a níveis baixos de<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31787360/">&nbsp;inflamação</a>. No estudo brasileiro, o padrão de alimentação considerado saudável foi baseado na chamada dieta MIND, que combina ingredientes da alimentação tipicamente mediterrânea com outra desenvolvida para conter a hipertensão. As recomendações são clássicas: consumir mais vegetais de folhas verde-escuras, frutas vermelhas, nozes, grãos integrais, peixe e leguminosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos dessa dieta na saúde do cérebro são&nbsp;<a href="https://www.nytimes.com/2022/04/21/well/mind/dementia-prevention-food-diet.html">amplamente pesquisa</a>dos&nbsp;e, para incluí-la nas considerações da pesquisa brasileira, algumas adaptações foram necessárias. “Como essa dieta foi desenvolvida no hemisfério norte, alguns alimentos incluídos são caros aqui no Brasil. Adaptamos para nossa cultura local, trocando, por exemplo, as amêndoas, que são caras, por amendoim e castanha de caju. Também incluímos mais tipos de frutas vermelhas”, explica Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora não se possa estabelecer um nível de consumo seguro para consumir ultraprocessados, uma dieta com alimentos saudáveis em abundância protegeu, de certa forma, as pessoas do declínio cognitivo acelerado. “O problema não é tanto o hambúrguer que você come, mas a alface que você não está comendo. Adicionar vegetais e alimentos saudáveis pode compensar o risco de ultraprocessados”, indica a pesquisadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na dúvida, vale seguir as recomendações do&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf">Guia Alimentar para a População Brasileira</a>: usar o máximo de alimentos minimamente processados, buscar preparar as refeições em casa sempre que possível e comprar frutas e vegetais produzidos localmente. “A principal dica é descascar mais”, brinca a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para proteger a saúde cerebral, também é importante exercitar o corpo e a mente: aprender novas habilidades, como um novo idioma e fazer exercícios aeróbicos. Nesse âmbito, tudo que desafia o cérebro e o corpo é relevante para manter o cérebro ativo, até jogos como palavras cruzadas ou&nbsp;<em>sudoku</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Aquirir hábitos saudáveis é um processo longo, mas que pode ser feito aos poucos. As pessoas podem ter paciência e mudar devagar. Não é preciso fazer tudo de uma vez, e é possível se beneficiar desses hábitos em qualquer idade”, completa a pesquisadora.</p>
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		<title>O que esperar do novo ministério da saúde, sob gestão de Nísia trindade</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/o-que-esperar-do-novo-ministerio-da-saude-sob-gestao-de-nisia-trindade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jan 2023 17:26:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Em discurso de posse, a socióloga Nísia Trindade anunciou que saúde mental será prioridade, vacinação será retomada e que a produção de medicamentos e imunizantes no Brasil contará com incentivo da pasta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A cientista e pesquisadora Nísia Trindade Lima, de 64 anos, se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de ministra da Saúde. Em seus primeiros dias, anunciou que sua gestão será pautada pelo diálogo com a comunidade científica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reforçar a nova postura, como primeiro ato ela anunciou a revogação de portarias e notas técnicas da gestão de Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga que “ofendem a ciência, os direitos humanos, os direitos sexuais reprodutivos no marco legal brasileiro e que reduziram diversas posições do Ministério da Saúde em uma agenda conservadora e negacionista da ciência”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que tange às doenças crônicas, Nísia disse que as redes temáticas de atenção à saúde serão fortalecidas. Isso significa ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento para pessoas com condições crônicas ou raras. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/nisia-trindade-lima-sera-primeira-mulher-chefiar-o-ministerio-da-saude">Primeira</a>&nbsp;mulher a se tornar presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2017, Nísia Trindade&nbsp;<a href="https://ppghcs.coc.fiocruz.br/index.php/br/docentes/103-corpo-docente/169-nisia-trindade-lima">é mestre</a>&nbsp;em Ciência Política e doutora em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). A indicação de seu nome para a pasta foi celebrada por entidades do setor e movimentos sociais. Para Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde (o CNS é um órgão colegiado permanente do Sistema Único de Saúde), ter Nísia Trindade ocupando o cargo “<a href="http://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/2752-a-indicacao-da-doutora-nisia-para-assumir-o-ministerio-da-saude-traz-esperanca-ao-brasil-e-aos-brasileiros-afirma-presidente-do-conselho-nacional-de-saude">renova a esperança do povo brasileiro no fortalecimento do SUS</a>”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) também saudou a nova ministra: “O Ministério da Saúde sob liderança de Nísia Trindade é vitória do SUS. Nísia Trindade reúne atributos técnicos, políticos e sociais para ocupar com louvor o cargo de autoridade sanitária brasileira”,&nbsp;<a href="https://www.abrasco.org.br/site/noticias/posicionamentos-oficiais-abrasco/ministerio-da-saude-nisia-trindade-vitoria-do-sus/71054/">completou a entidade</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha de Nísia também foi bem recebida internacionalmente. Em&nbsp;<a href="https://twitter.com/drtedros/status/1606050302871732224">uma mensagem</a>&nbsp;no Twitter, Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), escreveu: “Conto que trabalharemos juntos nos próximos anos para avançarmos na saúde para todos!” A representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Socorro Gross, elogiou a trajetória da nova ministra e&nbsp;<a href="http://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/2753-indicacao-de-nisia-trindade-para-o-ministerio-saude-e-recebida-com-esperanca-por-autoridades-entidades-e-movimentos-da-saude">reafirmou</a>&nbsp;o desejo de continuidade das parcerias entre os órgãos da saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A medida mais importante