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	<title>Obesidade &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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	<title>Obesidade &#8211; CDD &#8211; Crônicos do Dia a Dia</title>
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		<title>Índice de Massa Corporal (IMC) explicado</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/indice-de-massa-corporal-imc-explicado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 14:56:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Neste artigo vamos entender como funciona o Índice de Massa Corporal (IMC) e porque muitas vezes ele pode ser considerado ineficaz ou inadequado. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Obesidade é geralmente avaliada usando o índice de massa corporal, de acordo com o órgão regulador norte-americano,&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/obesity/adult/defining.html">o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)</a>. O IMC leva em consideração a razão entre a massa (peso) de uma pessoa e o quadrado da sua altura, sendo a massa em quilogramas (kg) e a altura em metros (m).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os valores de IMC para adultos são categorizados da seguinte forma:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Peso normal: 18,5 a 24,9</li>



<li>Excesso de peso: 25 a 29,9</li>



<li>Obeso: 30 ou mais</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A Obesidade é ainda classificada como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Obesidade classe 1: IMC = 30 a 34,9</li>



<li>Obesidade classe 2: IMC = 35 a 39,9</li>



<li>Obesidade classe 3: IMC 40 ou superior</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>⇒ Você pode calcular o seu IMC&nbsp;</strong>no portal do&nbsp;<a href="https://centrodeobesidadeediabetes.org.br/tudo-sobre-obesidade/calculadora-de-imc/">Centro de Obesidade e Diabetes</a>, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz ou no&nbsp;<a href="https://www.saudenaosepesa.com.br/diagnostico.html">site da iniciativa Saúde Não se Pesa</a>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Cálculo do IMC conforme etnia</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os riscos para a saúde associados ao IMC podem variar um pouco de acordo com a etnia, observa o Centro Joslin de Diabetes da Universidade de Harvard, em Boston. Eles afirmam: “Asiáticos e asiáticos-americanos podem ter maiores riscos à saúde com um IMC mais baixo.” Joslin&nbsp;<a href="https://aadi.joslin.org/en/am-i-at-risk/asian-bmi-calculator">criou uma calculadora de IMC</a>&nbsp;para essa população que reduz o piso para IMC com excesso de peso para 23 e o piso para obesidade para 27.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="http://hsph.harvard.edu/obesity-prevention-source/ethnic-differences-in-bmi-and-disease-risk/">artigo publicado</a>&nbsp;pela&nbsp;<em>Harvard T.H. Chan School of Public Health</em>&nbsp;observa que alguns estudos descobriram que as pessoas negras têm menor gordura corporal e maior massa muscular magra do que os brancos no mesmo IMC; significando que com o mesmo IMC, eles podem ter um risco menor de desenvolver doenças relacionadas à Obesidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Índice é um bom ponto de partida como ferramenta de triagem, diz o cirurgião bariátrico&nbsp;<a href="https://www.memorialcare.org/providers/mir-b-ali">Mir Ali</a>&nbsp;e diretor médico do&nbsp;<em>Memorial Care Surgical Weight Loss Center</em>&nbsp;no&nbsp;<em>Orange Coast Medical Center&nbsp;</em>em&nbsp;<em>Fountain Valley</em>, Califórnia.&nbsp;<strong>Mas porque leva em conta apenas a altura e o peso, e não a composição muscular ou outros fatores, o IMC é uma medida imperfeita.</strong></p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Obesidade “mórbida”</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas organizações de saúde também se referem a pessoas com excesso de peso extremo como “obesos mórbidos”, e o guia&nbsp;<a href="https://medlineplus.gov/ency/article/003101.htm">MedlinePlus da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA</a>&nbsp;define pessoas com 45 kg ou mais acima do peso ideal como sendo nessa categoria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas esse termo é altamente estigmatizante</strong>, assim como a palavra “gordo”, apontam os autores de um&nbsp;<a href="https://www.npjournal.org/article/S1555-4155(16)30188-X/pdf">artigo publicado no&nbsp;<em>Journal for Nurse Practitioners</em></a>. Termos como “peso pouco saudável” ou “IMC alto” são mais apropriados e motivadores para pessoas que carregam excesso de peso, aconselham.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de interferir na qualidade de vida, ter Obesidade de classe 2 ou 3 (um IMC de 35 ou mais) pode tirar quase quatro anos de sua vida em comparação com pessoas que acumulam muita gordura corporal, de acordo com um&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3953803/">estudo publicado no&nbsp;<em>American Journal of Public Health</em></a>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Cálculo do IMC em crianças e adolescentes</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Existem muitas ferramentas online que podem calcular o Índice. As crianças devem usar uma calculadora de IMC diferente dos adultos porque o IMC é determinado usando um sistema de percentil, que estima o peso de uma criança ou jovem em comparação com seus colegas da mesma idade, altura e sexo. O CDC fornece uma&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/healthyweight/bmi/calculator.html">calculadora de IMC para crianças e adolescentes, com idade de 2 a 19 anos</a>.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>O que os números significam</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com os&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/healthyweight/assessing/bmi/index.html">CDC</a>, os profissionais de saúde não usam o IMC para diagnosticar pessoas com doenças. No entanto, esse número pode ser usado para determinar o risco de problemas de saúde, como Obesidade, Acidente Vascular Cerebral, doenças cardíacas e Diabetes tipo 2, observa o&nbsp;<a href="https://www.niddk.nih.gov/health-information/weight-management/health-risks-overweight">National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A faixa de valores do IMC associada à menor taxa de doença e morte é de 18,5 a 24,9. Mas lembre-se de que esse número de IMC não é o objetivo principal do seu perfil de saúde, porque não consegue distinguir o excesso de gordura, músculo e massa óssea. Além disso, não descreve a distribuição da gordura corporal em nenhuma pessoa,&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/obesity/downloads/bmiforpactitioners.pdf">de acordo com o CDC</a>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como o IMC veio a definir a Obesidade e por que essa medida é falha</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas pessoas já passaram por isso: você vai ao consultório do médico, verifica a sua pressão arterial, altura e peso, e o médico transmite a infeliz notícia: seu Índice está muito alto e você precisa perder peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O IMC tem sido usado há muito tempo como forma de avaliar o peso corporal nos Estados Unidos. O governo deste país usa o cálculo para rastrear as taxas de Obesidade em todo o país e, de acordo com essa escala, 42,4% dos adultos americanos com 20 anos ou mais são obesos, observa o&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/obesity/data/adult.html">CDC</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se esta fórmula parece complicada e um tanto arbitrária, é porque é e muitos especialistas começaram a questionar a precisão e utilidade do IMC.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, o sistema está longe de ser perfeito e, com o passar dos anos, mais e mais ciência surgiu revelando as falhas dessa abordagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de nos aprofundarmos no que exatamente são essas imperfeições, é importante entender não apenas o histórico do IMC, mas também o que seu número de IMC sugere sobre sua saúde – e por que você não deve necessariamente entrar em pânico se seu médico disser que seu número é muito alto.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Um pouco da história do IMC&nbsp;</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O IMC foi inventado porque pesquisadores, profissionais médicos, governo e companhias de seguros precisavam de uma maneira simples de rastrear o risco de saúde entre as pessoas nos Estados Unidos.&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Em 1972, um pesquisador chamado Ancel Keys cunhou o termo “índice de massa corporal” em um artigo intitulado&nbsp;<em>“Indices of Relative Weight and Obesity”,</em>&nbsp;publicado originalmente no&nbsp;<a href="https://academic.oup.com/ije/article/43/3/655/2949547"><em>Journal of Chronic Diseases</em></a>.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo, Keys analisou cerca de 7.400 homens de cinco países europeus e analisou sua densidade corporal e adiposidade e espessura de gordura subcutânea, duas medidas de peso corporal. Usando um índice que relacionava o peso e a altura, criado por Adolphe Quetelet, em 1832 (<a href="https://scitraining.com.br/2019/02/28/a-historia-do-imc/">índice de Quetelet</a>). Então Keys criou o índice de massa corporal como uma maneira direta de medir o peso corporal em relação à altura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que mais pessoas se tornavam mais obesas e os riscos à saúde associados ao excesso de peso se tornavam mais claros, epidemiologistas de todo o mundo começaram a usar a abordagem do índice de massa corporal de Keys como forma de rastrear fatores de risco de doenças na população em geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1985, os Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH) começaram a usar o IMC para definir a Obesidade nos Estados Unidos. No início, os limites eram mais conservadores, mas em&nbsp;<a href="https://www.hindawi.com/journals/jobe/2016/2460285/">1998, o NIH passou a usar as categorias conhecidas hoje</a>&nbsp;para abranger todas as idades, sexos, etnias e culturas.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como os especialistas usam o IMC e o que seu número pode dizer sobre sua saúde</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Esse número simples pode afetar sua saúde. Ter um IMC alto pode obrigar seu médico a fazer exames de saúde adicionais, prescrever certos medicamentos e pedir consultas adicionais de acompanhamento para monitorar seu peso. Desta forma, seu IMC também está vinculado aos seus custos de saúde.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Valores altos no IMC e a relação com doenças crônicas</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentes pesquisas sugerem que o IMC está intimamente ligado ao risco do desenvolvimento de doenças. As pessoas que são consideradas com sobrepeso ou obesas correm maior risco de ter um diagnóstico de doença crônica ao longo da vida, como doenças cardíacas, Diabetes tipo 2, AVC e câncer, de acordo com o&nbsp;<a href="https://www.niddk.nih.gov/health-information/weight-management/health-risks-overweight">National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases</a>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Valores altos no IMC e a relação com a COVID-19</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo com adultos no Reino Unido publicado em agosto de 2020 na revista&nbsp;<em>PNAS&nbsp;</em>mostrou que naquela população estudada, que à medida que o IMC aumentava, o risco de hospitalização por COVID-19 também aumentava. Esse risco aumentado pode ser devido ao metabolismo prejudicado da glicose e lipídios,&nbsp;<a href="https://www.pnas.org/content/117/35/21011">sugere o estudo</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro artigo, publicado na&nbsp;<em>Obesity Reviews</em>&nbsp;em agosto de 2020, também descobriu que as pessoas que têm Obesidade têm um risco 48% maior de acabar perdendo a vida com a infecção de COVID-19 em comparação com indivíduos não obesos.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Pontos importantes sobre a saúde x IMC</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O IMC no sentido tradicional é usado como uma medida de risco à saúde. Não pode, no entanto, fornecer uma indicação dos hábitos de saúde de alguém. O IMC não diz o que alguém come, como movimenta o corpo, a qualidade do sono ou os níveis de estresse – todas as coisas que influenciam a saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso,&nbsp;<strong>os hábitos de saúde ajudam muito a proteger qualquer pessoa, independentemente do peso.&nbsp;</strong>Por exemplo, em pesquisas populacionais em homens e mulheres de meia-idade e idosos, pessoas com Obesidade que aderiram à dieta mediterrânea não tiveram um maior risco de mortalidade geral normalmente associado a um IMC mais alto, de acordo com um&nbsp;<a href="https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1003331">estudo da&nbsp;<em>PLOS Medicine</em></a>, de setembro de 2020.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dito isto, aqueles que tinham um IMC mais alto tinham um risco aumentado de ter doença cardíaca. Os autores do estudo apontaram que os hábitos de vida podem atenuar alguns dos problemas de saúde associados a um peso mais alto, mas não todos.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Medida da circunferência abdominal em combinação com o IMC: alternativa possível</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o IMC seja amplamente utilizado para avaliar e classificar a obesidade, especialistas&nbsp;<a href="https://www.cmaj.ca/content/192/31/E875">argumentam</a>&nbsp;que o&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41574-019-0310-7">uso exclusivo</a>&nbsp;para identificar complicações relacionadas ao excesso de peso é limitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como vimos, o IMC não distingue a diferença entre massa magra e gordura, que pode ser medida de forma mais precisa em um&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5888222/">exame de bioimpedância</a>. Especialistas&nbsp;<a href="https://www.cmaj.ca/content/192/31/E875">argumentam</a>&nbsp;que o&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41574-019-0310-7">uso exclusivo</a>&nbsp;do IMC para determinar a Obesidade é algo limitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, a medida da circunferência abdominal, em combinação com o IMC, começou a ser levantada como uma estratégia alternativa e mais eficiente do que&nbsp;<a href="https://www.cmaj.ca/content/192/31/E875">o uso dos índices isolados</a>. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a cintura não ultrapasse 102cm nos homens e 88cm nas&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41574-019-0310-7">mulheres</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a Obesidade ainda é determinada pelo IMC, conforme o&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/obesidade-18/#:~:text=A%20obesidade%20%C3%A9%20determinada%20pelo,abaixo%20ou%20acima%20do%20desejado.&amp;text=O%20resultado%20de%2027%2C10,do%20peso%20desejado%20(sobrepeso).">Ministério da Saúde</a>. No entanto, iniciativas como a&nbsp;<a href="https://www.saudenaosepesa.com.br/"><strong>Saúde Não se Pesa</strong></a>&nbsp;têm ganhado força e pedem novas políticas públicas para a mudança destes padrões.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tradução e adaptação: Equipe da Crônicos do Dia a Dia (CDD)&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fontes:&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.everydayhealth.com/obesity/guide/"><strong>Everyday Health</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Escrito por Sheryl Huggins Salomon, revisado por Justin Laube, médico, em 7 de outubro de 2020.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.everydayhealth.com/bmi-calculator/chart/"><strong>Everyday Health</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Escrito por Melinda Carstensen, revisado por Lynn Grieger, nutricionista, em 3 de março de 2020.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.everydayhealth.com/diet-nutrition/bmi/bmi-flaws-history-other-ways-measure-body-weight/#bmialternatives"><strong><em>Everyday Health</em></strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Escrito por Angela Lemond, revisado por Justin Labue, médico, em 17 de março de 2021.</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gordofobia: o impacto da discriminação do peso na saúde e bem-estar</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/gordofobia-o-impacto-da-discriminacao-do-peso-na-saude-e-bem-estar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 14:34:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[A gordofobia, ou o estigma social da obesidade, pode prejudicar a saúde da pessoa que sofre o preconceito. Na verdade, qualquer tipo de discriminação pode afetar o bem-estar mental e físico. A gordofobia é particularmente prejudicial porque ainda é permitida socialmente, podendo limitar as perspectivas de emprego, educação, ganhos e vida social de alguém. Esta [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A gordofobia, ou o estigma social da obesidade, pode prejudicar a saúde da pessoa que sofre o preconceito. Na verdade, qualquer tipo de discriminação pode afetar o bem-estar mental e físico. A gordofobia é particularmente prejudicial porque ainda é permitida socialmente, podendo limitar as perspectivas de emprego, educação, ganhos e vida social de alguém.<br><br>Esta postagem analisa os efeitos na saúde da discriminação pelo peso, além de fornecer algumas orientações sobre como uma pessoa pode se defender caso esteja sendo alvo de preconceito por conta do seu peso.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que é discriminação devido ao peso?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">O estigma social da obesidade refere-se a um grupo de atitudes e julgamentos negativos sobre pessoas com obesidade e peso corporal mais alto. Alguns especialistas também incluem pessoas com distúrbios alimentares e peso corporal muito baixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gordofobia é baseada em&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8323429/">crenças distorcidas</a>&nbsp;como estas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>“As pessoas ganham peso porque não têm autodisciplina suficiente.”</li>