de Nísia é registrar que o Ministério da Saúde não é uma instância administrativa burocrática, mas o grande comandante do sistema nacional de saúde, o que é uma tarefa complexa. No último governo, tudo foi feito de forma isolada, sem diálogo com estados e municípios”, avalia Dário Pasche, professor do departamento de Saúde Coletiva na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da comissão coordenadora de Política, Planejamento e Gestão da ABRASCO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova ministra foi&nbsp;<a href="http://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/2753-indicacao-de-nisia-trindade-para-o-ministerio-saude-e-recebida-com-esperanca-por-autoridades-entidades-e-movimentos-da-saude">parabenizada&nbsp;</a>ainda por entidades com representação no CNS, como o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais (Conasems), além da&nbsp;<a href="https://www.sbmfc.org.br/noticias/sbmfc-recebe-com-alegria-e-esperanca-o-anuncio-da-escolha-de-nisia-trindade-para-o-ministerio-da-saude/">Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade</a>&nbsp;e outras organizações.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>A nova estrutura do Ministério da Saúde</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Além da revogação de portarias das gestões anteriores, Nísia anunciou a criação do Departamento de Imunização, da Secretaria de Informação e Saúde Digital, do Departamento de Saúde Mental e o enfrentamento do uso abusivo de álcool e outras drogas. Também será retomado o Departamento de Vigilância de IST/Aids e Hepatites Virais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Serão tempos difíceis de reconstrução, mas também de necessária inovação, sempre com o mote do direito à saúde de qualidade para todos. Este trabalho só será possível com um grande esforço nacional envolvendo Estado e sociedade civil”, disse, na posse em 2 de janeiro, em Brasília.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela também falou sobre a necessidade de estabelecer um diálogo cooperativo com o setor privado, com o objetivo de diminuir filas e represamento de exames, cirurgias e procedimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Confira as principais medidas e políticas anunciadas durante a primeira semana de gestão a seguir.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Vacinação ampliada e autonomia nacional</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Durante sua gestão na Fiocruz, Nísia Trindade liderou ações de combate à pandemia de Covid-19. Foi de sua&nbsp;<a href="https://aps.saude.gov.br/noticia/20316">autoria</a>&nbsp;a criação do&nbsp;<a href="https://portal.fiocruz.br/observatorio-covid-19">Observatório Covid-19</a>, que funciona como uma rede de monitoramento de dados epidemiológicos sobre contágio da doença, produzindo informações também sobre a qualidade do cuidado em saúde e sobre os impactos sociais do problema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à continuidade do combate à pandemia, a nova secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel,&nbsp;<a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2023/01/vacina-contra-covid-sera-anual-para-grupo-de-risco-diz-nova-secretaria-da-saude.shtml">afirmou&nbsp;</a>que a imunização contra o coronavírus será incorporada ao calendário anual do governo, seguindo os moldes do esquema vacinal da gripe. Serão criadas também políticas para atendimento e tratamento daqueles que desenvolveram a chamada “covid longa” – que seguem com sequelas da infecção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como promessa de gestão, a nova ministra afirmou que o Programa Nacional de Imunização (PNI) ganhará importância a partir da criação do Departamento de Imunização, que vai atuar em conjunto com a secretaria de Vigilância em Saúde. Nos últimos anos, a taxa de cobertura vacinal dos brasileiros vem despencando: em 2021, apenas 71% do público alvo estava vacinado contra a poliomielite – doença que havia sido&nbsp;<a href="https://www.paho.org/pt/topicos/poliomielite">eliminada</a>&nbsp;do Brasil em 1994 –, taxa que em 2015 chegava a 98%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório de transição do governo alertou para a permanência de uma “grave crise sanitária” no país e para a desestruturação do PNI, ao que a nova ministra afirmou que irá fortalecer a produção local e o chamado “Complexo Econômico Industrial da Saúde”, conceito cunhado pela Fiocruz que reforça a necessidade da autonomia nacional na produção de vacinas e fármacos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O Brasil é um grande consumidor de insumos estratégicos de saúde. Para ofertar medicamentos e equipamentos, a orientação atual é a importação. Nossa balança comercial na saúde é negativa”, explica Pasche. O fortalecimento de processos produtivos nacionais na área pode não só possibilitar maior autonomia do SUS, mas ampliar o tratamento para diferentes doenças.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O dinheiro colocado na saúde não é um gasto, é investimento. É importante que o Brasil se capitalize para desenvolver tecnologias inclusive para agravos que nos interessam, que dizem respeito à realidade epidemiológica do país”, completa. Enfermidades como a tuberculose, por exemplo, seriam beneficiadas com esse olhar.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Saúde conectada</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A saúde digital ganhou uma secretaria própria: a Secretaria de Informação e Saúde Digital. O novo departamento será dirigido por Ana Estella Haddad, e terá o objeto de aplicar as diretrizes já indicadas na Estratégia de Saúde Digital para o Brasil. O plano,&nbsp;<a href="https://www.unasus.gov.br/noticia/estrategia-de-saude-digital-para-o-brasil-2020-2028-e-publicada">lançado</a>&nbsp;em 2020, consolidou políticas em desenvolvimento, como o “Conecte SUS”. Em seu discurso, Trindade afirmou que as bases de dados em saúde brasileiras, reunidas no Datasus, serão integradas progressivamente à rede Nacional de Dados em Saúde.<br>Nísia Trindade mencionou a necessidade de balancear a liberdade do desenvolvimento de tecnologias e a preocupação central com a saúde do paciente: “Um dos desafios que se coloca é o de encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento e comercialização de bens, produtos e serviços digitais de saúde e a melhor proteção do paciente e da saúde individual e coletiva”.</p>