<li>“As pessoas têm excesso de peso porque não trabalham duro ou são preguiçosas.”</li>



<li>“As pessoas têm culpa se forem obesas.”</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, o ganho de peso muitas vezes pode ser o resultado de uma condição de saúde, como hipotireoidismo ou&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-da-mulher/conheca-a-sindrome-do-ovario-policistico/">síndrome dos ovários policísticos</a>. Alguns&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/saude-da-mulher/">medicamentos também podem causar ganho de peso</a>&nbsp;não intencional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discriminação devido ao peso é o que acontece quando alguém age com base em uma crença de que o peso da pessoa define sua personalidade. Em suma, é sobre tratar as pessoas de maneira diferente com base em seu peso corporal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como essa discriminação pode limitar oportunidades, é considerada uma questão de justiça social e também uma questão de saúde.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O quão comum é?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">A gordofobia é&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554571/">generalizada</a>. A mídia tradicional e as mídias sociais são os meios que mais sedimentam o preconceito, que pode ser encontrado em escolas, locais de trabalho e até em ambientes de saúde pelo mundo afora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto muitos outros tipos de preconceito e discriminação estão melhorando lentamente, a gordofobia piorou, não melhorou,&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30605364/">dizem pesquisadores</a>.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Gordofobia no local de trabalho</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você é tratado de maneira diferente no trabalho por causa do seu peso, isso pode aparecer de muitas maneiras diferentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com uma&nbsp;<a href="https://media.ruddcenter.uconn.edu/PDFs/Weight%20Bias%20Policy%20Brief%202017.pdf">pesquisa</a>, as pessoas com obesidade são 37 vezes mais propensas a relatar discriminação no local de trabalho, enquanto pessoas com obesidade grave eram 100 vezes mais propensas a sofrer discriminação devido ao seu peso no trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São exemplos de gordofobia no local de trabalho:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>não ser contratado para determinados cargos</li>



<li>receber mais avaliações de desempenho negativas</li>



<li>receber comentários depreciativos</li>



<li>ganhar menos dinheiro por fazer o mesmo trabalho ou semelhante aos outros</li>



<li>não ser capaz de avançar no local de trabalho no mesmo ritmo que seus colegas</li>



<li>ser penalizado por excesso de peso por meio de benefícios de saúde da empresa ou outros programas</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para muitas pessoas, essa discriminação significa que o trabalho não parece um espaço seguro. O ambiente pode parecer pouco favorável e até hostil.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A discriminação devido ao peso no local de trabalho é permitida por Lei?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/pmc/articles/PMC7511432/">pesquisa de 2020</a>, apenas um estado dos Estados Unidos – Michigan – atualmente possui leis para proteger as pessoas contra a discriminação devido ao seu peso. Um punhado de cidades e vilas implementaram leis antidiscriminação para lidar com o problema, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Binghamton, Nova York</li>