<h5 class="wp-block-heading">&nbsp;<strong>Saúde mental em pauta</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos impactos mais discutidos da pandemia foi a intensificação de problemas relativos à saúde mental. Durante o governo Bolsonaro, em 2020, a área sofreu ameaças de revogação de políticas que sustentavam a assistência em saúde mental. O corte de recursos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), braço do SUS responsável pelo atendimento em saúde mental, virou inclusive&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/04/18/debatedores-dizem-na-cdh-que-portaria-do-ms-e-retrocesso-na-luta-antimanicomial">denúncia</a>&nbsp;na Comissão de Direitos Humanos no Senado. O acesso aos serviços de saúde mental oferecidos pelo SUS se dá através da atenção primária, nas UBS, mas o desmonte de políticas públicas&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-mental/saude-mental-pelo-sus/">impôs barreiras</a>&nbsp;para quem busca o tratamento com psicólogo ou psiquiatra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua posse, Nísia Trindade prometeu retomar a agenda da saúde mental alinhada à reforma psiquiátrica. Essa é uma política que determinou o fim gradual dos manicômios e o direcionamento de pacientes psiquiátricos para outros tipos de instituições, como os chamados Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), residenciais terapêuticos etc.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Criar um Departamento de Saúde Mental é fundamental para colocar essa área em outra perspectiva. Mas é importante também transversalizar essas políticas: elas precisam estar presentes nos hospitais, nas UPAS. É preciso refazer a RAPS”, pontua Pasche.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra retomada anunciada é a realização das Conferências Nacionais de Saúde Mental, um dos braços temáticos que ajudam a pautar a&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-publica/sus-em-debate/">Conferência Nacional de Saúde</a>. Neste ano, será realizada a 5ª edição do evento, que se tornou palco de denúncias em 2021, quando integrantes do movimento antimanicomial&nbsp;<a href="https://www.google.com/search?q=confer%C3%AAncia+de+sa%C3%BAde+mental+bolsonaro&amp;oq=confer%C3%AAncia+de+sa%C3%BAde+mental+bolsonaro&amp;aqs=chrome..69i57j33i160j33i22i29i30.5111j1j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8">acusaram</a>&nbsp;o governo Bolsonaro de dificultar a realização da conferência.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Reconhecimento da pluralidade na saúde</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a cerimônia de posse, um dos nomes anunciados como secretária da gestão foi o advogado e líder indígena Weibe Tapeba, que assume a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Segundo o relatório final da equipe de transição de governo, o programa foi um dos inviabilizados pelos cortes no orçamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Sesai precisa ser colocada em uma perspectiva de reconhecimento da pluralidade e das necessidades singulares das pessoas, sejam elas dos indígenas, das mulheres ou da população negra”, afirma Pasche. “Não se trata de levar a saúde do homem branco para os indígenas, mas também de recuperar saberes dos povos originários em relação ao cuidado com a saúde”, pontua.</p>