<li>Madison, Wisconsin</li>



<li>Santa Cruz, Califórnia</li>



<li>São Francisco, Califórnia</li>



<li>Urbana, Illinois</li>



<li>Washington DC.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Nota da CDD: No Brasil, a prática de gordofobia ainda não é crime, mas pode ser enquadrada por injúria e danos morais, que são da esfera criminal e cível, respectivamente.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Você pode encontrar mais informações sobre isso&nbsp;</em></strong><a href="https://www.folhape.com.br/colunistas/blogdafolha/recife-ganha-leis-contra-gordofobia/27001/"><strong><em>aqui</em></strong></a><strong><em>,&nbsp;</em></strong><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/10/07/gordofobia-o-que-fazer-apos-ser-vitima.ghtml"><strong><em>aqui</em></strong></a><strong><em>&nbsp;e&nbsp;</em></strong><a href="https://g1.globo.com/bemestar/noticia/a-gente-nao-quer-ser-mais-visto-como-doente-a-vida-de-quem-e-alvo-de-gordofobia.ghtml"><strong><em>aqui</em></strong></a><strong>.</strong></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Discriminação na saúde</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns profissionais de saúde foram treinados para considerar o peso como um sinal de saúde de maneira geral. As conversas sobre perda de peso são consideradas parte da rotina de cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por mais bem-intencionadas que essas medidas tenham sido, o resultado é que algumas pessoas se sentem estigmatizadas nos ambientes de saúde.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas diretrizes mais recentes recomendam uma perspectiva diferente.&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/pcd/issues/2017/17_0006.htm">Uma pesquisa de 2017</a>&nbsp;publicada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomenda enfatizar a atividade física para todas as pessoas, independentemente do índice de massa corporal (IMC).</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quais são as consequências da gordofobia?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">É importante entender que o tratamento injusto com base no peso está associado a algumas consequências muito reais para a saúde.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Você pode evitar ir ao médico, mesmo quando precisar de cuidados.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">As pessoas às vezes sentem que seus médicos e profissionais de saúde as tratam injustamente por causa de seu peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com um&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34585130/">estudo de 2021</a>, as pessoas com excesso de peso sentiram que o estigma do peso afetou a rapidez e a eficácia com que foram tratadas e quanto apoio emocional receberam no sistema de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você acha que vai sofrer preconceito ou discriminação, pode acabar evitando ir ao médico, mesmo que realmente precise de cuidados. Dessa forma, o estigma do peso pode afetar seu acesso a cuidados de saúde de qualidade.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Você pode não receber cuidados de qualidade quando for ao médico.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Você não está imaginando. Em alguns ambientes de saúde, os pacientes recebem&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5952285/">cuidados inferiores</a>&nbsp;quando têm obesidade. O profissional de saúde pode falar com você com menos empatia e gastar menos tempo explicando sobre as condições de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6650789/">revisão de pesquisa</a>&nbsp;que abrange 17 anos e 21 estudos diferentes, pessoas com obesidade disseram que foram tratadas com desprezo e desrespeito em instalações de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os participantes do estudo relataram que seus médicos frequentemente atribuíam seu peso como sendo a causa de seus sintomas, não importando quais sintomas fossem estes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em alguns casos, esse desrespeito significava que as pessoas não recebiam um diagnóstico correto até muito mais tarde do que pessoas com peso considerado saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você sentir que não está recebendo os cuidados de que precisa, procure outro profissional de saúde.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Você pode desenvolver alguns mecanismos de enfrentamento insalubres.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://go.skimresources.com/?id=41977X1601025&amp;isjs=1&amp;jv=15.2.4-stackpath&amp;sref=https%3A%2F%2Fwww.healthline.com%2Fhealth%2Fobesity%2Fweight-discrimination%23consequences&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.nature.com%2Farticles%2Fs41366-021-00814-5&amp;xs=1&amp;xtz=180&amp;xuuid=ff0942cedbdb9607989b89b7c96c5b01&amp;xjsf=other_click__auxclick%20%5B2%5D">Estudos</a>&nbsp;mostraram que as pessoas que se sentem estigmatizadas por causa de seu peso tendem a comer mais para buscarem conforto como resultado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gordofobia também tem sido associada a uma maior compulsão alimentar e a comer mais alimentos por conveniência. Estes alimentos são geralmente&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7399967/">processados</a>&nbsp;e ​​​​foram associados a um risco maior de desenvolver condições como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Câncer</li>



<li>diabetes</li>



<li>condições gastrointestinais</li>



<li>depressão</li>



<li>pressão alta</li>



<li>doença cardíaca</li>



<li><strong>Você pode experimentar os efeitos nocivos do estresse a longo prazo.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O estresse é inevitável – e, de fato,&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5964013/">um pouco de estresse</a>&nbsp;aqui e ali pode realmente ser uma coisa boa. Mas o estresse que dura muito tempo é ruim para o corpo e para a mente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores descobriram que as pessoas que sofrem discriminação de peso têm o&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/pmc/articles/PMC5253095/">dobro</a>&nbsp;do risco de 10 anos de alta&nbsp;<a href="https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/40044#:~:text=A%20carga%20alost%C3%A1tica%20%C3%A9%20um,da%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20cr%C3%B4nica%20ao%20estresse.">carga alostática</a>. Carga alostática é o termo médico para o acúmulo de efeitos negativos do estresse crônico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas com altas cargas alostáticas têm maior risco de desenvolver muitos tipos de problemas de saúde, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>doença cardíaca</li>



<li>diabetes</li>



<li>câncer de mama</li>



<li>transtornos de humor</li>



<li>doenças dos dentes e gengivas</li>



<li><strong>Você pode internalizar o preconceito.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Ideias negativas sobre o peso podem se infiltrar no autoconceito ao longo do tempo. Os pesquisadores se referem a esse problema como gordofobia internalizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos mostram que cerca de&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6103811/">40% de pessoas</a>&nbsp;com sobrepeso e obesidade internalizaram o preconceito, desvalorizando-se como resultado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vários&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6103811/">estudos</a>&nbsp;vincularam este autoconceito a problemas de saúde mental, como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>depressão</li>



<li>ansiedade</li>



<li>baixa auto-estima</li>



<li>uma imagem corporal negativa</li>



<li><strong>Você pode se exercitar menos.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de 2017 envolvendo cerca de 5.500 participantes descobriu que as pessoas que sofreram discriminação baseada no peso tinham cerca de&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5353291/">30% menos probabilidade</a>&nbsp;de se envolver em uma atividade física robusta uma vez por semana, independentemente do IMC real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34029444/">estudos</a>&nbsp;mostraram que o estigma do peso está associado a evitar a academia e&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7983352/">exercícios em grupo</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas pessoas desenvolvem estratégias de enfrentamento que permitem que elas se exercitem sem estar em ambientes de grupo onde eventos traumáticos estigmatizantes tenham acontecido com elas. Por exemplo, exercitar-se em casa pode ser um ambiente mais seguro, onde há menos risco de ser alvo de discriminação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas estratégias são importantes, pois o exercício pode levar a uma ampla gama de benefícios à saúde.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-publica/beneficios-caminhada/">Veja aqui dicas para começar a caminhar.</a></li>



<li><strong>Você pode ter um risco aumentado de uma expectativa de vida mais baixa.</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O quão prejudiciais são os efeitos a longo prazo da gordofobia?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores em um&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4636946/">estudo de 2015</a>&nbsp;descobriram que viver com o estigma baseado no peso pode ser mais prejudicial do que a obesidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores descobriram que as pessoas que sofreram discriminação cotidiana com base em seu peso tinham um risco 60% maior de morte no período estudado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse risco foi independente de outros fatores, como o IMC de uma pessoa ou o uso de tabaco.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que você pode fazer?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Se você está sofrendo discriminação relacionada ao seu peso, a primeira coisa a reconhecer é que não é sua culpa. Como acontece com outras formas de discriminação, o problema está com aqueles que tratam os outros injustamente – pessoas que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>intimidam outras pessoas nas escolas e nas mídias sociais</li>



<li>criam ambientes de trabalho hostis</li>



<li>envergonham e estigmatizam, mesmo em ambientes de saúde</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://spssi.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/sipr.12043">Especialistas dizem</a>&nbsp;que uma mudança social de cima para baixo é necessária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quer você decida ou não participar dessa mudança social, há passos que você pode tomar para identificar e mudar os preconceitos que podem ter se infiltrado em seu autoconceito ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2019.01409/full">estudo de 2019</a>&nbsp;explorou o preconceito internalizado e as pessoas que sofreram discriminação de peso acharam úteis as seguintes estratégias:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Crie uma contra-história.</strong>&nbsp;Você pode reparar ou substituir a história que conta a si mesmo sobre peso e discriminação. Algumas culturas transmitem “narrativas mestras” sobre pessoas com obesidade. Uma dessas narrativas é que as pessoas com obesidade não fazem atividade física suficiente. Alguém com uma condição crônica de saúde pode substituir essa narrativa falsa, concentrando-se em sua jornada de saúde. As pessoas que reescreveram histórias sobre o próprio peso dizem que isso as ajudou a “restaurar sua identidade” e “reestruturar suas vidas para criar um eu mais saudável”.</li>



<li><strong>Procure um lugar de apoio para compartilhar sua história.&nbsp;</strong>Alguns participantes do estudo puderam trocar histórias e compartilhar fotos e outros objetos ligados a memórias. Compartilhar permitiu que as pessoas encontrassem significado em suas experiências e aprendessem com o que os outros haviam passado. Procure grupos de apoio, pessoalmente ou online, onde você possa compartilhar suas experiências com outras pessoas que tiveram experiências semelhantes.</li>



<li><strong>Reconhecer e resistir a mensagens estigmatizantes.</strong>&nbsp;Os estereótipos da mídia e as mensagens de saúde pública em torno do peso geralmente contêm preconceito. Mensagens que envergonham ou culpam não são saudáveis. Você pode aprender a reconhecer, identificar e resistir a essas mensagens. Você pode reformular mensagens prejudiciais de maneiras mais gentis e verdadeiras. Você pode considerar conversar com um terapeuta que tenha experiência em ajudar pessoas que têm obesidade.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A gordofobia é prejudicial. Quando você é tratado de forma diferente por causa do seu peso, isso pode aumentar seu nível de estresse e levar a problemas de saúde a longo prazo. Você também pode internalizar crenças negativas relacionadas ao peso de maneiras que acabam prejudicando sua saúde mental e física.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para proteger seu bem-estar, é importante aprender a reconhecer mensagens não saudáveis ​​sobre seu peso – sejam elas vindas de dentro ou do mundo ao seu redor. Você pode ajudar a criar uma narrativa mais gentil que apoie sua saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Alberga AS, et al. (2019).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6650789/">Weight bias and health care utilization</a>: A scoping review.&nbsp;</li>



<li>Charlesworth TES, et al. (2019).&nbsp;<a href="http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30605364/">Patterns of implicit and explicit attitudes</a>: I. long-term change and stability from 2007 to 2016.</li>



<li>Dhabhar FS. (2018).&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5964013/">The short-term stress response</a>&nbsp;– Mother Natur’es mechanism for enhancing protection and performance under conditions of threat, challenge, and opportunity.&nbsp;</li>



<li>Dollar E, et al. (2017).&nbsp;<a href="http://cdc.gov/pcd/issues/2017/17_0006.htm">Do no harm</a>: Moving beyond weight loss to emphasize physical activity at every size.&nbsp;</li>



<li>Elizabeth L, et al. (2020).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7399967/">Ultra-processed foods and health outcomes</a>: A narrative review.&nbsp;</li>



<li>Flint SW, et al. (2021).&nbsp;<a href="http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34585130/">Disparate healthcare experiences of people living with overweight or obesity in England</a>.&nbsp;</li>



<li>Fulton M, et al. (2021).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554571/">Obesity, stigma and discrimination</a>.&nbsp;</li>



<li>Guidi J, et al. (2021).&nbsp;<a href="http://karger.com/Article/FullText/510696">Allostatic load and its impact on health</a>: A systematic review.</li>



<li>Jackson SE, et al. (2017).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5353291/">Association between perceived weight discrimination and physical activity</a>: A population-based study among English middle-aged and older adults.</li>



<li>Lee KM, et al. (2021).&nbsp;<a href="http://nature.com/articles/s41366-021-00814-5">Weight stigma and health behaviors</a>: Evidence from the Eating in America Study.&nbsp;</li>



<li>Lessard LM, et al. (2021).&nbsp;<a href="http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34029444/">Eating and exercise-related correlates of weight stigma</a>: A multinational investigation.</li>



<li>Pearl RL. (2018).&nbsp;<a href="http://spssi.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/sipr.12043">Weight bias and stigma</a>: Public health implications and structural solutions.&nbsp;</li>



<li>Pearl RL. (2018).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6103811/">Weight bias internalization and health</a>: A systematic review.</li>



<li>Sabharwal S, et al. (2020).&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7511432/">Need for legal protection against weight discrimination in the United States</a>.&nbsp;</li>



<li>Salas XR, et al. (2019).&nbsp;<a href="http://frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2019.01409/full">Addressing internalized weight bias and changing damaged social identities for people living with obesity</a>.&nbsp;</li>



<li>Seymour J, et al. (2018).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5952285/">A qualitative exploration of weight bias and quality of health care among health care professionals using hypothetical patient scenarios</a>.&nbsp;</li>



<li>Stewart S-JF, et al. (2021).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8323429/">What are weight bias measures measuring?</a>&nbsp;An evaluation of core measures of weight bias and weight bias internalisation.&nbsp;</li>



<li>Sutin A, et al. (2016).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4866877/">Weight discrimination and unhealthy eating-related behaviors</a>.</li>



<li>Sutin AR, et al.&nbsp; (2015).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4636946/">Weight discrimination and risk of mortality</a>.</li>



<li>Thedinga HK, et al. (2021).<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7983352/">&nbsp;Weight stigma experiences and self-exclusion from sport and exercise settings among people with obesity</a>.&nbsp;</li>



<li>Vadiveloo M, et al. (2017).&nbsp;<a href="http://ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5253095/">Perceived weight discrimination and 10-year risk of allostatic load among US adults</a>.&nbsp;</li>



<li><a href="http://media.ruddcenter.uconn.edu/PDFs/Weight%20Bias%20Policy%20Brief%202017.pdf">Weight bias</a>: A policy brief. (n.d.).</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">–</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tradução e adaptação: Equipe da Crônicos do Dia a Dia (CDD)&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:&nbsp;</strong><a href="https://www.healthline.com/health/obesity/weight-discrimination"><strong>Healthline</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Escrito por Rebecca Joy Stanborough, MFA, revisado por Jason Daniel-Ulloa, PhD, MPH, em 28 de janeiro de 2022.</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os desafios da obesidade infantil</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/os-desafios-da-obesidade-infantil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 14:26:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1394</guid>

					<description><![CDATA[A Organização Mundial da Saúde (OMS) chama a obesidade infantil de um dos mais sérios desafios de saúde pública do século 21.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“A obesidade não apenas reduz a qualidade de vida de uma criança durante a infância, mas aumenta a chance de que o excesso de peso persista na idade adulta”, diz a endocrinologista pediátrica&nbsp;<a href="https://www.kidzmedical.com/provider/sheila-perez-colon-md/">Sheila Perez-Colon</a>, que atua no&nbsp;<em>Kidz Medical Services</em>&nbsp;em&nbsp;<em>Miami e Hialeah</em>, Flórida.&nbsp;Também aumenta o risco de uma criança desenvolver doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas, colesterol alto, pressão alta, derrame e certos tipos de câncer em uma idade mais jovem ou adulta. “Pode até levar à ansiedade e à depressão”, acrescenta ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de 340 milhões de jovens em todo o mundo com idades entre 5 e 19 anos estavam com sobrepeso ou obesidade em 2016, e 38 milhões de crianças menores de 5 anos estavam com sobrepeso ou obesidade em 2017,&nbsp;<a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight#:~:text=In%202019%2C%20an%20estimated%2038.2,countries%2C%20particularly%20in%20urban%20settings.">conforme a OMS</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Centro de Controle e Prevenção de Doenças, órgão americano que regula os processos de saúde nos Estados Unidos,&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/obesity/data/childhood.html">relata</a>&nbsp;que lá a obesidade afetou 18,5% dos jovens de 2 a 19 anos em 2016 e foi mais prevalente em crianças hispânicas (25,8%) e não hispânicas negras (22%) do que em crianças brancas não hispânicas (14,1%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais de crianças que estão se tornando obesas podem não reconhecer os sinais de alerta, principalmente se elas estiverem acima do peso, diz a Dra Sheila. “Você vê, visualmente, um aumento de peso geral no paciente ou você vê um rápido ganho de peso. Você verá o que chamamos de obesidade central, que é quando a gordura se acumula ao redor da região abdominal. Você também pode ver sintomas de complicações como diabetes; por exemplo, aumentando a micção. Isso lhe dará uma bandeira vermelha dizendo: Hmm, algo pode estar errado aqui.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Dra. Sheila diz que os hábitos de vida que aumentam o risco de obesidade de uma criança incluem beber bebidas açucaradas, como suco e refrigerante, não comer frutas e vegetais suficientes, comer tarde da noite, comer grandes porções ou frequentemente levar poucos segundos para comer. Além disso, ela lança um alerta para os pais de crianças que não fazem exercícios suficientes e têm muito tempo de tela em telefones, computadores ou TV. “Eles não estão se movendo. Eles estão sentados lá por um longo tempo.”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a prevenção da obesidade em crianças geralmente se resume a mudanças no estilo de vida, a Dra. Sheila diz que, em casos raros, uma síndrome com um componente genético ou outra doença pode ser a culpada, principalmente se o ganho de peso começar quando a criança tiver menos de 5 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, se a mãe de uma criança teve diabetes gestacional, a criança corre maior risco de nascer com alto peso ao nascer, ser obesa na infância e desenvolver diabetes tipo 2 na idade adulta, de acordo com a&nbsp;<a href="https://diabetes.org/diabetes/gestational-diabetes/how-will-this-impact-my-baby"><em>American Diabetes Association (ADA)</em></a>.</p>



<div style="height:42px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tradução e adaptação: Equipe da Crônicos do Dia a Dia (CDD)&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fonte:&nbsp;</strong><a href="https://www.everydayhealth.com/obesity/guide/"><strong>Everyday Health</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Escrito por Sheryl Huggins Salomon, revisado pelo médico Justin Laube, em 7 de outubro de 2020.</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Consumo de alimentos ultraporcessados &#8220;envelhece&#8221; o cérebro, aponta pesquisa da USP</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/estilo-de-vida/consumo-de-alimentos-ultraprocessados-envelhece-o-cerebro-aponta-pesquisa-da-usp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 17:48:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Estilo de vida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1341</guid>