<h4 class="wp-block-heading">COMPARTILHE!!!</h4>
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		<title>Slow medicine: Uma retomada dos ideais da medicina e do cuidado com a saúde</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/estilo-de-vida/slow-medicine-uma-retomada-dos-ideais-da-medicina-e-do-cuidado-com-a-saude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2023 17:51:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estilo de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[Movimento combate a pressa nos atendimentos médicos (e de outros profissionais de saúde) e incentiva a participação do paciente nos processos de decisão ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Agendas lotadas levam médicos a encurtar o tempo dedicado à cada pessoa – uma correria que prejudica os dois lados na hora de definir o diagnóstico e tratamento para o problema. Em março de 2022, o Sindicato dos Médicos do Paraná&nbsp;<a href="https://www.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/sindicato-denuncia-sobrecarga-de-trabalho-dos-medicos-mesmo-apos-justica-determinar-mais-tempo-para-consultas/">denunciou</a>&nbsp;a sobrecarga de profissionais que trabalhavam em unidades de saúde em Curitiba, no Paraná. Segundo eles, a fundação encarregada da saúde no município preconizava o agendamento de uma consulta a cada 15 minutos, tempo claramente insuficiente para um atendimento adequado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rapidez nas consultas também afeta os pacientes de forma desigual. Uma&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/ress/a/PYcvmkY5PNJc3YG6wXYYPcz/?lang=pt">pesquisa</a>&nbsp;realizada em Manaus, no Amazonas, avaliou o tempo de espera e a duração das consultas e mostrou que pessoas não brancas (pretas, pardas, amarelas ou indígenas) em pior estado de saúde tiveram consultas mais rápidas, mesmo sendo usuárias de planos de saúde privados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<strong>movimento&nbsp;</strong><strong><em>Slow Medicine</em></strong>&nbsp;– ou Medicina Sem Pressa – surgiu como resposta a esse cenário. Inspirada no&nbsp;<em>Slow Food</em>&nbsp;(que preconiza maior calma no preparo de refeições e na alimentação), ele surgiu em 2011, na Itália. Na ocasião foi formada a primeira sociedade dedicada a promover uma ideia que, na verdade, havia surgido quase uma década antes. O&nbsp;<a href="https://www.slowmedicine.com.br/algumas-breves-consideracoes-respeito-artigo-de-alberto-dolara/">primeiro</a>&nbsp;artigo sobre o assunto foi publicado em 2002 pelo cardiologista italiano Alberto Dolara, que defendia uma desaceleração na tomada de decisões clínicas. Dolara dizia que a&nbsp;“hiperatividade” é frequentemente desnecessária na prática clínica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É importante entender que o&nbsp;<em>Slow Medicine&nbsp;</em>é um movimento, não uma especialidade. Seguimos princípios que podem ser exercidos em qualquer profissão”, explica a psicóloga Vera Bifulco, membro do&nbsp;<a href="https://www.slowmedicine.com.br/">movimento no Brasil.</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os princípios, o principal, claro, é o respeito ao tempo. Em consultas breves, não é possível individualizar o cuidado dos pacientes – outro princípio do movimento. “É preciso estudar a história biológica da doença, mas também a do paciente”, argumenta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o movimento, “fazer mais nem sempre significa fazer melhor”. Nesse contexto, uma boa consulta vale muito mais do que uma batelada de exames pedidos de forma indiscriminada. Esses testes servem para complementar a avaliação do profissional, não substituí-la. Isso, aliás, cai em outro princípio do&nbsp;<em>Slow Medicine</em>: o uso racional da tecnologia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Às vezes, o paciente quer todos os exames, mas é preciso explicar que isso talvez não seja bom para ele. Só podemos prescrever exames que respondam o que queremos saber”, explica Bifulco.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe destacar que testes em excesso podem provocar males, de desconforto à exposição à radiação, passando também pela angústia. Ou seja, o&nbsp;<em>Slow Medicine</em>&nbsp;também busca evitar a iatrogenia – os problemas de saúde causados pelo próprio tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há ainda outro movimento internacional que trilha um rumo similar. É o&nbsp;<em>Choosing Wisely&nbsp;</em>(“Escolhendo Sabiamente”, em português), iniciativa que já influenciou práticas da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. A iniciativa incentiva profissionais da saúde e a população a questionarem o uso excessivo de exames e intervenções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia é que o paciente entenda as finalidades do procedimento para participar do processo de decisão junto do médico. O&nbsp;<em>Choosing Wisely</em>&nbsp;lista cinco&nbsp;<a href="https://www.choosingwisely.org/wp-content/uploads/2018/03/5-Questions-Poster_8.5x11-Eng.pdf">perguntas</a>&nbsp;que podem ser feitas antes de qualquer procedimento:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Eu realmente preciso desse procedimento?&nbsp;</li>



<li>Quais são os riscos?&nbsp;</li>



<li>Há opções mais simples e seguras?&nbsp;</li>



<li>O que acontece se eu não fizer nada?&nbsp;</li>



<li>Quanto custa?”</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O combate à pressa também é uma preocupação do&nbsp;<em>Slow Medicine</em>&nbsp;em relação aos tratamentos. A ideia é que as decisões sobre o que será feito após um diagnóstico sejam compartilhadas com o paciente, levando em conta seus valores, expectativas e preferências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os adeptos do&nbsp;<em>Slow Medicine</em>, é importante ainda valorizar hábitos que ajudem a controlar ou evitar enfermidades. “O movimento propõe uma vida mais saudável em todos os sentidos”, explica Bifulco. “A médio e longo prazo, se agregam mudanças significativas e duradouras que trazem benefícios não só relacionados àquela queixa em particular, mas à vida em geral”, completa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<em>Slow Medicine</em>&nbsp;não propõe uma renovação, mas uma aproximação ao “tratamento ideal”, que se dedica o tempo suficiente para cuidar o melhor possível das pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Perdemos a humanização nos atendimentos na saúde. Precisamos recuperar o caráter humano: somos gente cuidando de gente”, arremata Bifulco.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">Mais calma também na saúde mental</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na psicologia, dois princípios do movimento têm grande relevância: a autonomia e o autocuidado. O&nbsp;<em>Slow Medicine</em>&nbsp;defende que o paciente expresse suas opiniões e que seu contexto social seja considerado ao longo do processo. Não se procura apenas resolver rapidamente uma queixa, mas entender o que está por trás dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, espera-se que, com o avançar da terapia, o indivíduo se torne cada vez mais autossuficiente para lidar com os desafios e as instabilidades da vida. Para isso, ele precisará aprender e treinar mecanismos de resiliência.&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>Excesso de trabalho pode causar danos à saúde física e mental</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/excesso-de-trabalho-pode-causar-danos-a-saude-fisica-e-mental-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jan 2023 16:41:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo relaciona longas jornadas de trabalho a doenças cardiovasculares. Quase 9% da população mundial trabalha além do recomendado pela Organização Internacional do Trabalho ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em junho de 2022, um grupo de mais de 70 empresas britânicas começou a testar um novo modelo de trabalho em seus escritórios: a semana de quatro dias. O&nbsp;<a href="https://www.4dayweek.com/news-posts/uk-four-day-week-pilot-mid-results">projeto</a>&nbsp;<em>The 4-Day Week&nbsp;</em>surgiu na esteira de um&nbsp;<a href="https://www.4dayweek.com/">movimento&nbsp;</a>que já se desenrolava globalmente para a redução das jornadas como medida de prevenção de problemas de saúde mental relacionados ao serviço e como tentativa de aumentar a produtividade. Na&nbsp;<a href="https://forbes.com.br/carreira/2022/01/empresas-adotam-semana-de-trabalho-de-quatro-dias/">Islândia</a>, por exemplo, cerca de 85% dos trabalhadores já podem optar por trabalhar quatro dias por semana.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com um&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160412021002208">estudo&nbsp;</a>desenvolvido a partir de uma parceria inédita entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2016 quase 9% da população global – um número equivalente a 488 milhões de pessoas – trabalhava em excesso, cumprindo jornadas de 55 horas semanais ou mais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a OIT determine que o expediente não ultrapasse oito horas diárias e 48 horas semanais, a legislação varia de país para país. Desde 1935, a entidade&nbsp;<a href="https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---americas/---ro-lima/---ilo-brasilia/documents/publication/wcms_229714.pdf">incentiva</a>&nbsp;que as nações implementem