					<description><![CDATA[Dieta com alimentos ultraprocessados, que corresponde a até 30% das calorias ingeridas por adultos brasileiros, está associada a um declínio cognitivo mais rápido]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26231112/">representam</a>&nbsp;30% das calorias que adolescentes e adultos brasileiros ingerem diariamente, em média. Esses alimentos, que integram o grupo dos chamados ultraprocessados, aumentam o risco de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade,&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/sindrome-metabolica/">síndrome metabólica</a>, entre outras doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="https://jamanetwork.com/journals/jamaneurology/article-abstract/2799140">estudo</a>&nbsp;brasileiro, publicado na edição de dezembro do Journal of the American Medical Association, o Jama, traz um novo alerta, dessa vez para a saúde cerebral. Os pesquisadores encontraram uma associação entre o consumo de ultraprocessados e a aceleração do declínio cognitivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em condições normais, esse déficit é esperado com o avançar da idade. Conforme envelhecemos, a rapidez para realizar certas atividades que exigem mais concentração tende a diminuir, e podemos ter problemas para fazer planejamentos e lembrar de tarefas e compromissos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dieta rica em ultraprocessados, porém, faz com que esse processo natural acabe ocorrendo muito antes.&nbsp; “Observamos que pessoas que comiam mais de 20% de ultraprocessados diariamente tinham um declínio acelerado. É como se a pessoa tivesse a cognição de alguém 10 ou 20 anos mais velho”, explica a bióloga Natália Gomes Gonçalves, pesquisadora do Laboratório de Patologia Cardiovascular do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegar aos resultados, estudiosos de quatro universidades brasileiras e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, avaliaram dados sobre a saúde de mais de 11 mil pessoas, com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras ao longo de oito anos. Informações de alimentação e de capacidade cognitiva foram coletadas em três etapas e fazem parte do&nbsp;<a href="http://elsabrasil.org/">Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto</a>&nbsp;(Elsa-Brasil), um levantamento epidemiológico que investiga diversas doenças crônicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a pesquisa, os participantes responderam a questionários sobre hábitos alimentares e realizaram testes que avaliaram a memória, a fluência verbal e a função executiva (a habilidade de planejar diferentes tipos de tarefas, conscientes ou não, desde a organização de uma viagem até um simples movimento do corpo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao comparar o grupo que ingeria mais de 20% da dieta diária em ultraprocessados com quem não alcançava essa marca, identificou-se que o declínio cognitivo global foi 28% mais rápido para o primeiro. O estudo sugere que o consumo desses alimentos representa um risco para a mente por si só, mesmo quando não são desenvolvidas outras patologias típicas associadas a essa dieta, como o diabetes, a hipertensão e a obesidade. “Fizemos um ajuste estatístico para que esses fatores não interferissem no resultado final”, afirma a pesquisadora. “Então podemos afirmar que, independentemente de ter essas doenças, os ultraprocessados estão associados ao declínio cognitivo”, completa.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Cuidados desde cedo</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">O risco do consumo em excesso dos ultraprocessados, segundo o artigo, é ainda maior para as pessoas mais jovens, com um declínio mais acentuado entre quem tinha 35 e 59 anos. “O que acontece é que temos uma janela de prevenção do cérebro. Desde a infância, temos uma reserva cognitiva, expandida conforme aprendemos coisas e desenvolvemos a cognição. Essa reserva atinge um pico por volta dos 30 a 35 anos, e a partir daí temos o declínio cognitivo natural”, explica Gonçalves. “É por isso que, a partir dos 35 anos, precisamos prevenir para não ter doenças neurodegenerativas ou um declínio cognitivo acelerado”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acima dos 60, a associação não foi tão significativa porque já se passou da fase da prevenção – ou seja, boa parte do declínio natural do envelhecimento já está em curso, o que fez com que o efeito isolado dos ultraprocessados fosse menos significativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atenção: isso não significa que quem já ultrapassou a janela de prevenção não possa se beneficiar de mudanças no estilo de vida. “A cognição não vai voltar a ser a mesma de antes, se pararmos de ingerir ultraprocessados agora, mas podemos desacelerar esse declínio”, pontua a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mecanismo que explica a relação entre os ultraprocessados e o declínio cognitivo ainda não foi completamente esclarecido pela ciência. Como os participantes da base de dados do Elsa-Brasil não realizaram exames de neuroimagem, os pesquisadores não conseguiram identificar possíveis razões para o envelhecimento cerebral se acelerar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas já existem hipóteses. “A função cognitiva é sensível a lesões vasculares. Pequenos derrames, às vezes imperceptíveis, podem afetar essa função”, explica Gonçalves. Ocorre que uma má alimentação favorece esses microderrames por comprometer a saúde vascular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Outro ponto já&nbsp;<a href="https://journals.lww.com/alzheimerjournal/Abstract/2021/04000/Association_Between_GlycA_and_Cognitive_Function_.5.aspx#:~:text=GlycA%20was%20associated%20with%20worse,impairment%20is%20associated%20with%20inflammation.">claro na literatura</a>&nbsp;é que os ultraprocessados aumentam a inflamação no corpo. E essa inflamação poderia afetar o cérebro, mas ainda não é possível ter certeza”, diz Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4563885/">Estudos</a>&nbsp;prévios, com avaliação de neuroimagem, já&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26349802/">demonstraram&nbsp;</a>que a dieta “ocidental” – rica em gordura saturada e carboidratos com pouco valor nutricional – está relacionada a uma redução do hipocampo esquerdo, área do cérebro que atua em funções de aprendizado, memória e regulação do humor em indivíduos saudáveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores brasileiros vão seguir com os estudos para investigar a associação de outras enfermidades com os ultraprocessados. “Durante a escrita do artigo, notamos uma alta prevalência de depressão, então estamos estudando isso agora”, conta a bióloga e doutora em patologia.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Alimentação que beneficia o cérebro?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão dos ultraprocessados, dietas saudáveis já foram relacionadas com&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26491085/">aumento do volume cerebral</a>&nbsp;e a níveis baixos de<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31787360/">&nbsp;inflamação</a>. No estudo brasileiro, o padrão de alimentação considerado saudável foi baseado na chamada dieta MIND, que combina ingredientes da alimentação tipicamente mediterrânea com outra desenvolvida para conter a hipertensão. As recomendações são clássicas: consumir mais vegetais de folhas verde-escuras, frutas vermelhas, nozes, grãos integrais, peixe e leguminosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos dessa dieta na saúde do cérebro são&nbsp;<a href="https://www.nytimes.com/2022/04/21/well/mind/dementia-prevention-food-diet.html">amplamente pesquisa</a>dos&nbsp;e, para incluí-la nas considerações da pesquisa brasileira, algumas adaptações foram necessárias. “Como essa dieta foi desenvolvida no hemisfério norte, alguns alimentos incluídos são caros aqui no Brasil. Adaptamos para nossa cultura local, trocando, por exemplo, as amêndoas, que são caras, por amendoim e castanha de caju. Também incluímos mais tipos de frutas vermelhas”, explica Gonçalves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora não se possa estabelecer um nível de consumo seguro para consumir ultraprocessados, uma dieta com alimentos saudáveis em abundância protegeu, de certa forma, as pessoas do declínio cognitivo acelerado. “O problema não é tanto o hambúrguer que você come, mas a alface que você não está comendo. Adicionar vegetais e alimentos saudáveis pode compensar o risco de ultraprocessados”, indica a pesquisadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na dúvida, vale seguir as recomendações do&nbsp;<a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf">Guia Alimentar para a População Brasileira</a>: usar o máximo de alimentos minimamente processados, buscar preparar as refeições em casa sempre que possível e comprar frutas e vegetais produzidos localmente. “A principal dica é descascar mais”, brinca a bióloga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para proteger a saúde cerebral, também é importante exercitar o corpo e a mente: aprender novas habilidades, como um novo idioma e fazer exercícios aeróbicos. Nesse âmbito, tudo que desafia o cérebro e o corpo é relevante para manter o cérebro ativo, até jogos como palavras cruzadas ou&nbsp;<em>sudoku</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Aquirir hábitos saudáveis é um processo longo, mas que pode ser feito aos poucos. As pessoas podem ter paciência e mudar devagar. Não é preciso fazer tudo de uma vez, e é possível se beneficiar desses hábitos em qualquer idade”, completa a pesquisadora.</p>
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		<title>Gordofobia: discriminação começa na falta de equipamentos para atender pessoas gordas</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/gordofobia-discriminacao-comeca-na-falta-de-equipamentos-para-atender-pessoas-gordas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 14:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Caso do jovem que morreu em São Paulo após ter o atendimento negado por falta de macas levanta debate sobre acessibilidade e preconceito pessoas gordas nos serviços de saúde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No início de janeiro, o episódio dramático de um jovem de 25 anos que morreu na porta de um hospital em São Paulo&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/06/jovem-de-25-anos-morre-na-porta-de-hospital-estadual-de-sp-apos-ter-atendimento-negado-por-falta-de-maca-para-pessoas-obesas.ghtml">sem ser atendido</a>&nbsp;ganhou as manchetes. Vitor Augusto Marcos de Oliveira teve insuficiência respiratória e passou 32 horas esperando atendimento, negado sob a justificativa da falta de macas adequadas para ele. Ele pesava 190 quilos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de equipamentos para atender pessoas gordas pode ser considerada gordofobia, uma forma de discriminação. “Toda vez que uma pessoa gorda perde o direito básico à saúde, a usar o transporte público, a sentar em uma cadeira confortável na sala de espera – tudo isso mostra que existe um estigma. Essas pessoas são desumanizadas”, explica a filósofa Malu Jimenez, doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e uma das precursoras na pesquisa e no ativismo anti-gordofobia no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pioneiros em cirurgia bariátrica no Brasil, o médico Luiz Vicente Berti, vice-presidente executivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), conhece as dificuldades enfrentadas cotidianamente por pessoas gordas que buscam atendimento – em busca da operação ou não. Há cerca de 35 anos, quando começou a realizar as cirurgias, logo viu que não bastava se preparar enquanto profissional. “Precisava muito mais. A começar pelos instrumentos”, relata. A maioria dos respiradores, por exemplo, consegue realizar a força do pulmão de pessoas que não possuem obesidade. “O mundo é feito para adultos de até 1,80m e 100 quilos”, resume Berti.