jornadas de até 40 horas semanais, porém os dados daquele estudo demonstram que, entre 2010 e 2016, a prevalência de trabalhadores expostos a jornadas extensas aumentou. E essa tendência deve seguir nos próximos anos, devido ao maior número de pessoas em regime informal, às incertezas no mercado e aos novos arranjos laborais – como o teletrabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto na saúde é enorme. A pesquisa alertou para o fato que quase 400 mil mortes causadas por derrames em 2016 e 350 mil por infarto poderiam ser atribuídas à exposição a jornadas de trabalho muito longas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso por causa do estresse psicossocial causado pelas jornadas extensas. Segundo os pesquisadores, o estresse crônico provoca a liberação excessiva de hormônios que desregulam o sistema cardiovascular. O impacto também pode ser indireto: para aliviar a tensão, o trabalhador acaba caindo em hábitos como o uso de tabaco e álcool, sedentarismo e má alimentação. Ou ele deixa de dormir adequadamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jornadas extensas no expediente, contudo, não são o único fator de risco para as chamadas doenças ocupacionais. “O excesso de trabalho é uma nomenclatura subjetiva, porque o que se apresenta como excesso para um indivíduo pode não ser para outro”, explica a médica Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). “Devemos valorizar a qualidade de vida no trabalho, que perpassa três dimensões: organização, condições e relacionamento socioprofissional”, completa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rosylane exemplifica os problemas de gestão mais comuns: sobrecarga, acúmulo de funções, falta de pausas e metas inalcançáveis, além da falta de infraestrutura e exposição a riscos, como produtos tóxicos. Até mesmo um trabalho de escritório pode ter impactos no corpo para além do estresse, em função da falta de ergonomia e das longas horas sem movimentação. “Algumas das doenças ocupacionais recorrentes são distúrbios osteomusculares, que acometem as articulações e a coluna vertebral”, afirma Rosylane. “Já em relação à saúde mental, transtornos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico podem ter alguma relação com o trabalho.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na pandemia de covid-19, o controle das horas cumpridas pelo funcionário em regime de teletrabalho se tornou uma tarefa mais difícil. “No&nbsp;<em>home office</em>, muitas vezes os trabalhadores lidam com outras demandas, como afazeres domésticos e familiares, o que pode aumentar a sensação de sobrecarga e cansaço. Além disso, nem sempre o trabalhador tem estrutura adequada em casa para um bom desempenho, o que aumenta a exaustão”, argumenta a médica.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Cortando os excessos</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Por enquanto, os&nbsp;<a href="https://www.forbes.com/sites/alexledsom/2022/09/26/four-day-work-week-going-well-in-uk-study-says/?sh=511e9ac4d76d">resultados</a>&nbsp;das empresas britânicas participantes daquele projeto&nbsp;<em>The 4-Day Week Global&nbsp;</em><a href="https://forbes.com.br/carreira/2022/12/estudo-tem-resultados-encorajadores-sobre-semana-de-trabalho-de-quatro-dias/">são positivos</a>: a semana reduzida parece manter, ou até aumentar, o nível de produtividade dos trabalhadores. Nesse período de teste, a viabilidade do projeto é avaliada em um estudo conduzido pelas universidades de Oxford e Cambridge, junto com o Boston College, dos EUA.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a redução da jornada é só uma das medidas possíveis para criar um ambiente de trabalho saudável. Estratégias mais consolidadas, como dispor de um médico de trabalho, já são obrigações das empresas. “Os serviços de saúde ocupacional devem identificar e reduzir os riscos ocupacionais, realizar exames ocupacionais periódicos nos funcionários, estabelecer e acompanhar o tratamento de trabalhadores que apresentem doenças ocupacionais, ou então encaminhá-los a outros profissionais”, explica Rosylane.&nbsp; No caso de transtornos mentais, por exemplo, é possível que o médico do trabalho encaminhe para um psiquiatra.</p>



<h5 class="wp-block-heading">O burnout</h5>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das consequências da exaustão que ganharam destaque é o&nbsp;<strong>burnout</strong>, condição também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, que afeta tanto a saúde mental quanto física. De acordo com um levantamento da International Stress Management Association (ISMA), estima-se que ele afete cerca de&nbsp;<a href="https://www.ismabrasil.com.br/?obj=site&amp;con=faq&amp;con=faq&amp;q=segundo+">30</a>% dos trabalhadores brasileiros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O termo “burnout” surgiu nos anos 1970,&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279286/#:~:text=Possible%20causes%20include%20feeling%20either,at%20the%20root%20of%20it.">criado</a>&nbsp;pelo psicólogo norte-americano Herbert Freudenberger. Inicialmente, a classificação foi utilizada para nomear o resultado do estresse crônico nas “profissões do cuidado”, como é o caso de médicos e enfermeiros. Hoje, o burnout é considerado um fenômeno ocupacional pela OMS, não se restringindo às profissões originais. Em 2022, ele foi&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2022/01/11/sindrome-de-burnout-e-reconhecida-como-doenca-ocupacional-veja-o-que-muda-para-o-trabalhador.ghtml">incluído</a>&nbsp;na Classificação Internacional de Doenças (CID), o que significa que o funcionário passa a ter direito a licença médica caso desenvolva a condição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O burnout é um fenômeno ocupacional, e não uma doença em si.&nbsp; Segundo a OMS, é entendido como um dos fatores que levam as pessoas a buscarem um serviço de saúde”, explica Rosylane.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading">Os sintomas do burnout</h5>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Saúde fez uma lista – lembre-se de que isso deve estar relacionado ao trabalho:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Cansaço excessivo, físico e mental</li>



<li>Dor de cabeça frequente</li>



<li>Alterações no apetite</li>



<li>Insônia</li>



<li>Dificuldades de concentração</li>



<li>Sentimentos de fracasso e insegurança</li>



<li>Negatividade constante</li>



<li>Sentimentos de derrota e desesperança</li>



<li>Sentimentos de incompetência</li>



<li>Alterações repentinas de humor</li>



<li>Isolamento</li>



<li>Fadiga</li>



<li>Pressão alta</li>



<li>Dores musculares</li>



<li>Problemas gastrointestinais</li>



<li>Alteração nos batimentos cardíacos</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para fazer o diagnóstico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde indica buscar atendimento na Rede de Atenção Psicossocial, acessada inicialmente a partir dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).&nbsp;</p>
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		<title>Nova subvariante da ômicron exige retomada de cuidados com Covid-19</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/nova-subvariante-da-omicron-exige-retomada-de-cuidados-com-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 15:35:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1794</guid>