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também faltam batas para as pessoas gordas que passam por cirurgias e manguitos – aquela faixa que faz parte do instrumento que mede a pressão, e que o profissional passa ao redor do braço. “Isso é muito violento”, lamenta Jimenez.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE com dados de 2020, 60,3% dos adultos apresentam excesso de peso – o que representa 96 milhões de brasileiros. Entre eles, muitos ainda se adequam aos instrumentos disponíveis, porém parte significativa sofre com a falta de estrutura.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Atendimento especial</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, a SBCBM criou um&nbsp;<a href="https://www.sbcbm.org.br/morte-de-paciente-reafirma-necessidade-da-adequacao-dos-hospitais-para-atendimento-obesos-no-pais/">programa</a>&nbsp;que certifica profissionais e hospitais para elevar a qualidade do atendimento a pacientes gordos, não só na hora da cirurgia bariátrica, mas em qualquer serviço de saúde. São quase 500 itens no&nbsp;<em>checklist&nbsp;</em>para os hospitais, que vão do tipo de vaso sanitário à sonda para respiração, que precisa ser de um tamanho maior. “Em hospitais com essa acreditação, os índices de complicações são infinitamente menores”, pontua o médico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apenas nove hospitais brasileiros já estão acreditados pela SBCBM, e outros 80 encontram-se em processo de certificação. O programa foi oferecido pela entidade ao Ministério da Saúde no final de 2022. A proposta era avaliar hospitais no Brasil inteiro, sem custo – por enquanto, isso não avançou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da morte de Vitor, o Ministério Público de São Paulo quer&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/09/mp-instaura-inquerito-contra-secretarias-da-saude-de-sp-por-morte-de-jovem-obeso-que-foi-rejeitado-por-6-hospitais.ghtml">investigar</a>&nbsp;a quantidade de macas especiais disponíveis nos hospitais públicos do estado e saber qual é o procedimento padrão no atendimento às pessoas gordas. “Não é só a maca”, pontua Maria Edna de Melo, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a médica, o atendimento diferenciado deveria começar no setor de referenciamento, que encaminha o paciente ao hospital. Pacientes gordos precisam ir direto para locais com capacidade para recebê-los – hoje em dia, normalmente são os hospitais de alta complexidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vitor foi inserido no sistema da prefeitura para localizar um hospital que o atendesse. A unidade mais próxima de onde estava era o Hospital Geral de Taipas, que estava superlotado. Diante da negativa, outros centros foram consultados, até que o Hospital Vila Nova Cachoeirinha informou que haveria uma vaga para o paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegando lá, no entanto, a equipe alegou que Vitor não poderia ser atendido devido à complexidade do caso dele. “Esses pacientes apresentam um grau de dificuldade maior no atendimento. É mais difícil fazer exames complementares para fechar diagnóstico, realizar intervenções por acesso venoso e até executar uma reanimação numa parada cardiorrespiratória”, explica Melo. A Secretaria da Saúde abriu uma&nbsp;<a href="https://www.metropoles.com/sao-paulo/secretaria-apura-possivel-equivoco-de-medica-na-morte-de-jovem-obeso">sindicância</a>&nbsp;para apurar por que o hospital informou que havia vaga enquanto não dispunha de equipamentos necessários para atender Vitor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jovem acabou sendo novamente encaminhado para o Hospital Geral de Taipas, onde aguardou por quatro horas dentro da ambulância e morreu antes de conseguir uma vaga na unidade. “Meu filho foi negligenciado”, disse Andreia Marcos da Silva, mãe de Vitor, em&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/09/mp-instaura-inquerito-contra-secretarias-da-saude-de-sp-por-morte-de-jovem-obeso-que-foi-rejeitado-por-6-hospitais.ghtml">entrevista ao G1</a>.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Gordofobia médica</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os empecilhos para pessoas gordas vão além de macas e roupas cirúrgicas inadequadas. Uma&nbsp;<a href="https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/06/ebook_gordofobia-1.pdf">pesquisa</a>&nbsp;conduzida pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) em conjunto com a SBEM ouviu 3 621 participantes, dos quais 85,3% relataram ter sofrido algum tipo de constrangimento por causa do peso. O dado mais alarmante é que 60,4% dos casos de gordofobia acontecem em consulta médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jimenez, o estigma existe na própria formação dos profissionais de saúde. “Toda vez que uma pessoa gorda entra num consultório, antes mesmo dos exames, já é feito o diagnóstico do que está gerando a queixa reportada”, afirma a pesquisadora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Além da estigmatização, os profissionais acabam negligenciando o atendimento”, aponta Melo. Alguns médicos deixam de fazer uma orientação adequada por acharem que o paciente, por ser gordo, não vai seguir à risca. Com a perda de peso apontada como a única solução para os problemas do paciente, também é comum que exames complementares sejam deixados de lado. “Estudos mostram que o rastreio do câncer é realizado com menor frequência nesses pacientes. E são pessoas com risco aumentado para determinados tumores”, afirma a médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma&nbsp;<a href="https://www.karger.com/Article/FullText/503751#:~:text=Conclusion%3A%20Results%20suggest%20that%20negative,the%20Canadian%20public%20healthcare%20system">pesquisa</a>&nbsp;de 2019, realizada no Canadá, avaliou a gordofobia entre médicos da família no país. Entre os profissionais ouvidos, 18% afirmaram se sentir enojados ao atender pacientes gordos, e 33,3% indicaram se sentir frustrados com pacientes com obesidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro&nbsp;<a href="https://www.jandonline.org/article/S2212-2672(22)00007-7/fulltext">estudo</a>, publicado pela Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, revela que metade dos profissionais da saúde atribui o sobrepeso e a obesidade à falta de força de vontade. Isso reforça estereótipos negativos e, ao invés de incentivar hábitos saudáveis, faz com que pessoas gordas deixem de procurar atendimento médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gordofobia também impacta na saúde mental, gerando ansiedade e casos de depressão em pessoas gordas. “Isso perpetua e agrava a obesidade, já que a ingestão calórica tende a aumentar em situações de estresse”, explica Melo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Jimenez, é urgente que o debate sobre a gordofobia faça parte da formação de médicos e outros profissionais da saúde. “Para que essas violências parem de se repetir, é importante entender que as pessoas gordas precisam ter os seus direitos garantidos e que não são culpadas por serem gordas”, resume.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a médica Maria Edna de Melo, só educação não basta. “É preciso uma legislação que puna a gordofobia não só no consultório, mas em qualquer ambiente. As pessoas devem ser encorajadas a denunciar esses casos”, afirma. Um&nbsp;<a href="https://www.deeplegal.com.br/blog/gordofobia-42-dos-casos-que-vao-parar-na-justica-sao-julgados-parcialmente-ou-totalmente-procedentes-em-1o-grau">estudo</a>&nbsp;de 2022 relata que o volume de processos envolvendo gordofobia vem aumentando no Brasil, principalmente por injúria e danos morais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2009, 756 processos envolvendo gordofobia passaram na Justiça em todo o país. Destes casos, 108 tramitaram em 2022 – contando apenas até outubro, último mês com dados contabilizados pela pesquisa.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Peso e saúde</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">“A gordofobia é difícil de detectar, porque vem sempre disfarçada de cuidado, de amor, de saúde”, afirma Jimenez. O preconceito que estigmatiza pessoas gordas parte, muitas vezes, da crença de que o sobrepeso é o único marcador de saúde. A filósofa participa de uma corrente de estudos que critica o uso do índice de massa corporal (IMC) como marcador único de corpo saudável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Abeso e a SBEM&nbsp;<a href="https://abeso.org.br/nossa-proposta-de-uma-nova-maneira-de-classificar-a-obesidade/">propuseram</a>, em abril de 2022, uma nova maneira de classificar a obesidade, que serve como ferramenta complementar ao IMC. Baseado na trajetória do indivíduo, o cálculo proposto parte do peso máximo que uma pessoa alcançou na vida — sem considerar o período de gravidez e outras situações especiais. Depois, anota-se quanto de peso o indivíduo já perdeu, sendo a partir daí calculado o percentual que essa perda representa do valor mais alto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Abeso, uma perda modesta, representada por uma porcentagem acima de 5%, já traz vantagens para a saúde, independentemente do valor do IMC final. A ideia é evitar metas muitas distantes e basear-se em si próprio, com o intuito de criar um caminho sustentável. “A gente não sabe da vida das pessoas”, pondera Melo. “O paciente pode estar hoje com 120 quilos, mas, se já chegou a pesar 160, então está muito melhor”, analisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de pesquisadores alemães,&nbsp;<a href="https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2779685?utm_source=For_The_Media&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=ftm_links&amp;utm_term=050721">publicado em 2021</a>&nbsp;no periódico da Associação Médica Americana, analisou dados de 386 mil indivíduos. A partir daí, ele propõe uma definição de “obesidade metabolicamente saudável”. Não há consenso sobre essa abordagem: ela parte do princípio de que há indivíduos que, mesmo com índices condizentes com a obesidade, não apresentam alterações em exames que indicariam ameaças à saúde (como glicemia ou triglicérides elevados).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Melo, no entanto, ressalta a importância de não “romantizar” a obesidade: o alto peso representa um&nbsp;<a href="https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-obesidade-2/">fator de risco</a>&nbsp;para problemas como hipertensão e doenças cardiovasculares no futuro, mesmo que eles ainda não estejam se manifestando no presente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De qualquer forma, o conceito de “obesidade metabolicamente saudável” ao menos ajuda a perceber como os riscos variam entre grupos de pessoas com sobrepeso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://cdd.org.br/2023/01/20/"></a></p>
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		<title>Entrevista: como abordar a obesidade sem cair na gordofobia</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/entrevista-como-abordar-a-obesidade-sem-cair-na-gordofobia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 14:49:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cdd.puntocomm.com.br/?p=1403</guid>

					<description><![CDATA[Nutricionista Erick Cuzziol, o @nutricionistagordo nas redes sociais, fala sobre a complexidade do diagnóstico e do tratamento da obesidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Quando se formou em Nutrição, em 2008, Erick Cuzziol, de 39 anos, enfrentou dificuldades para iniciar a sua carreira. “Era comum, numa entrevista de emprego,&nbsp;<strong>perguntarem como eu ia explicar para as pessoas que eu era um nutricionista e era gordo</strong>”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Erick, que já tinha um quadro de compulsão alimentar descoberto&nbsp; durante a faculdade, demorou a encontrar colocação no mercado e desenvolveu depressão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cenário mudou quando resolveu assumir como nome o que, até então, era usado como ofensa: nas redes sociais, tornou-se o “nutricionista gordo”. A partir daí, ganhou não apenas seguidores, mas espaço na internet e na mídia para mostrar seu trabalho e abordar temas como saúde, nutrição e&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/cronicos/impacto-da-discriminacao-do-peso/">gordofobia</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Redação CDD conversou com Erick sobre esses temas e sobre sua trajetória na área da nutrição. Ele reforça que a&nbsp;<a href="https://cdd.org.br/noticia/saude-publica/o-que-e-obesidade/">obesidade</a>&nbsp;está associada a questões de saúde, mas aponta que a abordagem de muitos profissionais de saúde e da sociedade como um todo não têm ajudado.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Você usa o&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/nutricionistagordo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@nutricionistagordo</a>&nbsp;nas redes sociais. Quando e por que tomou a decisão de adotar esse nome na internet?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na época da faculdade, descobri que tenho compulsão alimentar. Fui fazer terapia, e ali tive a chance de me conhecer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando me formei, tinha dificuldade de arrumar emprego. Foi ficando claro que eu só era contratado para vagas em que não tinha outra opção. Me formei em 2008 e naquela época o preconceito não era tão visto. Era comum, numa entrevista de emprego, perguntarem como eu ia explicar para as pessoas que eu era um nutricionista e era gordo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca tive oportunidade de ver meu desempenho sendo avaliado, porque as entrevistas eram sempre sobre minha aparência. E, na internet, estava o tempo inteiro vendo piadas. Quais são as formas de insultos que as pessoas usam? O dentista com dente podre, o médico que fuma e o nutricionista gordo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia, na internet, vi um pesquisador que eu seguia e admirava compartilhando um estudo ruim que dizia que metabolismo lento não existe, e falando: “Para os obesos não ficarem usando desculpas”. E aí veio uma série de críticas de colegas dizendo que o estudo estava cheio de erros, e que a forma com que ele falou aquilo era agressiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando li o texto, fiquei pensando: eu não devo desculpas para ele, eu não devo desculpas pra ninguém. Eu devo desculpas para mim, porque me maltratei muito, cheguei ao ponto de tentar tirar minha própria vida. E falei: “Quer saber?” Eu vou ser esse nutricionista errado. Já estou sem trabalho, passando por tudo de ruim mesmo”. Em 2017, mudei o nome do meu perfil para “nutricionista gordo”. Depois comecei a ganhar seguidores e a ganhar muitos colegas que de certa forma sofrem com a pressão estética.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estava conversando com uma menina numa postagem da BBC e um jornalista que estava acompanhando achou interessante meu nome. Ele&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51216164">contou minha história</a>&nbsp;e viralizou. Veja só, 100 mil pessoas acessaram meu perfil, 5 mil começaram a seguir e aí eu comecei minha trajetória. Caí num lugar de ativismo para o qual eu não me considerava preparado, e ainda às vezes não me considero. Mas eu tinha muito para representar e, ou eu fazia isso, ou desistia de tudo de novo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma coisa comum na obesidade é que é colocado para gente que não temos capacidade. Se você não consegue se esforçar, é porque você não quer. Ou seja, você nunca é capaz. Hoje, sou membro e consultor da Abeso<em>&nbsp;[Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica]</em>&nbsp;para a gente começar uma luta por políticas públicas. Fiz uma pós-graduação em comportamento alimentar, tenho dado palestras em faculdades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa transformação traz um cenário de possibilidades de trabalhar, mas é importante deixar claro: ainda assim, muito pouca coisa é remunerada. Se eu dependesse das coisas sociais que as pessoas veem, não conseguiria me sustentar. Mas consegui pacientes, pacientes que indicam outros, e assim fui criando minha rede de sustento.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Hoje, a obesidade é considerada uma doença crônica. O que você acha sobre isso?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não acho que a abordagem da doença é a melhor forma.&nbsp;Na obesidade, é preciso entender o seguinte: depois que a pessoa ganha peso, ela vira um corpo que se relaciona de forma diferente, e a gente precisa conversar cada vez mais sobre isso. Porque parece que simplificaram demais com o discurso de doença, como se não houvesse segredo: “é só emagrecer”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o emagrecimento é extremamente complexo. Abordar as pessoas como corpos que merecem uma atenção diferenciada e especial é um caminho não só para conscientizar sobre tratamento – se for necessário – como também para que a sociedade entenda que é uma questão complexa. Porque a sociedade acredita naquilo que é mais confortável: que essa pessoa não quis parar de comer, não quis se esforçar. Isso não pode mais ser visto assim. Só falar de emagrecimento como se fosse uma cura leva as pessoas a compreender errado.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Nesse sentido, se a gente considera obesidade como uma doença crônica, ela sempre precisa de “tratamento”?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Não tem como dizer. Até aqui, as únicas abordagens que as pessoas conheceram – por falhas de diversas questões, de diretrizes, de pesquisas – são essas que erroneamente fazem inclusive os profissionais acreditarem que a pessoa só estará bem se atingir o tal do peso ideal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que é estranho, porque lá em 2008, aprendi na faculdade sobre peso ajustado, ou peso possível. E hoje em dia começa um discurso de melhor peso. E o que é o melhor peso? É quando você reduz e atinge um peso que é bom pra você, do ponto de vista de saúde. Hoje a gente percebe que essas pessoas precisam urgentemente de algo que consigam sentir que estão bem, que estão dentro de um controle, que estão dentro de uma situação segura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é muito difícil? Depende. Isso é muito difícil se a gente achar que a responsabilidade é única e exclusivamente da pessoa. Mas, se começar a colocar a sociedade a entender que a obesidade é uma luta conjunta, contra o que nos faz mal, não precisa ser. A gente precisa começar a falar que, na obesidade, precisa de qualidade: de vida, de alimentação, de acessos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pessoa vai precisar de tratamento para o resto da vida? Depende muito. A gente só vai conseguir ter melhores respostas para isso no dia que as pessoas com obesidade tiverem acesso a equipes multidisciplinares e tratamentos eficazes. Por que, hoje em dia, quanto você paga numa medicação, numa cirurgia ou num convênio? Como as pessoas não estão tendo condições de bancar o tratamento, e a responsabilidade dos custos fica só pra elas, a gente vai falar que elas precisam de tratamento para o resto da vida, e aí elas não vão fazer porque acham tudo muito distante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos entender assim: as pessoas precisam de um tratamento, e ele não é um tratamento simples. Mas elas precisam sentir também que estão tendo uma vida de qualidade.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como a gordofobia no meio médico afeta a saúde dos pacientes?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Afeta muito. E é assustador porque tem pessoas que leem estudos sobre gordofobia e elas acham que mudar o tom de voz resolve, que postar algumas fotos de pessoas gordas bem vestidas resolve. E não resolve.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra coisa: todo mundo de novo querendo ser salvador. Desde 1800, vem gente nos salvando da obesidade. E o que a gente não tem é quem ouça quando falamos que não estamos suportando, não estamos conseguindo. A primeira coisa que eu gostaria de ver e que me faria sentir que estão surgindo mudanças são&nbsp; pessoas gordas sendo ouvidas. Por mais difícil que seja, o médico está ali para ouvir, orientar e esclarecer, mas não para tomar a fala. Vejo que o local de fala não é respeitado, que muitas vezes tenta-se construir novos limites perigosos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que nós precisamos fazer é receber a obesidade e as pessoas que com ela vivem de mente aberta, para entender os reais desafios, e entender como a gente pode auxiliar. A falta de amparo é a maior denúncia quando se fala em gordofobia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um ponto importante é: não posso esquecer que ajudo quem me paga. Nosso maior problema é ter que emagrecer ou é ter a condição para fazer o que nos faz emagrecer? Então vão continuar mantendo o mesmo discurso perigoso, porque hoje um dos nossos maiores problemas é informação errada sobre obesidade. Tem&nbsp;<em>influencers&nbsp;</em>que nem são da área da saúde, mas que emagreceram e se tornaram o modelo, e todos vão fazer o que ela fez. Aí a gente percebe o quão difícil é para área da saúde reconstruir a visão de acolher, amparar e se aliar ao paciente.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como aliar o cuidado com a saúde e o respeito com o corpo?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira coisa que vamos ter que entender é o que é, realmente, obesidade. Se achar que é uma falha de comportamento, vamos achar que é só parar de falhar e está resolvido. Também é preciso entender os desafios da pessoa, da sociedade e do metabolismo. Se chego num profissional e tenho dor no joelho, por que falam que é só emagrecer? Bom, para emagrecer eu preciso fazer atividade física, e como faço atividade física com dor? Falta uma lógica do que é possível. Se a pessoa tem que comer melhor e não tem emprego, ela não vai comer melhor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem várias questões que a pessoa é repelida ao buscar tratamento por falta de escuta. “É melhor você desistir” – sem perceber, profissionais agem assim. Como se, já que você não se esforça, não tem o que fazer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas tem o que fazer. Muitas vezes, o que alguém acredita ser questão de esforço só se torna possível através de medicação, de cirurgia ou do convívio com um profissional treinado. O paciente procura você justamente porque não consegue superar os desafios dele. E qual a resposta que se dá? Que tem que se esforçar. Ali acabou, eu mostro para o paciente que não tem o que fazer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente precisa começar a enxergar o que é possível trtar e onde é possível chegar. Depois de emagrecer, às vezes se recupera o peso, há tanta coisa que a gente precisa fazer para manter o emagrecimento, e nossa sociedade não fala sobre manutenção, só sobre emagrecimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, a gente está enxergando emagrecimento como uma fase preparatória, porque o tratamento é a manutenção.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Você fez parte da rede “Saúde sem Gordofobia”, que trata desse preconceito no setor da saúde. Como combater a gordofobia nesse meio?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Assim que os profissionais começarem a se ver como aliados, eles vão perceber que não basta uma publicação explicando o que é gordofobia, dizendo que falar que a pessoa é bonita de rosto é gordofobia. Isso é raso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você critica que alimentos frescos e naturais estão caros, você está combatendo a gordofobia. Se você fala que a falta de emprego vai arruinar a saúde das pessoas, você está lutando a favor de muitos pacientes. Quando as pessoas entenderem que não precisa falar de gordofobia para lutar contra ela, vão entender o que é se aliar, o que é proteger esses pacientes e começar a levar para a sociedade alguns alertas. Se está difícil comprar alimentos frescos e naturais, já insira o paciente, comece a gerar o alerta, mas dê uma olhada em quais alimentos são da safra, quais estão mais baratos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim: leve esses pacientes a perceber que é difícil, mas tem saídas.&nbsp;&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Temos ainda uma indústria do emagrecimento forte. Como essa cultura de dietas influencia a saúde da população?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Dieta é alimentação. O termo dieta significa tudo que você come. Se você estiver comendo um fast food, um ultraprocessado, é a sua dieta. Aliás, a gente só usa o termo “dieta” hoje em dia, porque foi uma construção da nutricionista Sônia Tucunduva, como tentativa de explicar que dieta era uma alimentação, não era uma restrição, que era o antigo “regime”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não adianta desconstruir e defender a restrição. Restrições vêm de estudos que mostram itens que podem ser alterados, geralmente para uma redução, e que isso desempenha um bom papel na saúde. Mas em momento algum se focou em orientar os profissionais a se atentar à tolerância do paciente àquela restrição, e que era muito importante ajustar isso de forma eficiente para a manutenção do paciente na estratégia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você vai ver, a pesquisa que embasa uma dieta qualquer foi feita com pessoas que estavam num hospital, que comeram o que entregaram na mão delas, e tinha atividade física, tinha médico. Num mundo completamente distante da realidade da maioria dos pacientes, ela funciona. Isso tem que começar a ser questionado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por que as dietas só funcionam nas pesquisas? Porque na realidade o que vai funcionar são ajustes possíveis, e que possam ser mantidos. Se você consegue comer menos pão, ok, tira o pão. Agora, se você gosta do pão e quer,porque de manhã é o seu prazer, o nutricionista tem, sim, uma forma de calcular que esse pão fique no seu cardápio. Mas, de novo, vem o modismo e faz até o profissional se perder no radicalismo e fazer com que o paciente se sinta constantemente fracassando. A gente precisa que a nutrição se entenda como um ajuste que o profissional faz na vida, na dieta da pessoa.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como essas pessoas podem lidar com o emagrecimento sem cair em radicalismos?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Quando você descobre a obesidade? Quando o peso aumentou e você está com o corpo maior. O que a gente precisa entender é: muita coisa aconteceu ali. Não é só agora você está gordo que você tem obesidade, não. A obesidade começou talvez lá atrás e o resultado foi esse peso que está constantemente aumentando.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro ponto: a preocupação tem que ser se o de entender que, se o peso continuar aumentando, muitos outros problemas vão surgindo junto. Segundo ponto: não aumentar já é um primeiro passo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diminuir é a preparação. Por quê? Quando emagreço, consigo me afastar de outros problemas que podem surgir. E aí agora começa o processo de manutenção. O emagrecimento é o ponto de partida, o restante é o tratamento. Até aqui, a todo instante, o que vão falando sem parar é que você tem que emagrecer, fazer dieta, fazer tal dieta. Não. Isso é a preparação. O tratamento é a consciência que os pacientes vão adquirindo. Por isso leva tempo, não existem mensagens prontas, os desafios são encontrados e vamos aprendendo como desenvolver estratégias para esses desafios, e essas estratégias viram hábitos.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Você defende uma lei contra a gordofobia? O que ela seria?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade o que tenho aprendido é que a gente precisa de mais de uma lei, precisa de um estatuto. Precisamos de uma definição clara das vulnerabilidades de uma pessoa com obesidade e que o governo, as áreas, setores, indústrias, a sociedade respeitem isso. Porque a situação está se agravando, os números estão aumentando e vai chegar no ponto de ser tarde demais para fazer algo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente precisa urgentemente que essas pessoas tenham um amparo. Se eu falo que a pessoa tem que se esforçar, mas não quero ela no meu serviço, no meu plano de saúde, na minha academia, que esforço é esse? Que esforço é esse que ela tem que fazer? Ter uma lei é começar a colocar a sociedade para entender que eles estão oprimindo, repelindo, expulsando essas pessoas, e não tratando.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a sociedade, entendendo isso, vai ter que cobrar academia, indústria, empresa aérea… Ou seja, quem está causando um problema na poltrona do avião, quem não quer parar de produzir ultraprocessado hiper palatável e por aí vai.&nbsp;</p>
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		<title>Por que precisamos falar mais sobre obesidade? Ouça nosso podcast!</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/por-que-precisamos-falar-mais-sobre-obesidade-ouca-nosso-podcast/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Nov 2022 15:43:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Mesmo sendo considerada uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde, o tema &#8220;obesidade&#8221; ainda é negligenciado no Brasil A Organização Mundial da Saúde define obesidade como uma doença, cujo excesso de gordura corporal determina prejuízos à saúde. Tecnicamente, uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Mesmo sendo considerada uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde, o tema &#8220;obesidade&#8221; ainda é negligenciado no Brasil</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Mundial da Saúde define obesidade como uma doença, cujo excesso de gordura corporal determina prejuízos à saúde. Tecnicamente, uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2 e a faixa de peso normal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m2. Para fazer esse cálculo, é preciso dividir o peso dela com o resultado da altura ao quadrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por muitos anos, e até hoje inclusive, esse índice tem prejudicado a vida daqueles que tentam se adaptar aos tratamentos. Isso porque a gordofobia ainda afasta muitos dos consultórios ou de métodos que possam proporcionar uma melhor qualidade de vida, aliando a perda de peso à saúde e não a um padrão estético socialmente aceito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E mesmo sendo considerada uma doença crônica, o tema ainda é negligenciado no Brasil. Por isso, decidimos ouvir histórias de pessoas que convivem com a obesidade e como conseguiram aderir ao tratamento. Neste primeiro episódio do podcast da CDD, você vai conhecer a história de Glenda Cardozo e de Erick Cuzziol.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><a href="https://open.spotify.com/episode/5NbOu94LzoamuWuH2yHlps?si=cLYI2HnBQ_uXdQvp6cj1eA">Ouça aqui o 1º capítulo</a></h5>