					<description><![CDATA[A chamada subvariante BQ.1 da Covid-19 está ligada a um aumento de casos que preocupa autoridades, principalmente considerando os não vacinados O número de casos de Covid-19 no Brasil cresceu 134% entre 30 de outubro e 12 de novembro. É o efeito da nova linhagem da variante ômicron, a BQ.1. Os sintomas não são diferentes [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>A chamada subvariante BQ.1 da Covid-19 está ligada a um aumento de casos que preocupa autoridades, principalmente considerando os não vacinados</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O número de casos de Covid-19 no Brasil <a href="https://www.conass.org.br/painelconasscovid19/">cresceu 134%</a> entre 30 de outubro e 12 de novembro. É o efeito da nova linhagem da variante ômicron, a BQ.1. Os sintomas não são diferentes dos já conhecidos (dor de garganta, perda de paladar ou olfato e febre) e a maior parte dos casos é leve, mas especialistas pedem a retomada de certos cuidados, especialmente para idosos, indivíduos com doenças crônicas e imunossuprimidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu uma nota técnica em 11 de novembro recomendando medidas urgentes: incrementar as taxas de vacinação (principalmente das doses de reforço), adotar o uso de máscaras e evitar aglomerações. “Mesmo as pessoas não vulneráveis devem ter o cuidado de não se infectar para não transmitir ao grupo de risco”, ressalta o médico Hélio Bacha, consultor técnico da SBI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas por que estão ocorrendo novas infecções? A explicação reside na janela imunológica: quem foi infectado há mais tempo está agora com a imunidade contra a Covid-19 reduzida frente às novas variantes. “Além disso, o grande número de mutações deu à BQ.1 uma capacidade de transmissão maior que as subvariantes anteriores”, esclarece Bacha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o aumento no número de casos, crescem também as internações e a pressão sobre o sistema de saúde. “Mesmo que a internação seja rara em termos proporcionais, quando o número de casos é grande, os episódios graves aumentam também”, aponta o médico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E estamos mais expostos com as aglomerações liberadas, o uso de máscaras cada vez menor e a lentidão da vacinação, que dá sinais de estagnação. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/novembro/mais-de-69-milhoes-de-brasileiros-nao-tomaram-a-primeira-dose-de-reforco-contra-a-covid-19">mais de 69 milhões</a> de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço. Já 32,8 milhões de pessoas deixaram de tomar a segunda dose de reforço.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O perigo das reinfecções</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Contrair Covid-19 pela segunda ou terceira vez nessa nova onda pode acarretar em sequelas mais graves. “Quanto mais infecções, mais chances de desenvolver sequelas inflamatórias de sistema nervoso central, nos pulmões e coração”, afirma Bacha. “Acontece o mesmo com a dengue: a resposta inflamatória da segunda infecção pode ser mais contundente e causar danos”, explica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A boa notícia é que os testes, tanto o PCR quanto o de <a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/respiratorios/teste-rapido-de-covid/">farmácia</a>, continuam funcionando e detectam a nova subvariante. E as vacinas disponíveis hoje no Brasil protegem contra as versões graves provocadas por ela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso país, no entanto, está atrasado em um quesito: o acesso à vacina bivalente, que confere uma maior proteção contra a ômicron. Desde setembro, a Anvisa está <a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/atualizacao-sobre-analise-de-vacinas-bivalentes-contra-covid-19">analisando</a> o pedido de uso emergencial do imunizante, fabricado pela Pfizer. Não há previsão de uma definição e, se a requisição for aprovada, quando as doses serão distribuídas aos estados.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra preocupação é <a href="https://cddhomolog.puntocomunicacao.com.br/noticia/saude-publica/medicacoes-covid-19-enfrentam-problemas/">a falta de medicamentos para o tratamento da Covid-19 no SUS</a>. “Por exemplo: pessoas em condição de risco para complicação são candidatos a receber logo nos primeiros dias alguns antivirais que reduzem a possibilidade de apresentação grave em até 70%. Mas não há disponibilidade fora o remdesivir, e esse está disponível principalmente em serviços privados”, lamenta Bacha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cinco medicamentos (entre eles, o paxlovid, baracitinibe, remdesivir e a associação de tixagevimabe e cilgavimabe) já estão aprovados pela Anvisa como eficazes para prevenir o agravamento de quadros da doença. Mas não há ainda acesso a essas terapias que poupam vidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Foto: pixabay</em></p>
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