<p><iframe title="Spotify Embed: Por que precisamos falar mais sobre obesidade?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/5NbOu94LzoamuWuH2yHlps?si=cLYI2HnBQ_uXdQvp6cj1eA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo episódio do podcast da CDD sobre obesidade, trazemos o debate urgente a respeito da necessidade de desvinculação do tema com o quesito estético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, contamos com as análises de Guilherme Nafalski, doutor e sociólogo, coordenador de Projetos de Saúde do Instituto Cordial e do Painel Brasileiro de Obesidade, e de Priscila Torres, conselheira nacional de Saúde pela Biored Brasil.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><a href="https://open.spotify.com/episode/1wlPiPfwZVAzCx6R2KmBeo?si=uNWifqeGQi2TZPel_5d1LQ">Ouça aqui o 2º capítulo</a></h5>


<p><iframe title="Spotify Embed: Obesidade X estética: a necessidade urgente de dissociação desses conceitos" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/1wlPiPfwZVAzCx6R2KmBeo?si=uNWifqeGQi2TZPel_5d1LQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é preciso alertar sobre os riscos de comorbidades nessa população. Pessoas obesas têm maior probabilidade de desenvolver doenças como pressão alta, diabetes, problemas nas articulações, dificuldades respiratórias, gota, pedras na vesícula e até algumas formas de câncer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso políticas públicas urgentes que ofereçam um tratamento multidisciplinar, promovendo saúde aliado à autoestima, acolhimento e, sobretudo, respeito à individualidade de cada pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O que é Obesidade?</title>
		<link>https://cdd.puntocomm.com.br/noticias/o-que-e-obesidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Equipe Punto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jun 2022 16:32:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), obesidade é acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo que apresenta risco à sua saúde]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Obesidade é um termo que provoca múltiplas sensações, devido às diferentes normas culturais e estigmas sobre o tamanho e a forma do corpo.&nbsp; O risco à saúde inclui toda causa potencial de uma pessoa perder sua vida, juntamente com uma série de condições crônicas, de acordo com o&nbsp;<a href="https://www.cdc.gov/healthyweight/effects/index.html">Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)</a>&nbsp;dos Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todo o mundo, a prevalência da Obesidade triplicou desde 1975, segundo a&nbsp;<a href="https://www.who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight">OMS</a>. A agência afirma ainda que 39% dos adultos com 18 anos ou mais estavam acima do peso em 2016 (1,9 bilhão de adultos) e 13% eram obesos (mais de 650 milhões).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.northwell.edu/find-care/find-a-doctor/internal-medicine/dr-jamie-andrew-kane-md-11355703">Jamie Kane</a>, médico da&nbsp;<em>Northwell Health</em>&nbsp;em&nbsp;<em>Syosset</em>, Nova York, atribui essa tendência à mudança dos padrões alimentares, principalmente nos Estados Unidos, que é o país com as maiores taxas de Obesidade em todo o mundo, de acordo com o&nbsp;<a href="https://www.cia.gov/the-world-factbook/field/obesity-adult-prevalence-rate/"><em>CIA World Factbook</em></a>. “Os tamanhos das porções são maiores do que há algumas décadas e, em média, os americanos&nbsp;<a href="https://www.pewresearch.org/fact-tank/2016/12/13/whats-on-your-table-how-americas-diet-has-changed-over-the-decades/">comem 20% mais calorias</a>&nbsp;do que na década de 1970”, diz o Dr. Kane. (4,5)</p>



<p class="wp-block-paragraph">E as consequências sociais e econômicas da obesidade – incluindo US$ 161 bilhões em custos excessivos de saúde e US$ 66 bilhões em perda de produtividade no local de trabalho nos Estados Unidos, de acordo com um estudo anterior – estão tendo&nbsp;<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3047996">efeitos profundos em todo o país</a>&nbsp;e em todo o mundo. Mas a obesidade pode ser prevenida.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Perguntas frequentes (e respostas) sobre a Obesidade</strong></h4>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como a Obesidade afeta o corpo?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A obesidade tem o potencial de afetar todos os aspectos da saúde de uma pessoa. Está associada ao colesterol alto, pressão alta, diabetes tipo 2, apneia do sono, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, osteoartrite e alguns tipos de câncer, entre outras condições.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como prevenir a Obesidade?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Os formuladores de políticas, empresas e comunidades devem trabalhar juntos para criar ambientes mais saudáveis ​​para lidar com a obesidade. Cada pessoa pode buscar conhecer o próprio IMC, desenvolver hábitos alimentares saudáveis ​​e praticar exercícios regularmente para prevenir a Obesidade.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como a Obesidade afeta o COVID-19?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A Obesidade aumenta as chances da pessoa sofrer uma doença grave, ser hospitalizada ou morrer se contrair o COVID-19. A Obesidade também pode diminuir a capacidade pulmonar e afetar a função do sistema imunológico, o que, por sua vez, prejudica a recuperação do COVID-19.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como a Obesidade afeta a fertilidade?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Ter peso extra pode afetar a capacidade de conceber uma criança. O excesso de peso pode atrapalhar a ovulação ou impedir que tratamentos de fertilidade, como a fertilização in vitro, funcionem. A síndrome dos ovários policísticos, uma causa comum de infertilidade, muitas vezes também coexiste com a Obesidade.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Como a Obesidade causa apneia do sono?</strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">Ela é um importante fator de risco para a apneia obstrutiva do sono, um distúrbio no qual a respiração pára e começa, ciclo que ocorre repetidamente durante o sono. A Obesidade pode piorar esse problema devido aos depósitos de gordura nos tecidos das vias aéreas superiores do corpo. A apneia do sono pode afetar até 45% das pessoas que estão com o peso considerado obeso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://www.who.int/es/health-topics/obesity#tab=tab_1">Organização Mundial da Saúde (OMS)</a>, em espanhol.</li>



<li><a href="https://www.cdc.gov/healthyweight/effects/index.html">Centro de Controle de Prevenção e Doenças (CDC)</a>, Estados Unidos.</li>



<li>Obesidade e sobrepeso.&nbsp;<a href="https://www.who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight">OMS</a>.</li>



<li><a href="https://www.cia.gov/the-world-factbook/field/obesity-adult-prevalence-rate/"><em>CIA World Factbook</em></a></li>



<li><em>What’s on your table? How America’s diet has changed over the decades.&nbsp;</em><a href="https://www.pewresearch.org/fact-tank/2016/12/13/whats-on-your-table-how-americas-diet-has-changed-over-the-decades/"><em>Pew Research Center</em></a><em>.</em></li>



<li><em>Hammond RA, Levine R. The economic impact of obesity in the United States.&nbsp;</em><a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3047996"><em>Diabetes Metab Syndr Obes</em></a><em>. 2010 Aug 30;3:285-95.&nbsp;</em>
<ul class="wp-block-list">
<li></li>
</ul>
</li>
</ul>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tradução e adaptação: Equipe da Crônicos do Dia a Dia (CDD)<br>Fonte:&nbsp;</strong><a href="https://www.everydayhealth.com/obesity/guide/"><strong>Everyday Health</strong></a><br><em>Escrito por Sheryl Huggins Salomon, revisado pelo médico Justin Laube, em 7 de outubro de 2020.</em></p>
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